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            BREVE RESENHA HISTÓRICA DA NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA

              EMPRESARIAL EM PORTUGAL DEPOIS DO 25 DE ABRIL DE 1974







         Francisca Duarte (ISCAC-Coimbra Business School)
         Raquel Francisco (ISCAC-Coimbra Business School)
         Miguel Gonçalves (ISCAC-Coimbra Business School)
         Sónia Rito (ISCAC-Coimbra Business School)








              Resumo                                                Esta  contribuição  estrutura-se  em  seis  secções.
                                                              Após este  trecho  introdutório,  a  segunda  secção apre-
              O artigo examina literatura sobre os aspetos pri-  senta um breve enquadramento histórico, dando enfâse
         mordiais da normalização contabilística empresarial em   aos acontecimentos ocorridos entre 1974 e 1977. A ter-
         Portugal  e  identifica  a  legislação  fundamental  na  sua   ceira secção permite perceber o papel do Plano Oficial
         implementação  desenvolvida  depois  do  25  de  abril  de   de Contabilidade de 1977 na normalização contabilísti-
         1974, data da Revolução dos Cravos, o movimento mili-  ca. Segue-se a quarta secção, cujo conteúdo alude ao
         tar que fez cair em Portugal o regime ditatorial do Estado   Plano Oficial de Contabilidade de 1989, revisto em 1991.
         Novo.  O  método  utilizado  na  realização  da  pesquisa   A quinta secção discute a questão mais recente da nor-
         consistiu numa revisão da literatura existente sobre esta   malização  em  Portugal:  o  Sistema  de  Normalização
         temática,  designadamente  artigos  e  dissertações  de   Contabilística. O artigo encerra com a conclusão.
         mestrado. Conclui-se que os principais marcos da nor-
         malização contabilística nacional dizem respeito à ado-  2.  Enquadramento  histórico  da  normalização
         ção, em 1977, do Plano Oficial de Contabilidade, à sua     contabilística entre 1974 e 1977
         substituição,  em  1989,  por  um  novo  Plano  Oficial  de
         Contabilidade  e  à  instituição, em  2010, do  Sistema de   Portugal tem vindo a acompanhar o percurso se-
         Normalização  Contabilística,  o  qual  revogou  o  Plano   guido pela maioria dos países, caminhando para a har-
         Oficial de Contabilidade anterior, o de 1989.        monização internacional (Saraiva et al., 2015a). Segun-
                                                              do  Caria  e  Rodrigues  (2014),  surgiram  algumas  pres-
                                                              sões internacionais com o propósito de se estabelecer
            1.  Introdução                                    normas contabilísticas ao nível da contabilidade privada.

              O presente artigo pretende contribuir para aumen-     Inicialmente, Portugal possuía uma fraca competi-
         tar o conhecimento sobre a normalização contabilística   tividade,  pois  o  seu  tecido  empresarial  compunha-se,
         em Portugal depois do 25 de abril de 1974 e incide no-  essencialmente,  de  pequenas  empresas.  Em  1963,  foi
         meadamente sobre o Plano Oficial de Contabilidade, de   publicado o Código da Contribuição Industrial (CCI) pelo
         1977, o Plano Oficial de Contabilidade, de 1989, e o Sis-  Decreto-Lei n.º 45103, de 1 de julho de 1963, o qual re-
         tema de Normalização Contabilística, de 2009 (alterado   gistou como objetivo o de tributar o lucro real das maio-
         em 2015). Para tal, o estudo analisa literatura que trata o   res empresas portuguesas e não o lucro estimado, como
         tema sobre os planos oficiais de contabilidade em Portu-  era     estipulado desde 1929, altura em que o Ministro
         gal e revisita artigos publicados sobre este assunto. Po-  das  Finanças  era  António  de  Oliveira  Salazar.  O  CCI
         de definir-se normalização contabilística como sendo um   fazia  alusão  aos  “sãos  princípios  da  contabilidade”
         processo que visa a uniformidade das práticas contabi-  (Falcão et al., 2019, p. 4), mas não procedeu à sua iden-
         lísticas (Guimarães, 2011).                          tificação.  Esta  questão  foi  apenas  ultrapassada  em
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