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            No que tange à Companhia, D. José I concedeu-lhe   transformações  ocorridas  na  Companhia  entre  1834  e
         os seguintes privilégios e exclusivos:               1852.

            −  “Demarcação do Alto Douro;                     Tabela 1: As transformações na Companhia (1834-1852).
            −  Exclusivo do comércio de vinhos, aguardentes e   Período   Caracterização        Descrição
              vinagres do Porto com as capitanias no Brasil, um                      Passa  a  denominar-se  Companhia  dos  Vinhos  do
                                                                                     Porto,  em  1834.  Este  é  um  período  de  angústia  e
              dos  principais  mercados  de  escoamento  dos  vi-                    mudança, com dificuldades financeiras e económicas
              nhos durienses de segunda qualidade […];         1834 a 1838   Mera sociedade    quase  insanáveis,  e  que  corresponde  a  uma  nova
                                                                           comercial
                                                                                     etapa da vida da Companhia, obrigada a abandonar
            −  Exclusivo do fornecimento do vinho de consumo                         a sua tradicional designação, a formar novos estatu-
                                                                                     tos e a traçar uma estratégia de sobrevivência que
              às tabernas da cidade do Porto e das três (mais                        veio a concretizar com sucesso.
              tarde,  quatro)  léguas  em  redor,  assim  como  a      Funções de disciplina e   Em 1838 recuperou a antiga denominação comercial
                                                                                     e funções de polícia e disciplina quanto à produção,
              aprovação dos propostos ou taberneiros; e        1838 a 1852   fiscalização económica   transporte  e  comércio  dos  vinhos  do  Alto-Douro,
            −  Exclusivo da produção e venda das aguardentes                         funções essas que irá manter até 1852.
              no Porto e nas três províncias do Norte de Portu-  Fonte: Adaptado de Sousa (2003).
              gal, à época” (Sousa, 2006, p. 96).
                                                                 Apesar de todas as contrariedades com que se deba-
            Com o falecimento de D. José I, em 1777, sobe ao   teu ao longo de mais de 250 anos de existência, a Real
         trono a sua filha D. Maria I (1734-1816) (r. 1777-1816).   Companhia Velha (denominação atual) revelou-se como
         Pombal sabia que sua influência tinha chegado ao fim,   a companhia pombalina com maior duração temporal, de
         uma  vez  que  a  rainha  não  nutria  simpatia  por  si   tal modo que sobreviveu até aos nossos dias (Pereira,
         (Mendonça, 2011). Em 1792, D. Maria I foi declarada por   2001).
         uma junta médica incapaz de gerir o reino, ficando com
         a regência do mesmo o seu filho D. João (1767-1826),
         futuro rei D. João VI (de 1816 a 1826).                 4.  A  relação  entre  a  Companhia  e  o  ensino  da
                                                                    Contabilidade na cidade do Porto
            No  início  do  século  XIX, Portugal  foi  vítima  de  três
         invasões francesas (entre 1807 e 1810), o que resultou   O início da segunda metade do século XVIII corres-
         na retirada da corte para o Brasil e na implantação do   ponde a um período fascinante da história da contabili-
         Liberalismo em Portugal, em 1820 (Serrão, 1994). Este   dade em Portugal, pois foi marcado pela existência de
         último acontecimento marca o términus do Antigo Regi-  um  conjunto  de  acontecimentos  que  conduziram  a  um
         me, ou seja, do “regime de governo de monarquia abso-  grande desenvolvimento da contabilidade.
         luta  sem  eleições  e  sem  parlamento”  (Costa,  Lains  e
         Miranda, 2014, p. 281). Decorrente da Revolução Libe-   À  guisa  de  ilustração,  mencione-se o  ano  de  1759.
         ral, surgiram em Portugal ideias opostas às veiculadas   Nesta  data,  Pombal  fundou  em  Lisboa  uma  escola  de
         pelos  defensores  de  monopólios,  pelos  partidários  do   Comércio e Contabilidade, a Aula do Comércio; tratou-se
         corporativismo de classes e pelos prosélitos das benes-  do primeiro estabelecimento de ensino público de Conta-
         ses régias e governamentais. Consequentemente, a livre   bilidade criado no nosso país (Gonçalves, 2017). Duran-
         concorrência  empresarial  passou  a  ser  um  dos  traços   te todo o resto do século XVIII, com exceção da criação,
         principais dos liberais, em especial a partir de 1834, ano   em 1791, da Aula do Comércio de Faro (de duração mui-
         que a história portuguesa assinala como o da instituição   to efémera) (Santana, 1971), não foi instituída no reino
         definitiva do regime político da monarquia liberal consti-  de Portugal mais nenhuma escola de Contabilidade onde
         tucional (até 1910).                                 os  aspirantes  a  contabilistas  (ou,  mais  corretamente,
                                                              guarda-livros) pudessem aprender contabilidade por par-
            Sob este pano de fundo, a ação gestiva da Compa-  tidas dobradas, uma técnica que era ensinada obrigatori-
         nhia caracterizou-se, a partir de 1834, por diversas rees-  amente  na  Aula  do  Comércio  de  Lisboa,  por  força  do
         truturações,  a  principal  das  quais  esteve  relacionada   disposto no § 15 dos seus estatutos.
         com a perda de privilégios reais inerente a um novo con-
         texto político marcadamente a favor da livre concorrên-  Desta circunstância resultava que os interessados em
         cia entre indivíduos e empresas. A Tabela 1 mostra as   frequentar o curso de três anos da Aula do Comércio de
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