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sável pela criação da Academia Real da História Portu- 1997).
guesa em 1720, instituição académica que defendia os
ideais do Iluminismo (Serrão, 1982). Além do que já foi referido, ainda no ano de 1755 foi
Um ponto importante a realçar relativamente à edu- publicado o Decreto de 30 de Setembro de 1755 que
cação desta época é a existência de apenas duas uni- promoveu a extinção da Mesa do Bem Comum, substitu-
versidades, a de Coimbra e a de Évora (Serrão, 1982). ída pela Junta do Comércio (Marcos, 1997). A Junta do
Focalizando o ensino no ponto de vista dos guarda- Comércio, com sede em Lisboa, era responsável pela
livros, não existia em Portugal formação institucional que regulação do comércio e da economia portuguesa e ti-
os pudesse assistir, fazendo com que as suas compe- nha como objetivo apoiar os homens de negócio e prote-
tências apenas pudessem ser adquiridas nos próprios ger o comércio no seu geral, funcionando também como
locais de trabalho (Rodrigues et al., 2003, 2004). um “trampolim para novas oportunidades na área finan-
ceira” (Madureira, 1997, p. 613), como foi o caso de um
Para sintetizar, a primeira metade do século XVIII seu provedor (presidente), José Francisco da Cruz
ficou marcada pela enorme riqueza do país conseguida (Gonçalves, 2013).
pelo rei D. João V, por uma economia carente de gran-
des comerciantes nacionais, por uma forte presença das No mesmo ano, 1755, devido ao terramoto que se
partidas simples na contabilidade, pela educação da fez sentir especialmente na cidade de Lisboa a 1 de No-
população baseada na igreja e por uma falta de ensino vembro de 1755, foram destruídos os registos da Casa
específico para a profissão de guarda-livros e técnicos dos Contos, bem como o edifício em si mesmo
de escrituração comercial. (Rodrigues, 2000). Em substituição da Casa dos Contos,
foi fundado o Erário Régio, seis anos depois, em 1761
(Gomes, Carnegie e Rodrigues, 2008), assunto que a
3. ACONTECIMENTOS RELEVANTES DA seu tempo abordaremos.
CONTABILIDADE NA SEGUNDA METADE
DO SÉCULO XVIII Em 1756 foi criada a Companhia Geral da Agricultu-
ra das Vinhas do Alto Douro, também pelo Marquês de
No final da primeira metade do século Pombal. Designada correntemente por Real Companhia
XVIII o rei D. João V encontrava-se num estado debilita- Velha, foi criada no século XVIII com caráter monopolis-
do devido a uma paralisia parcial e a outros problemas ta e apresentava como atividade a produção e distribui-
de saúde que detinha, acabando por falecer em 1750 ção dos vinhos da região do Douro. Esta empresa é a
(Serrão, 1996). sociedade portuguesa por ações mais antiga em ativida-
de (Sousa e Amorim).
O ano de 1750 fica então marcado pelo falecimento
do rei D. João V e posterior sucessão ao trono do seu Apesar de Gabriel de Souza Brito já ter escrito sobre
filho D. José I. O governo de D. José ficou a cargo de contabilidade, foi a João Baptista Bonavie que pertenceu
três secretarias de Estado: 1) Negócios Interiores do a autoria da primeira obra de contabilidade portuguesa.
Reino; 2) Marinha e Domínios Ultramarinos; e 3) Negó- Este livro tem como título Mercador Exacto nos seus
cios Estrangeiros e Guerra (Serrão, 1996). Os seus res- Livros de Contas, ou Methodo Facil para qualquer Mer-
ponsáveis foram, respetivamente: Pedro da Mota e Sil- cador… pelos Princípios das Partidas Dobradas e foi
va, Diogo de Mendonça Corte-Real e Sebastião José de publicado em 1758 em Lisboa (Carqueja, 2011).
Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) (Serrão, 1996).
À data de 19 de Maio de 1759 autorizou-se o funcio-
Com o alvará de 6 de Junho de 1755, o Marquês de namento da primeira escola de contabilidade, a Aula do
Pombal fundou a sua primeira companhia monopolista Comércio, a qual tinha como objetivo formar guarda-
de comércio, a qual designou por Companhia Geral do livros e comerciantes instruídos nos princípios gerais do
Grão-Pará e Maranhão; o seu objetivo fundamental era comércio e da escrituração pelo método das partidas
controlar e fomentar a atividade comercial com o Estado dobradas. O seu fundador foi o Marquês de Pombal e a
do Grão-Pará e Maranhão, no Brasil-colónia, fortalecen- escola foi inaugurada oficialmente em 1 de Setembro de
do assim o comércio do reino de Portugal (Marcos, 1759.

