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         são fruto de uma aprendizagem contínua, não se limitan-    Não restam dúvidas no que concerne à capacida-
         do aos que são adquiridos academicamente. De referir,   de de adaptação do profissional de secretariado às ne-
         também, que o preconceito associado à mulher e à pro-  cessidades de mercado. No entanto, não se sabe ainda
         fissão  de  secretariado  começa  a  esmorecer,  havendo   quais são as competências, em concreto, que ele teve
         cada vez mais homens a exercer, novamente, esta pro-  de desenvolver para que lhe fosse possível essa adapta-
         fissão.                                              ção. De acordo com Almeida et al. (2018), a globaliza-
                                                              ção fez com que algumas competências começassem a
              Em  suma,  e  tendo  como  foco  um  passado  não   ser mais trabalhadas, nomeadamente as competências
         muito  distante,  o  profissional  de  secretariado  era  visto   comportamentais,  devido  à  sua  exigência  na  atuação
         como  um  mero  executor  de  tarefas,  cujo  trabalho  era   internacional. Note-se que competências comportamen-
         exclusivamente  cumprir ordens  superiores.  Bastava  ter   tais  é  um  termo  mais  utilizado  na  literatura  brasileira,
         formação técnica para atender o telefone, escrever car-  mas que se refere exatamente ao mesmo que compe-
         tas, arquivar documentos, entre outras tarefas de rotina   tências  não-técnicas,  ou  soft  skills,  nomenclatura  mais
         (Almeida et al., 2010). Há uma grande evolução tecnoló-  utilizada neste trabalho.
         gica e consequente globalização, mas o profissional de
         secretariado  sobrevive,  uma  vez  mais,  repensando  o   Retomando o raciocínio, importa agora identificar
         seu papel e reposicionando-se diante do mercado. Fre-  quais destas competências se têm revelado mais impor-
         quenta cursos superiores de secretariado com as neces-  tantes para o profissional de secretariado. No entanto, e
         sidades das empresas em mente, o que lhe permite alar-  apesar  de  ser  já  possível  identificar  um  conjunto  bem
         gar as suas possibilidades de atuação e a sua responsa-  definido  e  consensualmente  aceite  de  soft  skills  com
         bilidade nas empresas.                               impactos diretos na atuação de outros profissionais, não
                                                              o é ainda possível fazer para o profissional de secretari-
              Conhecida a definição de soft skills e analisado o   ado e assessoria. Não obstante, alguns autores têm já
         percurso histórico do profissional de secretariado e das   tentado  identificar  quais  as  soft  skills  mais  relevantes
         suas competências, importa, agora, perceber quais são,   para o profissional de secretariado. Expõem-se, de se-
         especificamente, as soft skills mais relevantes para um   guida, as perspetivas de alguns autores de forma a que
         profissional de secretariado.                        seja depois possível cruzar os dados e averiguar quais
                                                              as soft skills que parecem ser mais relevantes.
            4.  Soft skills que melhor se adequam a um profissional
              de secretariado                                       Segundo Almeida et al. (2010, p. 49), o profissio-
                                                              nal  deve  “trabalhar  com  criatividade,  flexibilidade,  ter
              Nas  últimas  décadas,  as  constantes  mudanças  e   excelente comunicação e relacionamento interpessoal”.
         transformações no mundo do trabalho levaram ao desen-  De acordo com Fontanella (2011, p. 91), para atender às
         volvimento de várias áreas, entre as quais a do secretaria-  necessidades, precisa de ter “discrição, bom senso, inte-
         do (Kloss, Fernandes, Genthner e Maia, 2018). Procuram-  ligência emocional, criatividade, resiliência”. Leal e Dal-
         se profissionais cada vez mais qualificados, pelo que o pro-  mau (2014, p. 168), destacam “comprometimento, resili-
         fissional de secretariado, para suprir esta procura, precisou   ência/flexibilidade/adaptação, ética profissional e iniciati-
         de se capacitar e atualizar (Kloss  et al., 2018). Segundo   va/proatividade”. Para Andrade e Garbelini (2015, p. 23),
         Santos, Brunheta e Franco (2016), a atividade de secretari-  as  competências  são  “ética  profissional,  inteligência
         ado está permanentemente em evolução e tem conseguido   emocional, trabalho em equipe, liderança, gerenciamen-
         adaptar-se à internacionalização das empresas e dos servi-  to  de  conflitos,  negociação  e  tomada  de decisão”.  Se-
         ços, permitindo reforçar a sua importância, devido à maior   gundo Santos et al. (2016), o profissional de secretaria-
         dimensão das suas responsabilidades e exigências. Assim,   do deverá ter capacidade para trabalhar em equipa, ser
         o profissional de secretariado tem hoje um perfil mais quali-  criativo e cooperativo, ser flexível e disponível quanto à
         ficado, capacitado e proativo que lhe permite cumprir metas   gestão  do  tempo  e  das  tarefas  a  realizar,  ser  fiável  e
         e procurar a lucratividade, juntamente com a organização   credível,  ser  pró-ativo  e  eficiente,  possuir  inteligência
         (Kloss et al., 2018). E, em consequência, “o profissional de   emocional, motivação, sentido relacional, sentido de res-
         secretariado  passivo  não  tem  espaço  no  merca-  ponsabilidade e diplomacia. Em linha com Almeida et al.
         do” (Almeida, Borini e Souza, 2018, p. 9).           (2018, p. 6), as competências são “relacionamento com
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