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            Vicente  (2006) refere  que  em  Portugal  os  IEC  são   dução das externalidades negativas e o “efeito anestesi-
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        constituídos por subcategorias de impostos, estando es-  ante” dos impostos indiretos), a tributação indireta tem
        tas  abrangidas  no  Código  dos  Impostos  Especiais  de   vindo a ver o seu peso na tributação total aumentar.
        Consumo (CIEC). Tal como se pode observar no CIEC
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        as três subcategorias do IEC são as seguintes: Imposto    Segundo  Vasques  (2011),  os  IEC  são  uma  impor-
        sobre o álcool e bebidas alcoólicas (IABA), que recai so-  tante receita fiscal, tanto em Portugal como na UE, em-
        bre produtos como a cerveja, vinhos, outras bebidas fer-  bora com menos peso que o IVA, o IRS e o IRC, onde,
        mentadas,  produtos  intermédios,  bebidas  espirituosas,   ao longo do tempo, tem vindo a constituir uma enorme
        também  designadas  por  bebidas  alcoólicas,  e  sobre  o   importância na realidade económica e fiscal. Esta cres-
        álcool  etílico ;  Imposto  sobre  os  produtos  petrolíferos   cente relevância resultou do alargamento da base des-
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        (ISP),  onde  os  produtos  petrolíferos  e  energéticos  são   tes impostos, onde veio abranger novos consumos; da
        tributados se forem utilizados, colocados à venda ou con-  simplificação de procedimentos, agilizando a sua aplica-
        sumidos como carburante e combustível. Os outros hidro-  ção; e do reforço da harmonização europeia, por forma a
        carbonetos também são tributados quando são utilizados,   proteger a livre concorrência.
        colocados à venda ou consumidos como combustível e a
        eletricidade  também  está  sujeita  a  este  imposto .  Os   Nas  bebidas  alcoólicas  a  principal  dificuldade  era
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        principais  produtos  tributados  são  os  óleos  minerais   perceber  que  produtos  estavam  em  concorrência  uns
        (gasolina, gasóleo, gás de petróleo liquefeito (GPL) e me-  com os outros. Em 1992 foi estabelecido o sistema co-
        tano, fuelóleo pesado e querosene), eletricidade, gás na-  munitário  do  IEC,  composto  pela  diretiva  92/12/CEE,
        tural,  carvão  e  coque  (European  Commission,      alvo  de  posteriores  alterações,  que  determina  sobre
        2017) ;Imposto sobre o tabaco (IT), onde as categorias   quais produtos são tributados estes impostos. Mais tarde
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        de produtos afetadas são os cigarros, os charutos, as ci-  foram  adotadas  as  Diretivas  92/84/CEE  e  92/83/CEE
        garrilhas,  os  tabacos  de  fumar (tabaco  de  corte  fino),  o   (União Europeia, 2017). Quanto aos produtos do tabaco
        tabaco para cachimbo de água, o rapé, o tabaco de mas-  a diretiva que determina os produtos a serem tributados
        car, o tabaco aquecido e o líquido contendo nicotina, utili-  por  este  imposto  é  a  2011/64/CE  (União  Europeia,
        zado na carga e recarga de cigarros .                 2017). A estrutura de base do imposto para os produtos
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                                                              energéticos  foi  também  estabelecida  em  1992,  e  em
            A constituição da União Europeia baseia-se em diver-  1997 as propostas da Comissão foram aprovadas com
        sas liberdades, entre as quais se encontra a da livre circu-  largas  alterações  dando  lugar  à  Diretiva  2003/96/CE
        lação  de  mercadorias.  A  harmonização  fiscal  Europeia   (União Europeia, 2017).
        tem estado sobretudo centrada numa harmonização posi-
        tiva da tributação indireta (Vasques, 2014). Isto porque a   De  frisar  que  para  os  três  tipos  de  estruturas
        falta  de  harmonização  dos  impostos  indiretos,  levaria  a   (bebidas alcoólicas, produtos de tabaco e produtos ener-
        protecionismos e a distorções incompatíveis com o mer-  géticos) apenas foram fixadas taxas mínimas comunitá-
        cado único. Contudo, conforme é constatável em Sarmen-  rias (União Europeia, 2017).
        to & Alvarez (2015) , existe uma forte amplitude de recei-
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        tas do IVA em % PIB nos Estados Membros.                  Chaloupka et al. (2012)  referem que mais de uma
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                                                              centena de estudos demonstram que os impostos espe-
            No entanto, por via da harmonização, e por via das   ciais de consumo de tabaco são um instrumento valioso
        suas características económicas (maior neutralidade, re-  na redução do uso de tabaco e em paralelo dão origem
                                                              a uma importante fonte de receita para o Estado. Usan-
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         10  Vicente, Carlos (2006). A extra fiscalidade dos impostos especiais sobre o consumo. Revista da   do os países Europeus, Gallus et al.(2006)  concluíram
          Faculdade de Direito da Universidade do Porto 3, 185-188.
                                                              que em média, o consumo do tabaco diminui, entre 5% a
         11  Decreto-Lei n.º 73/2010.
                                                              7%, quando existe um aumento de 10% no preço dos
         12  Artigo 66.º do CIEC (2017).
         13  Artigo 88.º do CIEC (2017).
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         14  European  Commission  (2017).  Excise  duties.   Disponível  em:   17  Chaloupka, F. J (2012). Tobacco taxes as a tobacco control strategy. Tobacco control 21 (2),
          http://www.exporthelp.europa.eu/thdapp/display.htm?page=rt/rt_ImpostosEspeciaisDeConsumo  172-180
          .html&docType=main&languageId=PT [Acesso em: 2017/04/10].
                                                              18  Gallus,  S.,  Schiaffino,  A.,  La  Vecchia,  C.,  Townsend,  J.  &  Fernandez,  E.  (2006).  Price and
         15  Artigo 101.º do CIEC (2017).                       cigarette consumption in Europe. Tobacco control 15 (2), 114-119.
         16  Sarmento & Alvarez, A receita fiscal do IVA na UE, Cadernos IVA 2015, Almedina
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