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A ecoeficiência vem trazer ao SBSC uma melhoria, mais amigas do ambiente com um SBSC de cinco áreas,
uma vez que liga o impacto ambiental com a performan- em que uma delas é isolada na sustentabilidade. Porém,
ce económica, trazendo relevo para a tomada de deci- Alewine & Stone (2013) relatam que na sua investigação
são do top management. O inadequado conhecimento o modelo preferido para a tomada de decisões em medi-
acerca do tema e da arquitetura do SBSC pode ser um das mais amigas do ambiente seria o modelo de SBSC
dos fatores que distorce a tomada de decisão, tornando- de quatro áreas pois os participantes decidiriam mais
a enviesada em relação aos dados que são fornecidos. rápido. Para os autores Jassem et al., (2018), o conheci-
Assim, o decisor não tem a sensibilidade de avaliar a mento na avaliação da performance de qualidade é es-
cadeia de valor e identificar onde pode tomar uma medi- sencial para promover a decisão do investimento e as-
da mais eficiente, ou por exemplo, enviesar o scorecard sim atingir os objetivos ambientais propostos, concluindo
através das medidas escolhidas ou com maior prepon- que ao aumentar uma área ao scorecard poderia sobre-
derância de serem cumpridas - medidas comuns a todas carregar as medidas propostas e assim aumentar a con-
as unidades de negócio. Incluir medidas comuns e foca- fusão.
das nas unidades de negócio, ter medidas claras e obje-
tivas que assumam especial relevância no caráter social Hsu et al., (2011), utiliza no SBSC quatro perspeti-
e ambiental fazem aumentar a responsabilidade e o dis- vas, substituindo as perspetivas clientes e perspetiva
cernimento para a tomada de decisão, melhorando a financeira pela perspetiva sustentabilidade e perspetiva
responsabilidade sustentável da empresa. A Sustainabi- stakeholders, respetivamente. Desta forma, permite col-
lity Accounting revela importância na tomada de decisão matar a falha que existe na responsabilidade social em-
de investimento dos gestores, sendo que estes se basei- presarial uma vez que considera, tal como Hubbard
am na sua experiência e na informação disponível. A (2009), que o TBL necessita de ser adicionada à análise
informação sem o devido conhecimento dos temas aci- económica clássica adicionando-se assim a perspetiva
ma e/ou a má interpretação desta revela uma deficiente social e ambiental e a perspetiva stakeholders. Esta fa-
tomada de decisão. As diferentes formas de apresentar lha deve-se ao facto dos autores do BSC se basearam
a informação podem levar a diferentes perceções nos na teoria dos stakeholders para a criação da ferramenta.
vários intervenientes e nas diversas camadas da empre-
sa (Jassem et al., 2018). No estudo de caso de Hubbard (2009), o autor es-
colhe para a implementação de um SBSC, fatores espe-
Hubbard, (2009) considera que a não integração da cialmente desenhados para mensurar a performance
relação causa-efeito nas medidas escolhidas para o social e ambiental com facilidade através de indicadores
SBSC e o evitar de medidas dificilmente mensuráveis, simples e críticos de forma a ser compreendido por to-
ligadas ao ambiente e sociedade são uma prática co- dos os stakeholders. O autor inclui assim o TBL para
mum, dando especial relevância à perspetiva financeira. tornar mais fácil o entendimento das medidas que afe-
Esta prática leva a que, no reporte e quando são envol- tam os stakeholders sem relação direta comercial – cola-
vidas as medidas não financeiras, sejam prevalecidas as boradores, clientes e fornecedores. O autor considera
medidas que foram atingidas; o enaltecimento da má que, ao contrário do BSC, este último não foi tão bem-
performance pela não comparabilidade ao que a empre- sucedido, pois aparece como mais complexo e disrupti-
sa se propôs inicialmente; a não mensurabilidade dos vo para a visão mais financeira dos gestores.
objetivos, tornando-os apenas descritivos e ambíguos; o
foco dos relatórios na gestão e distorção da realidade Muitas vezes, a adoção de uma nova ferramenta,
como um todo perante os restantes stakeholders, estan- gera mudanças na empresa, tais como novas políticas,
do estes pouco envolvidos e com diminuta compreensão novos métodos de controlo, estratégias e procedimen-
das medidas enunciadas. tos, as quais podem trazer alguma inércia. Contudo, es-
ta fase de mudança é essencial para o crescimento e
No estudo de Jassem et al. (2018), a revisão de sobrevivência da empresa, sendo a sua comunicação
literatura não chega a consenso sobre qual das arquite- fundamental. No caso, da mudança ser preparada e ser
turas de SBSC é a mais adequada para a integração da gradualmente introduzida, a colaboração de todos na
sustentabilidade. Os autores citam Jingtao & Pin (2010), identificação de problemas, permitirá identificar as me-
que assumem que os participantes escolhem medidas lhores soluções para a ferramenta (Hristov et al., 2019).

