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         REVISITANDO O RELATÓRIO DA MONITOR COMPANY





          Raul Guimarães

             •  Doutor em Gestão
             •  Mestre em Comercio Internacional
             •  Prof.Universitário aposentado




            A propósito dos chamados grandes fogos florestais    ▬  a desmotivação sentida pelos proprietários flores-
         deste ano revisitei a minha dissertação de Mestrado de-    tais no que concerne ao fomento florestal, se for
         fendida na Universidade do Minho em 1996, e não resisti    tido em conta que o custo/benefício, associado a
         à tentação de publicar parte de um dos seus capítulos,     um elevado potencial de risco, é prejudicado pelo
         atualizando alguns parágrafos, o qual me parece ser de     longo prazo dos investimentos;
         uma  atualidade  gritante  confirmando  que  desde  essa
         data nada se fez pela floresta.                         ▬  o flagelo dos incêndios florestais que, anualmente,
                                                                    destrói partes significativas da floresta.
            Afirmava-se na altura que “o cluster florestal se ba-
         seava na transformação do principal recurso natural re-
         novável de Portugal. A fileira florestal era, em 1997, res-
         ponsável por 12% do PIB industrial, 9% do emprego in-              Distribuição da floresta em Portugal
         dustrial e 11% do total das exportações”, (Monitor Com-              Estado  Celuloses  Matas Comunit
         pany).                                                                3%    5%         12%

            Nos nossos dias, e com mais acuidade, coloca-se a
         questão da floresta. Segundo os dados do então Institu-
         to  Florestal  (1995/96),  em  Portugal  a  floresta  ocupava
         cerca de 1/3 da sua superfície (3 milhões de hectares)                     Privados
         estando a ser feitos esforços, tendo por base os incenti-                   80%
         vos nessa altura criados, para que esta se expandisse                  Fonte: Direcção Geral das Florestas
         até aos 5,2 milhões de hectares.
                                                                  A área florestal em posse de privados encontra-se,
            Um  dado  a  reter  é  o  facto  da  União  Europeia  ser   quase sempre, integrada em explorações agrícolas, ad-
         deficitária em produtos florestais, o que, só por si, podia   quirindo uma dimensão minifundiária em que 74% das
         constituir um bom incentivo à reconversão da agricultura   propriedades têm menos de 4 hectares e em que só 1%
         em floresta – primeiro grande erro do relatório Porter –,   das  matas privadas  atinge  uma área  superior aos 100
         dentro de políticas adequadas a um florestamento orde-  hectares.
         nado do país. Este ordenamento tinha de vencer algu-
         mas barreiras internas, sendo de distinguir, de entre es-  As matas comunitárias estão quase sempre localiza-
         tas:                                                 das em zonas de montanha e por isso abandonadas ao
                                                              seu destino.
            ▬  a estrutura minifundiária e disseminada da propri-
              edade florestal, que está associada a uma ausên-    São  apenas  quatro  as  espécies  florestais  que  se
              cia  de  espírito  empresarial  dos  proprietários,  o   distribuem por cerca de 90% da área florestal:
              que implica uma má gestão da floresta;
                                                                 •  o pinheiro bravo (Pinus pinaster): 844 200 ha;
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