Page 13 - rcf148_Neat
P. 13

13





         diferentes perspetivas levando a cabo o foco na inova-  te aos gestores terem o impacto visual de que, ao atingir
         ção. Os autores assumem na geração económica o foco   objetivos  ao  nível  mais  básico  ou  operacional,  conse-
         da  performance  organizacional,  acabando  por  não  dar   guem atingir resultados ao nível da melhoria da relação
         enfase às restantes atividades que suportam a capaci-  com  o  cliente,  melhorar  a eficácia  de  processos e  por
         dade  de geração económica,  tal como  a  inovação. Os   consequência da eficiência (por exemplo, melhorar tam-
         autores  revelam  ainda  que  a  ferramenta  é  útil  para  a   bém os resultados financeiros) (Kaplan et al., 2010).
         integração da gestão estratégica e da sua comunicação
         a todos os níveis hierárquicos, promovendo a inovação,    A lógica por detrás da relação causa-efeito é a oti-
         desenvolvendo  objetivos  comuns,  atingindo  assim  os   mização da operacionalização em algo concreto, levan-
         objetivos orientados para o futuro. Os resultados do es-  do por último à melhoria económica da empresa, através
         tudo de Dudic et al. (2020) sugerem que, quando os pro-  da criação de objetivos estratégicos, fazendo correspon-
         cessos internos são alvo de melhoria contínua, o núme-  der  métricas  mensuráveis,  criando  uma  série  de  KPI’s
         ro  de  clientes  aumenta,  aumentando  os  resultados  da   para o controlo da realização dessas medidas. Aquando
         empresa,  revelando-se  uma  relação  simbiótica  ótima   da criação destes indicadores deve-se ter em atenção a
         entre  os  atores,  uma  vez  que  a  satisfação  do  cliente   criação de “Lagging Indicators” e “Leading Indicators”, os
         contribui para o alargamento da carteira de clientes.   quais vão definir os objetivos mensuráveis e atingíveis a
                                                              longo prazo e a curto prazo, respetivamente, tendo estes
             O processo de medição e de avaliação das ativida-  um  efeito  simbiótico  e  necessário  para  o  sucesso  da
         des é importante para o negócio e para a gestão da em-  ferramenta,  formando  a  cadeia  equilibrada  de  relação
         presa, uma vez que, e citando Lord Kelvin (1883), “o que   causa-efeito entre as áreas do scorecard, tendo em con-
         não pode ser medido não pode ser melhorado”, especi-  ta as medidas estratégicas (Achenbach, 2021).
         almente  quando  a  cadeia  de  valor  está  em  constante
         mutação,  impondo  novas maneiras  de  fazer negócio  e   Um dos desafios da equipa de controlo de gestão é
         preocupações antes tidas como insignificantes, relevan-  interligar e focar-se nos diversos objetivos de cariz sus-
         do assim a importância de mensurar as atividades rele-  tentável. Apesar da cultura de cada região ou país, os
         vantes e ter em conta o cumprimento dos valores reali-  autores  revelam  a  incomum  avaliação  e  medição  dos
         zados face aos planeados (Dudic et al., 2020).       objetivos sustentáveis, tanto ao nível económico, social
                                                              e ambiental. Os controllers são mais focados na obten-
             O  BSC  vem  colmatar  as  limitações  dos  modelos   ção de objetivos de curto-prazo, descorando os objetivos
         mais tradicionais com a inclusão das medidas qualitati-  estratégicos  a  longo  prazo,  de  maneira  a  suportar  os
         vas, acrescenta aos KPI’s uma forte componente estra-  custos operativos e gerar lucros (Córdova-Aguirre & Ra-
         tégica,  balanceia  a  performance  a  curto-prazo  com  a   món-Jerónimo, 2021).
         visão e a missão da empresa, revela uma melhor perfor-
         mance e sustentabilidade enraízada ao longo do tempo.      3.2. Processo de implementação
         Diversos estudos entendem que o BSC pode ser aplica-
         do a várias áreas de maneira a atingir o efetivo e o efici-  Kaplan & Norton, (2001) identificam cinco princípios
         ente melhoramento de uma organização (Hristov et al.,   de uso do BSC numa organização focada na estratégia:
         2019).
                                                                 1.  Utilizar  BSC  e  mapas  estratégicos  para  colocar
             Para Kaplan & Norton (1992), o BSC traça os ele-       em prática objetivos estratégicos;
         mentos essenciais para a obtenção prática da estratégia   2.  Utilizar e moldar o BSC de acordo com a estraté-
         e para a sua operacionalidade. Para os autores, “o que     gia de negócio, desde o top management até ao
         se mede é o que se obtém”. Os objetivos estabelecidos      nível mais operacional e mesmo externo;
         afetam significativamente os colaboradores e os objeti-  3.  Fazer da estratégia o trabalho de todos, de modo
         vos (apenas) financeiros fazem descorar o que se consi-    que se crie sensibilização para esta;
         dera  fulcral  no  ambiente  competitivo  empresarial  con-  4.  Fazer a ligação entre orçamentação e estratégia
         temporâneo – a melhoria contínua e a inovação.             tornando este processo contínuo e motivador para
                                                                    os colaboradores;
             O mapa estratégico, de relação causa-efeito, permi-  5.  Usar a liderança para implementar e fazer cumprir
   8   9   10   11   12   13   14   15   16   17   18