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Anexo 4, apresentou) . Todavia, para se entender o conteúdo dos diagra- Todavia, Ijiri admite que não é uma tarefa fácil desenvolver a “momentum
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mas/gráficos importa previamente recordar alguns conceitos de Matemática accounting”, porquanto quer os gestores, quer os contabilistas, teriam que
e de Física, os quais reproduzimos no Anexo 3. ser sensibilizados e ter formação prévia para o efeito .
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De uma forma sucinta, o cerne da sua teoria, reside no facto de
que a contabilidade tradicional não reconhece a inércia das transacções
que ocorrem numa entidade e, ainda, que tal ocorre de forma repetida em
muitos casos, independentemente da implementação de novas acções
por parte dos gestores. Ijiri procurou reformular a visão da contabilidade
convencional/tradicional de que os factos, eventos ou fenómenos que
ocorrem no Património de uma Entidade têm apenas dois tipos de obser-
vações, designadamente, uma origem e uma aplicação.
Ijiri sublinha que a sua Estrutura Dinâmica de Contabilidade
Multidimensional não apresenta uma ruptura com o Modelo Tradicional
baseado na ‘partida dobrada’ (“double entry-accounting”). Corresponde
sim a uma expansão deste último 102 103 .
Para Ijiri as contas da Demonstração de Resultados (Rendimentos e
Gastos) explicam o que acontece às contas do Balanço - que exprimem a
Riqueza/Património (“Wealth”) -, num determinado período. Em consequên-
cia, “income figures as ‘explans’ and wealth as ‘explanandum’” .
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FONTE: ERIC MELSE, 2008. Todavia, importa explicar as alterações que ocorrem nas contas
de fluxos (nas “flow variables” ou nos Rendimentos e Gastos) na em-
presa/entidade durante o periodo. É neste contexto que Ijiri fala na
“temporal rate of change that permits measuring the rate at which income
is acquired at a given instant”. Designou esta taxa de “momentum rate”.
É aqui que a perspectiva de Ijiri difere da perspectiva da contabili-
dade convencional, especialmente quanto à forma de analisar a ocorrên-
cia dos factos e fenómenos contabilísticos. Para ele a maioria destes
factos e fenómenos ocorrem de uma forma contínua desde o seu início
ou começo (depreciações, juros, salários, etc), o que contradiz a caracte-
rização adoptada como regra pela contabilidade convencional. A contabi-
lidade convencional através da partida dobrada mostra as alterações no
Capital a partir de dados históricos sem levar em consideração uma pro-
jeção do futuro. Procede do seguinte modo:
ACTIVOS – PASSIVOS = CAPITAL
RIQUEZA = CAPITAL
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FONTE: ERIC MELSE, 2008. PRESENTE = PASSADO
Ijiri na sua investigação prosseguiu um programa já existente que Todavia, a estrutura das mensurações em contabilidade deve consi-
procurava ancorar a Contabilidade em bases matemáticas e económicas de derer uma terceira dimensão olhando mais para o futuro (“more forward-
um ponto de vista sistémico. Propôs gerir as mensurações em Contabilida-
de com três dimensões, nomeadamente: i) Força (“Force”); ii) Momento _____________________________________
(“Momentum”); e iii) Riqueza (“Wealth”). Para o efeito desenvolveu uma 101 Alguns dos críticos da “momentum accounting” colocam precisamente a sua atenção nos
Estrutura Dinâmica intitulada “Triple-Entry/Momentum Accounting” custos da sua implementação (ver, por exemplo, Frases, 1994).
102 Ijiri também pensa como o grande filósofo e escritor alemão Goethe que a Contabilidade
(“TEMA”), composta de três dimensões (ver Figura/Gráfico 1 acima). A
primeira dimensão relaciona-se com as “wealth accounts” que medem a com base na Partida Dobrada foi uma das grandes invenções do espírito humano, e, ainda,
como Sombart que a comparou com os sistemas desenvolvidos por Newton e Galileu no
magnitude e a composição das origens e aplicações do capital (são as âmbito da Física (ver Ijiri, Yuji in “Triple-Entry Bookkeeping and Income Momentum”, 1982,
contas do Balanço ou variáveis stock/inventário). A segunda dimensão Studies in Accounting Research, # 18, AAA.).
relaciona-se com as “momentum accounts” que medem as alterações da 103 Ijiri (1982), ob. cit., pp. 1-2, e a propósito da introdução de uma ‘terceira dimensão’ na
Riqueza (“Wealth”) ou o valor realizado (as contas associadas a esta di- Contabilidade, assinala que a “triple-entry accounting” é uma extensão da “double-entry
mensão fazem parte dos “momentum statements”, que incluem Demonstra- accounting”, mas que preserva esta última, ao mesmo tempo que respeita a integridade da
primeira. Escreveu: “What does it take if one is to show that double-entry bookkeeping is
ção de Resultados). A terceira dimensão relaciona-se com as “force ac- imperfect and indeed extensible into triple-entry bookkeeping? Two conditions must be satis-
counts” que medem a alteração da capacidade em adquirir nova Riqueza fied, ‘preservation’ of the old system and ‘integrity’ of the new system. First to call a system an
(“Wealth”) ou valor criado a ser realizado, e tal inclui várias forças, do negó- ‘extension’ of an original system, the extended system must ‘preserve’ everything that existed
cio ou económicas, internas e externas à entidade/empresa. As contas in the original system. For example, when the field of natural numbers was extended to the field
associadas a esta terceira dimensão fazem parte dos “force statements” of rational numbers, to the field of real numbers, and to the field of complex numbers, every
que incluem “impulse” e “action”. extend field preserved elements and operations defined in the original field. Otherwise, the new
system is not an extension of the old system. The ‘integrity’ of an extend system requires that
O que Ijiri tem em mente é contabilizar ou dar conta do ‘momento’ the new dimension added to the old system must be logically and uniquely derived from the old
existente ou criado pela gestão no período de relato, ou seja, entre o início dimensions and thus form a integral part of the dimensions of the new system”. A introdução da
e o fim do período (entre o Balanço Inicial e o Balanço Final). Os planos de ‘terceira dimensão’ na Contabilidade de modo a respeitar os conceitos de ‘preservation’ e de
incentivos da gestão/administração da entidade/empresa podiam assim, ‘integrity’ referidos, corresponde a um investigação por parte de Ijiri que lhe levou, segundo ele
segundo Ijiri, ser desenhados tendo por base acções desenvolvidas por próprio confessa, 20 anos a pensar como fazê-lo. É, de facto, a sua grande contribuição para a
aqueles decisores visando manter ou aumentar o Momento (“Momentum”). “Accounting Theory”.
104 Os conceitos de “explanans” e de “explanandum” são conceitos filosóficos utilizados na
_____________________________________ Filosofia da Ciência e na Teoria do Conhecimento, por exemplo, entre outros, por Hempel e
100 O artigo citado mais à frente de Rodrigo Barreiros Leal and Aracéli Cristina de Sousa Oppenheim. O “explanandum” refere-se ao fenómeno a ser explicado e o “explanans” refere-
Ferreira, díscipulos de Ijiri, apresenta diagramas muito semelhantes. se à explicação do próprio fenómeno.
105 ACTIVOS LÍQUIDOS (DOS PASSIVOS).

