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         Rome  (1972),  em  que  se  prevê  a  escassez  de  vários   através destas medidas que as empresas mais inovado-
         recursos  naturais  num  curto  espaço  de  tempo,  o  qual   ras  têm  o  papel  disruptivo  no  mercado  e  acabam  por
         gerou  uma  grande  polémica  por  parte  da  sociedade,   liderar  a  mudança  dos  seus  concorrentes,  parceiros  e
         desencadeando no aparecimento de vários manifestos,   também  clientes,  assim, podem  suceder novos  merca-
         posições políticas, livros e artigos de opinião acerca da   dos para procurar dar resposta às novas exigências (ou
         sustentabilidade, bem como, mais tarde, do famoso rela-  moldar as novas exigências), transformando a forma das
         tório de Brundtland (1987) de maneira a apresentar uma   empresas se apresentarem no mercado e nos produtos,
         solução  para  estas  questões,  fazendo  do  crescimento   a  possível  criação  de lobbys  reguladores  de  mercado,
         económico o motor do desenvolvimento sustentável so-  definir  standards,  evoluir  a  tecnologia  e  moldar  as  ex-
         cial e ambiental (Purvis et al., 2019 e  Kuhlman & Far-  pectativas da sociedade  (Köhler et al., 2019).
         rington, 2010).
                                                                   Acerca da transição sustentável focada nas organi-
             Um dos motivos para dar o relevo necessário à sus-  zações, diversos autores citados por Köhler et al. (2019),
         tentabilidade  são  as  alterações  climáticas,  a  perda  da   revelam a maior predisposição das empresas formadas
         biodiversidade e a escassez de recursos, compreenden-  mais recentemente em adotar uma postura mais inova-
         do uma série de desafios, sendo o maior a implementa-  dora e radical na inovação em nichos, porém outros au-
         ção de uma cultura sustentável. A transição para a sus-  tores vêm evidenciar que as empresas já estabelecidas
         tentabilidade é reconhecida como um importante movi-  e maduras apresentam uma melhor performance susten-
         mento  da  sociedade,  englobando  a  transformação  da   tável,  devido  à  sua  ampla  abrangência  e  estabilidade,
         energia, transporte, consumo e produção dos bens, afe-  nos setores económicos de transportes, energia, agricul-
         tando assim os seus valores culturais e as ações indivi-  tura e informática.
         duais, caracterizada assim pelos autores como multidi-
         mensional e evolucionária, dada a importância da cola-    Quanto às empresas que contribuem para o desen-
         boração intergrupal, sendo afetada pelas diversas áreas   volvimento de novas tecnologias, diversos autores cita-
         económicas e através de sinergias entre empresas, aca-  dos por Köhler et al. (2019) revelam que estas, formam
         démicos e políticos (Köhler et al., 2019).           frequentemente alianças para atingir estes objetivos tão
                                                              complexos e a resistência das estruturas já existentes é
             A transição para a sustentabilidade pode ser apre-  substancial. Assim, podemos observar com menos tena-
         sentada em larga escala com as alterações do compro-  cidade a reorientação de indústria dentro das empresas,
         misso  com  a  sustentabilidade  na  sociedade,  e  em  mi-  a que deve ser complementada pela criação no mercado
         croescala, diretamente na escolha e consciencialização   e cadeia de valor, bem como nas mudanças no quadro
         do  indivíduo,  apresentando  resultados  a  curto  prazo,   legislativo.
         mas  com  menor  relevância.  Vários  autores  apontam  a
         presença  de  uma  elevada  panóplia  de  ações promovi-  Por último, é observado que as empresas visam a
         das  com  vista  no  melhoramento  da  consciencialização   mudança  para  a  sustentabilidade  nos  seus  comunica-
         em microescala, porém os comportamentos acabam por   dos, na operacionalização e discursos, influenciando os
         se manter, o que atrasa a transição sustentável. Adicio-  seus  colaboradores  a  tornarem-se  mais  sustentáveis,
         nalmente, são também apontadas como retardadoras, o   uma vez que as empresas que se tornam um driver de
         constante  aparecimento  e  mudança  tecnológica  (por   inovação na sustentabilidade têm visto a sua marca ser
         exemplo:  a  evolução  tecnológica  dos  carros  elétricos,   mais legitimada e valorizada pelo público (Köhler et al.,
         painéis solares, etc.), as quais trazem consigo incerteza   2019).
         em  qual  tecnologia  adotar  e/ou  quando  adotar,  o  seu
         real benefício e o retorno ao investimento (Köhler et al.,   Apesar da preocupação ambiental ocupar uma po-
         2019).                                               sição  predominante  em  relação  à  sustentabilidade,  o
                                                              conceito é mais abrangente, sendo que o que é implícito
             As  empresas  desempenham  um  papel  crítico  no   é a não escassez de recursos, proporcionando o bem-
         que diz respeito à sua transição sustentável, por força   estar de toda a população e a equidade intergeracional.
         de tornar a sua marca mais apelativa aos consumidores,   Assim sustentabilidade pode ser definida como a preser-
         apresentar  novos  produtos  e  cumprir  a  legislação.  É   vação do bem-estar a longo prazo, abrangendo três pila-
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