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A Noção de Risco
Eduardo Sá e Silva
Fotografia de Edge2Edge Media no Unsplash
Doutor em Ciências Económicas e Empresariais
No mundo atual, caraterizado por constantes e em que o meio envolvente comporta uma série de
significativas correntes de inovação e por uma globaliza- “rochas”, em que a navegação (ou seja, a gestão) tem
ção dos fluxos financeiros e económicos como nunca que ser capaz de as evitar.
antes registada, a competitividade das empresas não se
mede somente pelo preço a que conseguem disponibili- A informação/ quantificação sobre os vários riscos
zar os seus bens e serviços; antes releva fortemente de é importante por diferentes ordens de razões, a saber:
outros fatores, associados à qualidade e diferenciação
consubstanciados na eficiência da gestão financeira. • Os órgãos de gestão precisam de estar informa-
dos sobre a evolução dos vários tipos de riscos,
Deste modo, esta liga-se cada mais ao sucesso de forma a darem instruções claras sobre esta
conseguido na gestão dos variados riscos provenientes matéria;
da atividade económica: risco de crédito, riscos de mer-
cado, risco de reputação, etc. O conhecimento destes • O conhecimento do grau de risco de um cliente,
tipos de riscos e dos efeitos que deles normalmente de- quer na vertente ativa, quer na vertente passiva, é
correm surge, assim, como vantagem competitiva do hoje decisivo para a sua captação/vinculação/
desempenho das empresas. retenção;
Deste modo, pode-se afirmar que as empresas, • A análise prévia de risco de crédito efetuada a
hoje em dia, gerem essencialmente riscos. A gestão dos empresas (ratingI e a particulares (scoring) é uma
riscos não implica a sua eliminação. Em todo o caso, os condição essencial para a abertura de linhas e
mais capazes têm sucesso, outros falham. Enquanto para a negociação de condições de trabalho com
algumas empresas aceitam passivamente os riscos fi- qualquer cliente;
nanceiros, outras procuram criar uma vantagem compe-
titiva através de uma exposição judiciosa ao risco. • A segurança das instalações, clientes e emprega-
dos obriga a que existam sofisticados sistemas de
Mas o que é o risco? O risco pode ser definido controlo (físicos e tenológicos) que deem seguran-
como a volatilidade relativamente a resultados ou retor- ça e que ao mesmo tempo sejam dissuasores
nos não esperados. A palavra tem origem latina em que face a intrusos;
simbolizava o perigo que os marinheiros tinham quando • A concentração e a definição de cúmulos de ris-
navegavam no meio de perigosas e afiadas rochas. Esta cos (crédito, taxa de juro, câmbio, setor, país,
simbologia pode ser trazida para o ambiente empresarial etc..) é decisiva para o estabelecimento de condi-

