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longo prazo, tal como é procurado no desenvolvimento lado complicada, sobretudo pela redução dos custos de
sustentável. A contabilidade rege-se por princípios e agência, os quais podem ser geridos através de méto-
regras, as quais não têm na sua base o desenvolvimen- dos e ferramentas adequadas. Os resultados mostram
to sustentável, descorando este em prol da informação que as pequenas e médias empresas, usam uma misce-
relevante do negócio, e para o negócio, e da sua capaci- lânea de práticas simbólicas e substantivas de RSC para
dade de acrescentar valor. É atribuída a esta ciência aumentar a legitimidade e sustentabilidade das suas
algum conservadorismo intrínseco e a existência de ape- atividades, aumentando o comprometimento social, re-
nas uma medida de mensuração – a moeda - leva a não putação e imagem, mitigando o risco de incumprimento
ter um modelo que represente bem as oportunidades e dos normativos e preparando-se para aplicar futuros
os riscos ambientais, sociais e económicos da empresa. normativos (Achenbach, 2021).
Zyznarska-Dworczak (2020) acrescenta ainda a Schaltegger & Burritt (2010), acreditam que contabi-
falta de soluções normativas de forma a assegurar a lidade sustentável acabou por se tornar num termo ge-
credibilidade e a fiabilidade, guiando as práticas contabi- nérico, em que a literatura se difunde entre contabilidade
lísticas em direção ao reporte social e ambiental, apon- de gestão sustentável e contabilidade financeira susten-
tando atualmente para a desinformação propositada, tável e vem sendo confundida com o reporte ambiental.
através da produção de informação incompleta e irreal e
o realce da performance sustentável não realizada, con- 3. Balanced Scorecard
tribuindo para o fenómeno do greenwashing.
3.1. Pilares do Balanced Scorecard
Segundo Hubbard (2009), a medição da performan-
ce organizacional tem se tornado bastante complexa Segundo Saraiva & Alves (2017), a partir dos anos
sendo que os quadros de trabalho apresentam cada vez 80 do século passado, começa-se a sentir a necessida-
mais pontos a ser observáveis, tais como as Global Re- de de desmarcar o desempenho das organizações atra-
porting Initiatives, as Environment Sustainability Index. A vés, somente, da análise dos principais indicadores fi-
quantidade dos temas a abordar são bastante numero- nanceiros e passa-se a pensar numa solução que abran-
sas, optando cada empresa, e dentro da indústria que se ja algo mais intangível. Surge então a necessidade de
insere, por reportar inúmeras medidas. mensurar os aspetos não financeiros e fundamentais à
explicação da formação de resultados.
A adoção das normas ISO 14001 – Sistema de
Gestão Ambiental e ISO 9001 – Sistema de Gestão de A partir dos anos 90, a visão do stakeholder come-
Qualidade, revelam o interesse na transparência para a ça a ganhar dimensão e a prevalecer em relação à teo-
adoção de medidas ecológicas e sustentáveis, bem co- ria do shareholders – em que a empresa pertence aos
mo na redução de desperdício, mas a auditabilidade seus acionistas – dando especial relevância aos colabo-
destas peca na abrangência fora do conselho de gestão, radores, à sociedade, fornecedores, aos seus pares e a
não tem relevância nos restantes stakeholders (sem ser todas as organizações e pessoas que envolvem a em-
internos). As empresas têm dificuldade em articular a presa e têm interesse na sua atividade. Fazem parte
sua RSC, através de várias medidas completamente deste grupo também os shareholders, mas não assu-
distintas, seja no apoio à sociedade ou na conscienciali- mem a relevância de topo que assumiam anteriormente
zação dos seus pares e colaboradores para a importân- (Hubbard, 2009).
cia e/da adoção de medidas mais sustentáveis. Também
não é claro o que leva as empresas a adotar este com- Os modelos como o Intangible Assets Monitor, BSC
portamento, seja pela pressão do mercado, pela visão e Skandia Navigator, embora diferentes, alinham-se na
dos seus gestores e colaboradores ou pela obrigação ênfase que dão ao que, mais tarde, se viria a chamar de
legal (Hristov et al., 2019). Capital Humano ou Capital Intelectual. O reporte destes
últimos foi aconselhado pelo Conselho Sueco para Em-
O interesse pela responsabilidade social nas em- presas de Serviços, em 1993, através de indicadores
presas tem crescido ao longo dos tempos, porém a rela- que descrevessem o capital humano nos seus relatórios
ção entre esta e a performance empresarial tem se reve- anuais (Saraiva & Alves, 2017).

