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         financeira, ambiental e social se vão modificando e tor-  A gestão eficiente dos escassos recursos económi-
         nando-se  mais  exigentes  ao  longo  dos  tempos    cos, sociais e ambientais é a tarefa principal da equipa
         (Hubbard, 2009).                                     de gestão, garantindo a futura viabilidade da empresa e
                                                              a manutenção e melhoria dos seus valores económicos
             Para Kalender & Vayvay (2016), a sustentabilidade   e sociais, bem como do bem-estar da população. A com-
         começou por ser apenas um ad-hoc ao reporte financei-  ponente  económica,  social  e  ambiental  é  um  fator  de
         ro. Com a rápida e constante mudança de paradigmas   acréscimo de valor para os stakeholders com uma forte
         na atualidade, a gestão é desafiada em diversos níveis,   orientação a longo prazo através da estratégia, porém,
         tais como na sua posição enquanto empresa sustentável   lucros exigidos pelo mercado de capitais, normalmente
         e ecológica.                                         fazem contradizer os seus objetivos a longo prazo, afe-
                                                              tando negativamente a componente social, ambiental e
             Atualmente,  os  stakeholders  focam  a  análise  na   económica (Achenbach, 2021).
         empresa, não só nos reportes financeiros, mas no envol-
         vimento desta com a sustentabilidade e o meio ambien-     Para Araújo et al. (2020), o SBSC integra os proble-
         te.  A  legislação  tem  também  um  papel  importante  na   mas sociais, ambientais e económicos na gestão da em-
         ativação  da  consciencialização  para  o  meio  ambiente,   presa, estabelecendo relações causais entre estes, re-
         fazendo  cumprir as  melhores  práticas  e  o alinhamento   velando assim os seus potenciais impactos. Achenbach
         das  expectativas  de  comportamento  com  a  sociedade   (2021) acrescenta que o desempenho da empresa será
         (Länsiluoto & Järvenpää, 2010).                      aumentado  através  da  melhoria  das  contribuições  na
                                                              sustentabilidade.
             No  que  concerne ao  desempenho  da  sustentabili-
         dade,  as  empresas  são  consideradas  o  principal  ator   Para obter vantagem competitiva, é imperativo que a
         (pois são consideradas o maior poluidor) e podem ser o   empresa seja capaz de utilizar a componente sustentável
         berço da mudança tecnológica e ideológica, implemen-  de acordo com a sua estratégia. Para o fazer, muitas em-
         tando  esses  ideais  nos  colaboradores  e  parceiros  de   presas recorrem à adoção do TBL, apesar das três dimen-
         negócio.  Länsiluoto  &  Järvenpää  (2010)  apontam  que,   sões deste método não terem ganhos sinérgicos de inter-
         apesar de algumas das medidas serem implementadas    relação.  Para  o  efeito,  diversos  autores  abordam  o  BSC
         por empresas, não conseguem ter o desfecho esperado   com o TBL e com foco na sustentabilidade, originando um
         pois não estão ligadas ao plano estratégico e de gestão.    SBSC. Os autores consideram o BSC uma ferramenta mol-
                                                              dável aos objetivos da gestão e eficaz na avaliação e medi-
             A perspetiva holística da sustentabilidade representa   ção  do  desempenho  sustentável  da  empresa  (Córdova-
         especial importância na integração nas organizações, crian-  Aguirre & Ramón-Jerónimo, 2021).
         do uma relação entre as três componentes: ambiental, soci-
         al e económica, orientada pela estratégia, modelo de negó-  Para Kalender & Vayvay (2016), o SBSC permite às
         cio, visão e pelas ferramentas de controlo. A consciência   empresas ligar estratégias sociais, económicas e ambi-
         sustentável é um fator importante, sendo que a juncão do   entais  à  sua  estratégia,  tornando-se  assim  no  “quinto
         controlo formal e informal é disruptivo na aplicabilidade das   pilar do BSC”, transversal a todos os setores económi-
         ferramentas de controlo (Mio et al., 2022).          cos, implicando a melhoria do bem-estar geral, na ima-
                                                              gem da empresa no futuro, nas relações com os stake-
             Combinando as quatro perspetivas clássicas com a   holders, e por fim nos próprios resultados.
         sustentabilidade,  o  Sustainabilty  Balanced  Scorecard
         (SBSC) representa uma ferramenta de controlo essenci-     No processo de desenho do SBSC é fundamental
         al para a medição e avaliação da performance sustentá-  determinar  os  objetivos  e  medidas  a  serem  cumpridas
         vel,  ajudando  as  empresas  a  obterem  uma  estratégia   de forma a obter sucesso, alinhando assim a gestão e
         sustentável com simbiose financeira (no reporte não fi-  colaboradores com a estratégia, visão e missão da em-
         nanceiro), uma uniformização de processos (englobando   presa  e  definindo  expectativas  para  os  stakeholders.
         questões éticas), um suporte em questões legais e um   Estes têm um papel relevante no desenho do processo,
         apoio  à  tomada  de  decisão,  acrescendo  desta  forma   sendo que influenciam direta e indiretamente o caminho
         valor aos stakeholders (Mio et al., 2022).           a percorrer nas áreas sustentáveis, sendo fulcral o en-
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