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• “A Reliability Comparison of The Measurement of Wealth, Inco- da Contabilidade que se opõem ao modelo de mensuração subjacente aos
me and Force”, 1984, The Accounting Review, Vol. 59, Nº 1, pp. iGAAP’s, e logo, são defensores do Modelo Tradicional/Convencional 29 30
52-63. 31 .
• “A Framework for Triple-Entry Bookkeeping”, 1986, The Ac- Como se sabe, o modelo convencional de contabilidade a CH/MN
counting Review, Vol. 61, Nº 4, pp. 745-759. trata a unidade monetária utilizada (euro, por exemplo) como se ela fosse
• “Three Postulates of Momentum Accounting”, 1987, Accounting uma unidade monetária estável. Em consequência, o balanço contém acti-
Horizons, Vol. 1, pp. 25-34. vos que foram adquiridos em diferentes períodos utilizando a mesma unida-
• “Momentum Accounting and Managerial Goals on Impulses”, de monetária (euro, por exemplo), mas com diferentes poderes de compra.
1988, Management Science, Vol. 34, Nº 2, pp. 160-166. Não obstante os poderes de compra das unidades monetárias expressando
os diferentes activos serem diferentes (não homogéneos), os montantes
Todavia, foram, sem dúvida, os seus livros relacionados com a Teo- são somados. Os montantes de Caixa/Bancos, de Clientes, de Inventários
ria da Contabilidade e os Fundamentos da Contabilidade, e, ainda, sobre a e de Activos Fixos são adicionados, sem qualquer preocupação com o facto
Contabilidade Multidimensional (“Triple-Entry Accounting” e a “Momentum de as unidades monetárias que expressam cada um dos saldos não se
Accounting”), a par do esforço de matematização/formalização da Contabili- poderem em boa verdade somar , porquanto não têm o mesmo poder
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dade com o Cálculo Diferencial e Integral e a Investigação Operacional , aquisitivo. Este é o chamado “measuring unit problem”. Existe, assim, uma
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que o elevou à categoria ou patamar de ser um dos maiores pensadores da motivação para resolver este problema através da reexpressão monetária
Contabilidade do século XX. Os seus livros (e artigos) estabeleceram um dos demonstrativos ao custo histórico em moeda nominal para demonstrati-
terreno novo na abordagem à Contabilidade e também serviu para enrique- vos financeiros ao custo histórico em moeda de poder aquisitivo constante
cer a teoria económica sobre a empresa. Ainda hoje os livros são uma (como o mesmo poder de compra). O método de estabilização da contabili-
referência obrigatória para estudantes, investigadores e professores. Conti- dade preconizado por Sweeney visou precisamente resolver o “measuring
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nua a ser uma autoridade no que respeita à matéria que trata. Muitos dos unit problem” provocado pela variação no nível geral de preços (inflação).
seus artigos são uma excelente introdução à sua principal obra. Todavia, existe um outro problema na contabilidade com a variação
Ijiri, apesar da sua idade e de se encontrar retirado, continua a de preços. Denomina-se “valuation problem”. Ocorre quando existem varia-
escrever, principalmente em co-autoria com vários dos seus discípulos, ções ou alterações de preços específicos dos activos e passivos utilizados
seguidores e admiradores da sua obra. no período pela empresa. Só por coincidência é que a alteração do preço
específico de um determinado activo (passivo) corresponde à variação do
As Contribuições de Ijiri para a Teoria da Contabilidade nível geral de preços ocorrida no mesmo período. A inflação até pode ser
zero no período, mas o preço específico de um determinado activo utilizado
As contribuições de Ijiri para a Teoria da Contabilidade são extensas e pela empresa pode aumentar mesmo significativamente. O “valuation pro-
múltiplas. Não é possível num pequeno texto como o presente abordá-las blem” remete para os modelos de mensuração a valores/custos correntes
na sua totalidade, quer na sua extensão, quer em profundidade. Em conse- em moeda nominal (Modelos CC/MN) . Se se introduz neste último modelo
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quência, o que se refere a seguir destina-se a dar ao leitor uma pequena a correcção dos efeitos da inflação, obtêm-se o modelo CC/MC, que Swe-
“degustação” de uma obra que merece a pena ser lida e estudada. Come- eney tratou e manifestou preferência no capítulo III do seu livro “Stabilized
ça-se por referenciar muito sumariamente alguns dos muitos conceitos Accounting”. Convém no entanto não perder de vista que Sweeney é famo-
abordados por Ijiri. Seguidamente faz-se referência a alguns (e apenas so pela aplicação do seu método ao modelo CH/MN, a fim de o converter
alguns) do seus livros notáveis. Termina-se com uma breve exposição do no modelo CH/MC.
que pode ser talvez a sua maior contribuição para a Teoria da Contabilida- Ijiri, todavia, é muito importante referi-lo, elevou o Modelo Tradicio-
de , nomeadamente a “TEMA” (“Triple-Entry and Momentum Accounting”), nal/Convencional para um outro patamar ao introduzir os conceitos ineren-
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que foi o objecto de um dos seus livros fundamentais e que teve várias tes à “TEMA” (“Triple-Entry and Momentum Accounting”).
edições e reedições.
b) A Lógica Subjacente à Partida Dobrada (“The Rationale Behind
I –Alguns dos Conceitos Abordados por Ijiri: Breve Resumo. Double-Entry Accounting”)
a) O Modelo Convencional/Tradicional de Mensuração em Contabilidade
Ijiri acerca do “rationale behind double-entry accounting” distingue
Ijiri, como já foi referido, foi um acérrimo defensor do Modelo Tra- entre “a classificational double-entry accounting” e “a causal double entry-
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dicional/Convencional de Mensuração em Contabilidade que se desenvol- accounting”, ambas baseando-se na igualdade entre débitos e créditos . A
veu a partir dos anos 30 do século XX, a seguir e na decorrência da Grande _____________________________________
Depressão de 1929, o qual foi impulsionado pela SEC (“Securities and 29 Ijiri e os seus seguidores actuais que são muitos defendem o modelo tradicional de mensura-
Exchange Commission”) nos EUA. No pensamento de Ijiri encontra-se a ção. Um destes seguidores, como se irá ver mais à frente defende mesmo que a “triple-entry
ideia-chave de que a informação financeira relatada destina-se essencial- accounting” e a “momentum accounting”, preconizadas por Ijiri,constituem um modelo alternativo
mente à “accountability” e que serve de “input” para outros modelos de ao modelo de mensuração preconizado pelas IFRS/IAS.
análise e de decisão. A contabilidade e o contabilista não são “avaliadores” 30 Em Portugal, uma voz que se ouviu muito contra as consequências do abandono do Modelo de
de activos e passivos e da própria empresa ou entidade. Logo, não advoga Mensuração Tradicional/Convencional, foi a do falecido Professor Rogério Fernandes Ferreira
(ver como o modelo subjacente às IFRS/IAS contribuiu para a Crise Financeira Internacional).
o modelo dito do Justo Valor (inapropriadamente ) preconizado nos 31 Ver Nota de Rodapé nº 10, acrescentando-se, ainda, que os defensores do Modelo ao CH/MN
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iGAAP’s (IFRS/IAS). Importa referir que ainda hoje há muitos pensadores argumentam que o modelo com base no Justo Valor (Valores Correntes) também é mais suscep-
tível à prática da denominada ‘Contabilidade Criativa’ e à ocorrência da Fraude Contabilística,
_____________________________________ além de ser mais complexo e custoso de implementar.
25 Na senda de William Cooper, seu mentor, “Hall of Fame” e também pai da Investigação Opera- 32 É como tentar somar ‘crocodilos’ com ‘elefantes’, ou somar monómios não homogé-
cional. neos/semelhantes em matemática. Não se podem somar!
26 No entender de Mattessich assim é. 33 Ver na RCF Nº 116 o nosso artigo sobre Henry Whitcomb Sweeney.
27 Todavia, procedeu a uma extensão inovadora e pioneira do Modelo Tradicional com base na 34 Os modelos a CC/MN podem ter várias alternativas, consoante se utilizem como valores
‘partida dobrada’ (“double-entry accounting”) para um Modelo Tradicional com base em ‘partida correntes “entry values” (“replacement cost”, por exemplo) ou “exit values” (“net realizable value”,
tripla’ (“Triple-Entry and Momentum Accounting”). por exemplo).
28 Na verdade o modelo de mensuração subjacente às IFRS/IAS é um “mix model”. 35 Mais recentement Ijiri, em co-autoria, escreveu “Symmetric Accounting to Integrate ‘Goods’ and
‘Bads’ in the Double-Entry Framework: Logically Stretching the Domain of Conventional Accoun-
ting to the Other Half Space”, que não deixa de ser uma outra visão da técnica da partida dobra-
da e de um outro significado que se lhe pode associar.

