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O risco de crédito E
O “priciNg” nas vendas a prazo das empresas comerciais
parte I
Eduardo Sá e Silva
Docente do ISCAP e investigador de CEOS.PP
Fotografia de Tim Evans em Unsplash
Doutor em Ciências Empresariais
Introdução dias no setor público e de 60 dias para os restantes.
Aliás, Portugal está no top 5 dos países a nível mundial
Como nas instituições de crédito, as empresas cujas empresas são menos cumpridoras”. Trata-se de
quando efetuam vendas a prazo, estão a conceder impli- uma posição pouco desejável.
citamente um crédito aos seus clientes.
Isto conduz a que o custo do financiamento seja
As empresas comerciais, tal como as instituições de mais elevado, porque, quando as empresas pedem di-
crédito, devem possuir bases de dados que forneçam nheiro, as instituições de crédito incluem os atrasos nos
informação sobre o comportamento dos seus clientes. pagamentos no custo de capital. Isto significa que quan-
No que diz respeito aos pequenos consumidores, regra do um cliente se atrasa, a empresa fornecedora está a
geral particulares e pequenos negócios, pode ser colhi- financiá-la, com o risco inerente do crédito
da por meios próprios da empresa (dentro dos limites
permitidos pelo Regulamento Geral de Proteção de Da- Falar de risco é falar sobre a identificação dos fato-
dos ) ou por fontes externas. Relativamente às empre- res que podem afetar o sucesso de um projeto, da pro-
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sas de dimensão média e grande , nomeadamente para babilidade destes fatores assumirem valores que pos-
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as que sejam cotadas, estão disponíveis para o público sam prejudicar, total ou parcialmente, este, bem como
relatórios contabilísticos certificados por revisores, pre- das consequências que daí podem advir.
ços de ações e relatórios de especialistas. Verifica-se
que com o atual desenvolvimento tenológico é cada vez Um sistema de classificação de risco de crédito de-
mais acessível e menos custoso o acesso a estas bases ve compreender todos os métodos, processos, contro-
de dados externas. les, colheita de dados e sistemas de tenologias de infor-
mação (TI) que apoiem a mensuração do risco. A estru-
De acordo com o jornal Expresso, 26 de maio de tura principal deste sistema consiste na classificação
2018, na sua seção de Economia, a situação é deveras das exposições em classes de risco similares, em que é
preocupante na Europa. Na Europa só “39,1% das em- associada uma determinada probabilidade de incumpri-
presas paga a horas, mas em Portugal, e segundo da- mento que deve ser monitorizada ao longo do tempo.
dos recolhidos em abril de 2018, apenas 15,2% das em- Um dos modelos mais utilizados, nomeadamente, para
presas cumpre os prazos estabelecidos que são de 30 particulares e pequenos negócios são os designados
modelos estatísticos de scoring. No caso de empresas
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1 Regulamento (EU) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho de 27 de abril de 2016 de maior dimensão deve entrar igualmente em conside-
2 De acordo com o artigo 2º do anexo Decreto-Lei nº 372/2007, de 6 de novembro: a categoria de
média empresa que empregam menos de 250 pessoas e cujo volume de negócios não excede ração a opinião de peritos. Igualmente a partir do siste-
50 milhões de uros ou cujo balanço total não excede 43 milhões de euros. Por sua vez, uma ma de classificação deve ser estimada a perda que está
pequena empresa é uma empresa que emprega menos de 50 pessoas e cujo volume de negó-
cios anual não excede 10 milhões de euros ou cujo balanço total não excede 10 milhões de intimamente ligada ao tipo de operação e aos colaterais
euros. No caso de ser micro empresa, esta deve empregar menos de 10 pessoas e cujo volume
de negócios anual não excede 2 milhões de euros ou cujo balanço total anual não excede 2 que se obtêm.
milhões de euros

