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                                             O conceito de crédito






          Eduardo Sá e Silva

                                                                  Fotografia de Micheile Henderson na Unsplash
          Doutor em Ciências Económicas e Empresariais

          Docente do ensino Superior







              A palavra crédito – que provém do latim, creditum, de   quantia adicional, acima do montante emprestado, que o de-
         credere, acreditar, ter confiança – pode significar:   vedor  (também  designado  por  mutuário)  tem  de  pagar.  Ele
                                                              inclui os juros, taxas de constituição e quaisquer outros encar-
            •  A influência de que se goza pela confiança que inspira;   gos. Alguns custos são obrigatórios, exigidos pelo credor co-
            •  O valor que se pode atribuir ao cumprimento de uma   mo parte integrante do contrato de crédito. Outros custos, tais
              obrigação;                                      como os de seguro de crédito, podem ser opcionais. O deve-
            •  Uma relação prolongada no tempo                dor escolhe se são ou não incluídos como parte do acordo.

              Assim,  crédito  pode ser  entendido  como a  confiança   É  esta  relação  de  troca  sem  simultaneidade  entre  a
         nos atributos positivos (dinheiro, valor moral, conhecimentos   prestação e contraprestação que está em causa quando se
         humanos, etc..) de uma pessoa (por outra pessoa ou grupo   fala de crédito. Trata-se de uma operação a prazo. A presta-
         de  pessoas).  Crédito  demonstra  a  confiabilidade  que  uma   ção realiza-se num determinado momento (t), mas a contra-
         pessoa tem por outra, num determinado assunto.       prestação apenas acontece num momento diferido (t+1)

              O  crédito  sobre  uma  pessoa  é  geralmente  medido   Este diferimento que se revela através do prazo con-
         através de seu histórico. É geralmente obtido através de atos   cedido  comporta  um  risco,  o  que  implica  a  necessidade de
         positivos  que  essa  pessoa  praticou.  Por  exemplo,  dizemos   existir confiança entre os dois intervenientes (credor e deve-
         que um "economista de nome", com livros publicados e PhD   dor) e a necessidade, muitas vezes, da prestação de garantia
         na  área,  possui  "crédito"  em  assuntos  relacionados  com  a   por parte do devedor.
         economia. Já um empreendedor conhecido por gerar lucro ou
         bem-estar com os diversos investimentos, possui crédito eco-  Pode-se resumir que o crédito é um ato de troca eco-
         nómico-financeiro                                    nómica em que o credor realiza uma prestação em dinheiro
                                                              ou espécie, num determinado momento, a favor de outro que
              Em finanças, crédito é a capacidade prevista que uma   é o devedor e aceita o risco da respetiva contraprestação ser
         pessoa  tem  de  reembolsar  um  investimento  (empréstimo,   diferida para momento posterior ou posteriores, confiando no
         financiamento) sobre ela. Aquele que empresta dinheiro a um   cumprimento  integral  do  reembolso  por  parte  do  devedor  e
         indivíduo ou a uma instituição chama-se credor. Deste modo,   recebendo um preço (juro) como compensação.
         entre as prestações deve mediar um período economicamen-
         te significativo, de que resulte uma vantagem para o benefici-  Temos assim quatro elementos caracterizadores fun-
         ário do diferimento (devedor) e uma perda para quem conce-  damentais:
         de o crédito (credor), que por isso é compensado através do
         recebimento de um preço (juro) . Refira-se que para o deve-  Confiança – é o elemento básico sem o qual numero-
                                   1
         dor o custo do crédito é mais elevado. O custo do crédito é a   sos atos da vida quotidiana não seriam possíveis;

         1  Na idade média o crédito era considerado ilegal, havia usura do credor, dado a prática de se   Risco – o risco tem a ver com a incerteza de se prever
         cobrar juros. Os pioneiros do comércio e da banca foram os comerciantes ditos "burgueses",
         dos  Países  Baixos  e  da  Itália,  os  dois  polos  mais  dinâmicos  das  operações  de  crédito.  Os   o futuro. A evolução futura é imprevisível quer devido a fato-
         credores que usavam este tipo de serviços eram os religiosos, os monarcas europeus, alguns   res inerentes ao próprio devedor, quer a fatores externos, não
         membros  da  aristocracia,  as  cidades  e  os  burgueses  interessados  em  aumentar  o  capital
         envolvido nos seus negócios.
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