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avaliáveis à data da concessão do crédito; adamente, outros fornecedores e parceiros, bem como
empresas de consultadoria que se dedicam a estudar
Tempo – não existe simultaneidade entre a concessão o comportamento dos clientes. Deve ainda ser analisa-
e o reembolso do crédito. Realce-se que quanto maior for o da a ética e a idoneidade evidenciada ao longo do
tempo ou prazo concedido, maior o risco, o que exige maior tempo;
confiança no devedor. 2) Capacidade – que diz respeito à possibilidade econó-
mica do cliente para devolver o objeto do contrato de
Juro – trata-se da compensação recebida pelo credor crédito. Deste modo, a questão central é se o cliente
por não dispor do objeto da relação (dinheiro ou espécie). tem capacidade para pagar o crédito concedido. Torna
Este preço será tanto maior quanto menor for a confiança e -se crucial perceber o nível de endividamento do clien-
maior o risco e o tempo te e saber até que ponto um novo endividamento irá
sobrecarregar as obrigações que o cliente apresenta.
Igualmente poder-se-iam descortinar mais dois ele- Também é importante conhecer como irão ser gerados
mentos: os fluxos de caixa futuros que permitirão reembolsar o
crédito concedido;
Montante – o montante que se refere ao valor que se 3) Capital – que se relaciona com o valor real do patrimó-
concede deve ser justificado por necessidades e limitado a nio. Através de uma consulta ao balanço pode-se per-
essas mesmas necessidades. Assim, se o devedor pretende ceber qual o nível de capitalização do mesmo. Indica-
reformular o seu equipamento deverá apresentar ao credor dores tais como rácios de autonomia e solvabilidade,
comprovativos de que as despesas não foram nem sub nem procuram conhecer o nível dos capitais próprios no
sobre estimadas. Se o montante for por excesso pode resultar total das origens de fundos. Empresas descapitaliza-
em prejuízo. Se for por defeito, o que irá provavelmente acon- das podem indiciar dificuldades para reembolsar os
tecer é que o devedor irá solicitar montantes adicionais. montantes emprestados no futuro. Além dos níveis de
capitalização também é crucial conhecer quem partici-
Finalidade – a finalidade tem a ver com o destino da pa no capital, bem como as políticas de reinvestimen-
aplicação dos fundos. O primeiro aspeto a considerar é o as- to/ou não dos resultados;
peto legal, evitando-se atividades de natureza criminosa, co- 4) Colateral – que diz respeito às garantias que o deve-
mo o tráfego de pessoas. Por outro lado, o credor (partindo dor apresenta. Muito embora não seja objetivo funda-
do pressuposto que se trata de uma instituição de crédito) mental a angariação de garantias, aquando da conces-
deve definir quais os sectores de atividade, o tipo de cliente, são do crédito, as garantias sejam pessoais ou reais
os países ou, eventualmente, as moedas em que irá conceder representam uma diminuição do risco, uma vez que
crédito. Por exemplo, pode não interessar conceder crédito ao existe uma maior probabilidade de recebimento;
setor da construção civil por se ter uma concentração exces- 5) Condições – que se relaciona com o desempenho
siva, ou por essa atividade ter um risco elevado ou uma rendi- operativo do devedor e com a posição competitiva que
bilidade baixa. Finalmente cabe à instituição de crédito averi- tem no mercado onde atua. O mercado onde a empre-
guar da razoabilidade do pedido ao averiguar do interesse do sa atua é um referencial importante. O esquema apre-
crédito para os objetivos que o devedor quer prosseguir. sentado por Porter sobre a atratividade do setor ou
indústria onde a empresa atua constitui ou não um
Uma das metodologias utilizadas para analisar o perfil fator condicionante da progressão da empresa no futu-
do risco de crédito do cliente são os designados cinco “C”. ro. Igualmente o conhecimento do ciclo de vida da
Embora não suficientes, constituem um ponto de partida. Esta empresa / produto, isto é, se se encontra em ascen-
metodologia é uma ajuda importante para quem vende a cré- são, maturidade ou declínio condiciona o futuro de-
dito. Os cinco “C” do cliente/devedor que se passam a des- sempenho da empresa. Outros fatores macro e micro-
crever são o caráter, a capacidade, o capital, o colateral e as económicos que possam ter influência também devem
condições: ser considerados.
1) Caráter – que diz respeito à integridade e competência A avaliação conjunta destes “C” conduz a um perfil do
do devedor para cumprir com os seus compromissos. risco de crédito e consequentemente enquadrável na tomada
Este “C” tem a ver com o histórico creditício do cliente. de decisão, aquando da concessão.
No caso de ser um cliente atual devem ser consulta-
dos os prazos de pagamento que praticou, bem como Tradicionalmente esta metodologia dos cinco “C” foi
o historial sobre as facilidades / dificuldades aquando durante anos a única técnica utilizada para a análise do risco
da cobrança. No caso de ser um cliente novo, devem de crédito aquando da concessão deste. Atualmente conside-
ser consultados fontes de informação externas, nome- ra-se que se devem acrescentar mais outros “C”, a fim de se

