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            Após 12 anos passados, em 2009, o legislador optou
         por dar mais um passo quanto aos procedimentos e nor-   Numa óptica de controlo do OGE no tocante aos pa-
         mas de contabilidade pública, facto marcado com a cria-  gamentos e recebimentos, entradas e saídas do dinhei-
         ção do Decreto n° 39/09 de 12 de Agosto – Regulamen-  ro, é utilizada a Contabilidade  Orçamental. De acordo
         to do Sistema Contabilístico do Estado – cujo objectivo   com Carvalho et. al (2017), o sistema de contabilidade
         fundamental foi o de implementar o método das partidas   orçamental  regista  de  forma  singular  todas  as  transa-
         dobradas na escrituração dos factos orçamentais, finan-  ções de receita e despesa que culminam com um rece-
         ceiros  e  patrimoniais  da  Administração  Pública,  bem   bimento ou um pagamento, respectivamente. Todavia, é
         como efectuar tais registos na base do acréscimo.    um sistema contabilístico no regime de caixa, sem des-
                                                              curar da necessidade de registo dos factos que antece-
                                                                               4
            Em 2010 foi criada a Lei n° 15/10 de 14 de Julho,   dem ao pagamento .
         Lei-Quadro do Orçamento Geral do Estado, que revogou
         a Lei n° 9/97 de 17 de Outubro, reforçando assim a obri-  A  existência  da  contabilidade  patrimonial,  colmata
         gatoriedade a aplicação do método das partidas dobra-  com algumas limitações apresentadas pela contabilida-
         das e o registos na base do acréscimo, ou seja, refor-  de Orçamental, sendo as bases de registo de ambas o
         çando a implementação da contabilidade patrimoial pú-  principal indicador de diferenciação entre as duas conta-
         blica.                                               bilidades.

                                                                 Pinto et. al (2014) abordam a diferença entre ambos
              1.2  Contabilidade  Patrimonial  Pública  e     regimes contabilísticos, afirmando que os componentes
                   o  controlo  da execução  do  OGE  nas     reconhecidos na base de acréscimo são os activos, pas-
                   Unidades Orçamentais                       sivos, capitais próprios, proveitos e custos. Ou seja, na
                                                              base acréscimo os impactos das transacções são reco-
            A Lei-Quadro do OGE , define OGE3 como sendo a    nhecidos independentemente de já ter havido o corres-
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         ferramenta de planeamento homologada por lei própria,   pondente pagamento ou recebimento, reconhecendo-se
         de que baseia a administração pública e administração   a termo de exemplo, valores a pagar, valores a receber,
         local, incluindo os respectivos fundos e serviços autóno-  custos e proveitos. Ao contrário disto, na base de caixa
         mos, as organizações filantrópicas financiadas na maior   se reportam somente os factos na óptica tesouraria  .
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         parte  por  si  e  a  segurança  social,  para  administrar  os
         recursos do Estado em conformidade com os princípios    Para  melhor  esclarecer  a  diferença,  pode-se  dar  o
         da unidade, universalidade, anualidade e publicidade. O   seguinte o exemplo: Uma entidade que compra à crédi-
         orçamento geral do Estado prevê as receitas e define os   to,  Material de  escritório  (Tinteiros  p.e),  esta aquisição
         limites das despesas.                                impacta a conta de custos e a conta de valores a pagar,
                                                              assumindo  uma  contabilidade  na  base  de  acréscimo.
            O OGE é financiado maioritariamente pelas Receitas   Porquanto, caso a contabilidade seja feita numa base de
         Fiscais. Como tal, o Imposto  assumiu-se rigorosamente   caixa,  esta  operação  não  será  relatada,  pelo  facto  de
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         como  suporte  fundamental  das  finanças  públicas   não ter acontecido nenhum movimento de caixa, ou se-
         (Quintino, 2021). Se por um lado, o Orçamento Geral do   ja,  ainda  não  foi  efectuado  o  respectivo  pagamento
         Estado é a previsão de receitas e uma definição de des-  (saída de caixa).
         pesas  para  um  dado  ano  económico,  por  outro  lado,
         contém o processo de autorização para a cobrança de     Assim, é possível concluir que a Contabilidade Orça-
         receitas pelo Governo e de execução de um conjunto de   mental é feita numa base de caixa (pagamentos e rece-
         despesas para a satisfação de necessidades dos cida-  bimentos ou receitas e despesas), porquanto, a Contabi-
         dãos, restringindo os poderes financeiros do Estado no
         respectivo  ano.  (Carvalho,  Silveira,  Caiado  e  Simões,   ——————————————————————
                                                               4  A Lei 15/10 de 14 de Julho – Lei Quadro do OGE estipula no artigo 30°, ponto 2, al. a, b e c
         ——————————————————————                                 que a execução orçamental da despesa respeita sucessivamente as etapas de Cabimenta-
         2  3 Lei n° 15/10 de 14 de Julho, Lei Quadro do Orçamento Geral do Estado, artigo 3°, pontos 1 e   ção, liquidação e o pagamento.
         2. 5                                                  5   Pinto  et  al.  2014  , p. 40  –  Contabilidade  Orçamental, onde  se contemplam  os fluxos de
         3  O autor enfatiza que tal facto se verifica, em função da transição do Estado de direito liberal   receitas e despesas sendo as mesmas vistas numa óptica de tesouraria, ou seja, de entra-
          para o Estado de Direito Social e consequente imputação ao Estado de novas agendas.    das de dinheiro (recebimentos) e de saídas de dinheiro (pagamentos)
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