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         1837,  a  Academia  Politécnica  do  Porto  (Duarte  et  al.,   sões e fazer as perguntas certas” sobre os negócios da
         2017).                                               Companhia (Oliveira, 2013, p. 67).

            A Academia Politécnica do Porto surgiu pela mão do   Nos arquivos da Real Companhia Velha, mais propri-
         Ministro do Reino Passos Manuel (1801-1862), durante   amente na subsecção Contadoria, podem ser encontra-
         a  reforma  do ensino por si instaurada, o que  resultou,   dos, entre outros, balanços, demonstrações e balance-
         entre outras vicissitudes, na extinção da Aula do Comér-  tes,  contas-correntes  de  receita  e  despesa  e  os  livros
         cio do Porto. A Academia ergueu-se com o objetivo de   razão, caixa e cofre da Companhia (Sousa, 2003).
         estabelecer  uma  escola  politécnica  industrial  numa
         “tentativa de descentralização do ensino superior e em   A Tabela 4 pretende ilustrar onde estão localizados,
         linha  com  uma  política  de  defesa  de  ensino  técnico  e   nos  arquivos,  alguns  dos  documentos  contabilísticos
         científico” (Gonçalves e Marques, 2015, p. 3). As maté-  originais e qual a temática neles retratada. Desta forma,
         rias tratadas no Curso de Comércio da Academia Poli-  é possível compreender a organização contabilística da
         técnica do Porto encontram-se listadas na Tabela 3.     entidade em estudo. A organização da Tabela 4 respeita
                                                              à ordem crescente do código do arquivo.
         Tabela 3: Cadeiras do Curso de Comércio na Academia Politécnica do Porto (1837).
                                                              Tabela 4: Os arquivos da Real Companhia Velha.
         Anos        Cadeiras               Observações
                                                               Código do
                                    Aritmética, Geometria Elementar, Trigono-  Título    Descrição        Período
             1.ª cadeira            metria Plana e Álgebra até às equações do   arquivo
          1.º                       2.º grau.                         Auxiliares de   Documentação produzida para servir de apoio à
                                                                6.2.003   receita e   escrituração  da  receita  e  despesa  em  livros   1760 a 1954
             1.º ano da 11.ª cadeira da Academia   1.º ano de Comércio e Economia Industrial.   despesa   próprios, como o diário e o memorial.
             Politécnica do Porto
                                                                               Livro  onde  mensalmente  se  lançavam  as
             2.º ano da 11.ª cadeira da Academia   2.º ano de Comércio e Economia Industrial.   importâncias  dos  débitos  e  créditos  do  livro
          2.º   Politécnica do Porto                                           Razão, conta por conta e os respetivos saldos.
                                                                6.2.004   Balancetes                     1788 a 1962
             4.ª cadeira            Desenho de Figura e Paisagem.              Esta série reunia os balancetes do livro razão,
                                                                               balancetes  gerais,  balancetes de  devedores  e
             3.º ano da 11.ª cadeira da Academia                               credores do cofre.
          3.º                       3.º ano de Comércio e Economia Industrial.
             Politécnica do Porto
                                                                      Balanços das   Quadro  que,  resumidamente,  mostrava  por
         Fonte: Gonçalves, Marques e Lira (2012).              6.2.005.03      saldos devedores e credores, a dado momento,   1757 a 1826
                                                                        contas   a situação financeira das contas da Companhia.

            Em contraponto com a instituição de ensino anterior,   6.2.008   Companhia   Livro comercial  auxiliar  no  qual se registavam   1756 a 1960
                                                                       Caixa da
                                                                               as entradas e saídas de dinheiro, os pagamen-
         a frequência do Curso de Comércio da Academia Poli-                   tos e as receitas. Esta série reúne o livro caixa.
         técnica do Porto não foi gratuita. Por conseguinte, o ele-  6.2.023   Diário da   Livro contabilístico obrigatório, no qual se fazia   1756 a 1958
                                                                               a escrituração por ordem cronológica de todas
         vado  valor  das  propinas  fez  com  que  houvesse  uma      Companhia   as operações.
         queda no número de estudantes matriculados (Pereira,                  Livro comercial de contabilidade para o qual se
         2001). O Curso de Comércio foi extinto em 1897; no en-  6.2.039   Razão   transportavam  as contas  do livro  diário. Tinha   1760 a 1961
                                                                               três nomes sinónimos, livro mestre, grão-livro e
         tanto, a Academia Politécnica do Porto permaneceu até                 livro razão, sendo a última designação a mais
                                                                               corrente.
         à  implantação  da  República,  em  1910  (Duarte  et  al.,   Fonte: Sousa (2003).
         2017).
                                                                 A leitura da Tabela 4 permite concluir que, na época,
                                                              a Contabilidade era bastante desenvolvida e organizada.
            5.  A Contabilidade da Companhia                  Para isso terá contribuído o facto de o guarda-livros prin-
                                                              cipal da Companhia não ser de nacionalidade portugue-
            As  partidas  dobradas  foram  adotadas  pela  Compa-  sa, uma vez que, entre os nacionais, o método das parti-
         nhia  desde  os  primeiros  anos  da  sua  existência   das dobradas era pouco conhecido antes da fundação
         (Oliveira,  2008),  prática  que  não  era  muito  comum  na   da Aula do Comércio de Lisboa, em 1759. Em 1780, a
         Europa. Aquando da fundação, o guarda-livros principal   Companhia  integrava  na  sua  repartição  de  contadoria
         da Companhia foi João Frederico de Hecquenberg, pre-  seis  profissionais,  de  entre  guarda-livros,  caixeiros  e
         sumivelmente alemão (Oliveira, 2009). Neste enquadra-  ajudantes (Sousa, 2006).
         mento,  importa,  sobremaneira,  ter  presente  que,  “sem
         dúvida, o Marquês de Pombal sabia analisar bem contas   A escrituração da Companhia era realizada tendo por
         por partidas dobradas e sobre as mesmas tirar conclu-  base três livros, o memorial, o diário e o razão, o que no
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