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final resultava num balanço, segundo o disposto no De
Computis et Scripturis, da autoria de Luca Pacioli − Fontes
(1446/7-1517) (Oliveira, 2008). Aliás, a sua “obra [de
1494] influenciou a contabilidade e a sua prática, pelo . Alvará Real de 10 de setembro de 1756. Estatutos
menos até ao século XVIII” (Iudícibus, 2012, p. 9) e a da da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto
Companhia não era exceção. A partir do livro razão era Douro. In Colecção da Legislação Portuguesa desde a
realizado o balanço anual da Companhia. O primeiro última compilação das Ordenações redigida pelo De-
realizado nesta entidade data de 1757 (Oliveira, 2008). sembargador António Delgado da Silva (pp. 426-442).
Legislação de 1750 a 1762. Lisboa: Tipografia Maigren-
Mostra-se relevante dizer que o capital social inicial se. Ano 1830.
da Companhia foi de 480 contos de réis (i.e.,
480 000 000 de réis), repartido em 1 200 ações, de 400 . Alvará Real de 19 de maio de 1759. Estatutos da
000 réis cada uma (Sousa, 2006). Metade desta quantia Aula do Comércio. In Coleção da Legislação Portuguesa
poderia ser realizada em espécie através de vinhos, desde a última compilação das Ordenações redigida
sendo o remanescente obrigatoriamente realizado em pelo Desembargador António Delgado da Silva (pp. 655-
numerário. 660). Legislação de 1750 a 1762. Lisboa: Tipografia Mai-
grense. Ano 1830.
6. Conclusão
− Referências
O texto ora presente revisitou a mais antiga socieda-
de por ações portuguesa com funcionamento ininterrup- Azevedo, R. A. (1981). “O Porto na época moderna: da
to, a atual Real Companhia Velha. Academia Real da Marinha e Comércio do Porto à Academia
Politécnica do Porto”. Revista de História, 4, pp.133-150.
A empresa que Pombal ajudou a fundar em 1756, a
Bastos, A. M. (1937). Memória Histórica da Academia
Companhia, contribuiu de forma determinante para o Politécnica do Porto. Porto: Universidade do Porto.
desenvolvimento da Contabilidade em Portugal; por um
lado, porque utilizou, desde a sua instituição, o método Bento, A. (2012). “Como fazer uma revisão da literatura:
das partidas dobradas, uma técnica que o Governo de considerações teóricas e práticas”. Revista JA (Associação
então via com bons olhos para ajudar ao crescimento do Académica da Universidade da Madeira), 65, pp. 42-44.
país e à sua equiparação às potências europeias – co-
mo esse saber resultava escasso entre os portugueses, Costa, L. F., Lains, P., e Miranda, S. M. (2014). História
a Companhia inovou ao contratar como guarda-livros Económica de Portugal, 1143-2010 (3.ª ed.). Lisboa: A Esfera
principal um estrangeiro, o alemão João Frederico de dos Livros.
Hecquenberg, para chefiar a sua contadoria – e, por ou-
tro, porque se constituiu, no início do século de Oitocen- Duarte, C., Lopes, T., e Gonçalves, M. (2017).
tos, patrona do ensino comercial público e benemérita “Revisitação do ensino da Contabilidade em Portugal no sé-
da instrução contabilística oficial no norte de Portugal, culo XIX em Portugal: uma síntese”. Revista de Ciências Em-
presariais e Jurídicas, 28, pp. 291-307.
por ter criado as condições para a fundação da Aula do
Comércio do Porto, uma escola que ela mesma viria a Falcon, F. C. (2008). “A Companhia Geral da Agricultura
gerir pedagógica e financeiramente até 1837. das Vinhas do Alto Douro no contexto das práticas mercanti-
listas e ilustradas da época pombalina”. In Sousa, F. (Org.). A
A Companhia auxiliou, assim, a formação de cente- Companhia e as Relações Económicas de Portugal com o
nas de quadros qualificados para o tecido empresarial Brasil, a Inglaterra e a Rússia (pp. 39-49). Porto: CEPESE.
da região do Porto, evitando, convém frisá-lo, que os Gonçalves, M. (2011). “Aula de Comércio do Porto (1803):
estudantes nortenhos que quisessem estudar Contabili- sua criação e confronto crítico com a correlativa Aula lisboe-
dade tivessem de passar a residir em Lisboa por vários ta”. Contabilidade e Gestão (Portuguese Journal of Accoun-
anos para frequentarem a escola olisiponense. ting and Management), 10, pp. 115-163.
Gonçalves, M. (2016). “Relação dos primeiros contabilis-

