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         podiam ser citados. Como já foi referido Ijiri tem muitos adeptos na Ásia,   distribuições normais, por exemplo), representando duas técnicas de men-
         com  especial  realce  para  o  Japão  e  a  China.  Na  Holanda  e  em  muitos   suração alternativas, onde a média é a mesma em cada uma delas, mas o
         outros países do mundo ocidental também tem muitos seguidores.   nível  de  dispersão  (variância)  é  maior  numa  delas,  logo,  produzindo  um
                                                              resultado com uma Objectividade inferior à outra técnica (com dispersão ou
          Críticos de Ijiri                                   variância menor).

                    De uma forma geral todos os defensores da “user-decision informa-           Contudo, a Objectividade não reflecte a Fiabilidade, que é um con-
         tion approach” e todos os defensores dos Modelos Alternativos de Mensu-  ceito mais útil para os contabilistas. Ijiri e Jaedicke sugerem a utilização do
         ração Contabilística  que incorporam a variação de preços na Contabilida-  erro quadrático médio (“mean square error”) como medida da Fiabilidade.
                      129
         de, específicos ou de inflação, são críticos do modelo do Custo Histórico   Assim, definem a Fiabilidade como sendo,
         em  Moeda  Nominal  defendido  por  Ijiri.  O  mesmo  vale  para  o  FASB  e  o
         IASB  quando  preconizam  o  “Mix-Model”  (inapropriadamente  denominado
         Modelo do Justo Valor), preconizado pelos iGAAP’s (IFRS). Todavia, con-
         vém sublinhar, que Ijiri procedeu a um  “up-grading” do Modelo do Custo
         Histórico em vigor desde os anos 30 do século passado, o qual foi impulsio-  on-  de  é o suposto valor, ou,
         nada  pela  SEC  na  decorrência  da  Grande  Depressão  de  1929.  Assim,
         quando se afirma que Ijiri é defensor do Modelo do Custo Histórico, importa
         qualificar  a  afirmação  tendo  em  consideração  as  alterações  substanciais
         que  preconizou  ao  modelo  de  base,  sobretudo  quando  nele  introduziu  a            Desta segunda expressão da Fiabilidade, Ijri e Jaedicke estabele-
         ‘estrutura dinâmica’ já referida. Uma crítica a Ijiri, por exemplo, pode ser   cem que o Grau de Fiabilidade é igual ao Grau de Ojectividade (primeiro
         vista em Fraser, I.A.M (1993) .                      termo) mais um Enviesamento da Fiabilidade (“Reliance Bias”) que corres-
                            130
                                                              ponde ao segundo termo. Este último, por sua vez, é igual às diferenças
          Conclusão                                           entre o valor médio e o suposto valor da mensuração.
                                                                         Os profissionais da contabilidade enfrentarão assim uma escolha de
                       Ijiri foi um dos grandes pensadores da Contabilidade do Século   “trade-off” entre Objectividade e Enviesamento que leve a um nível aceitá-
         XX. Integra o Hall of Fame (USA). Procurou com sucesso desenvolver a   vel de Fiabiliddade.
         Teoria da Contabilidade com fundamentação na Economia, na Matemática,
         na Física, na Estatística e na Investigação Operacional.  Entre as muitas   ANEXO 2 – UM EXEMPLO DE APLICAÇÃO DE CÁLCULO DIFERENCIAL
         contribuições que deu para a Teoria da Contabilidade destaca-se a “TEMA-  E  INTEGRAL  À  RELAÇÃO  DINÂMICA  ENTRE  O  BALANÇO  E  A  DE-
         Triple Entry and Momentum Accounting” pela sua originalidade e profundi-  MONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
         dade.  Recebeu  por  quatro  vezes  (caso  único)  a  distinção  AICPA-AAA's
         Notable  Contributions  to  Accounting  Lecturer  Award  (1966,  1967,  1971,   O curto texto que se segue é um pequeno extracto de um “working paper”
         1976). Em 1985, foi seleccionado como AAA's Distinguished International   mais vasto que estávamos a escrever há vários anos atrás precisamente
         Lecturer e, em 1986, recebeu daquela organização o Outstanding Accoun-  com o objectivo de tentar mostrar como é possível aplicar o Cálculo Dife-
         ting Educator Award. É considerado uma referência fundamental na Conta-  rencial e Integral à Contabilidade. Desconhecíamos, então, a notável obra
         bilidade em temos mundiais. Ijiri escreveu muito sobre Contabilidade, sozi-  de Yuji Ijiri, ou seja, que aquele grande pensador da Contabilidade já tinha
         nho e em parceria com grandes nomes da Contabilidade contemporânea.   trilhado e explorado o caminho com grande sucesso. A partir do momento
         Os seus livros constituem hoje obras clássicas e pioneiras na Contabilida-  que tomámos conhecimento da obra de Ijiri, somente nos restou contemplá-
         de. A sua obra deveria constituir um ponto de encontro interdisciplinar para   la e admirá-la…
         alunos, docentes e investigadores  que queiram  cruzar a Matemática  e a
         Investigação Operacional (e outras  disciplinas) com a Contabilidade. Yuji   ‘Extracto do texto’
         Ijiri é uma figura de grande envergadura intelectual, cultural e ética.
                                                                “…..So, let us consider the following traditional accounting equations,
          ANEXO 1- OS CONCEITOS DE “OBJECTIVITY” E DE “RELIABILITY”
          SEGUNDO IJIRI E JAEDICKE                              A = L + C                  or               C = A - B                                    (1)
                                                                E + P = R                  or               P = R - E                                    (2)
                     Ijiri e Jaedicke definem a Objectividade como sendo,
                                                                where,

                                                                A: Assets                                     L: Liability                       C: Equity Capital
          onde,                                                 E: Expense                                  R: Revenue                    P: Profit
           = número de mensurações no grupo de referência
           = quantidade da i-ésima mensuração                   and,
           = média dos  em todos as mensurações no grupo de referência
                                                                (1) Balance Sheet Equation (Opening Balance)
                    Dito de outro modo: quando se escolhe entre duas técnicas de men-  (2) Income Statement Equation
         suração em Contabilidade que resultam em duas distribuições de mensura-
         ção, a técnica que produz a variância mais pequena é mais Objectiva. Este   Restating each variable as a time function with the elements of subac-
         conceito  pode  ser  visualizado  com  dois  gráficos  em  forma  de  sino  (duas   counts in parenthesis, we have,


         _____________________________________
         129  Neste  último  grupo  encontram-se  nomes  como  MacNeal,  Canning,  Sweeney,  Chambers,
         Baxter, Edwards and Bell, entre outros. Na RCF já se escreveu sobre muitos destes autores.
         130  Fraser, I.A.M. (1993), "Triple-entry bookkeeping: a critique." Accounting and Business
         Research, Vol. 23, No. 90, pp. 151–158.
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