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• o sobreiro (Quercus suber): 664 000 ha;
• o eucalipto (Eucalyptus globulus): 529.000;
• a azinheira (Quercus ilex spp rotundifolia):464.700 ha;
• outras espécies: 166.800 ha.
O “acordo” que nessa altura foi firmado pelo Gover-
no e os Parceiros Sociais dedicava especial atenção à
fileira florestal onde se podia ler: Fonte: BPI,Agro Ges, Jaakko Poyry
“O conceito de gestão sustentável da floresta, Estudos elaborados em 1991 fizeram o levantamen-
hoje internacionalmente consagrado, é generalizada- to de perspetivas razoáveis para a indústria da madeira,
mente reconhecido como elemento obrigatório de parecendo aceitar que a matéria-prima nunca se tornaria
enquadramento de qualquer política florestal, bem escassa. Todavia, mercê de fatores exógenos e de um
como de qualquer plano mobilizador que encontre na crescente aumento de abates, aliados ao flagelo dos
floresta a sua base”. fogos florestais, tornariam a matéria-prima escassa, em
relação à procura.
Fonte: Conselho Económico e Social - Acordo para o emprego, competitividade e desen-
volvimento
Um dos grandes inimigos da floresta portuguesa é o
Nesse documento é realçada a intenção de uma homem. É certo que cerca de 354.214 ha arderam entre
aposta clara na produção de qualidade, de forma a po- 1990 e 1996; contudo, uma percentagem muito elevada
derem ser atingidas franjas de consumidores cada vez destes fogos ficaria a dever-se ao mau estado da flores-
mais exigentes, e na promoção de uma orientação forte- ta, a políticas que nada têm a ver com a sua preserva-
mente exportadora. Contudo nas condições atuais, e é ção, à incúria de proprietários e utilizadores e à falta de
reconhecido no documento, o conceito de gestão sus- legislação adequada que permisse implementar no solo,
tentável da floresta impõe otimização do aproveitamento não só a prevenção imediata de fogos, mas também
da matéria- prima e racionalização da capacidade produ- contribuisse para a educação das populações no sentido
tiva do sector. da limpeza da mata e sua preservação. Tudo isto, aliado
à falta de punição exemplar daqueles que servem inte-
Em documento esquecido foram definidas as áreas resses obscuros, tornam-na num braseiro em cada ve-
de exploração económica potencial da floresta portugue- rão.
sa.
Em 2017, vinte anos depois, esta evidência teve o
A grande aposta era a da florestação do Alentejo, seu epilogo trágico com mais de uma centena de mortos
substituindo as culturas, até há pouco tradicionais, pela e milhares de hectares ardidos com prejuízos globais de
floresta, situação que, felizmente não foi concretizada já mais de dois mil milhões de euros.
e a sê-lo tornaria Alqueva desnecessária e desaparece-
ria aquilo que ainda pode voltar a ser o celeiro de Portu- O incêndio florestal de Pedrógão Gran-
gal (atualmente detido em grande parte por estrangei- de deflagrou a 17 de junho. Só este desastre é o mai-
ros…) or incêndio florestal de sempre em Portugal, o mais
mortífero da história do país e o 11.º mais mortífero a
O estudo apontava, ainda para o incremento de nível mundial desde 1900.
áreas tão diversas que, a par da desertificação natural,
iria esvaziar o interior em favor do litoral. O balanço oficial contabilizou pelo menos 65 mor-
tos (64 civis e 1 bombeiro voluntário de Castanheira
de Pera) e 254 feridos.

