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R AS DIFERENÇAS DE EXPECTATIVAS EM AUDITORIA
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I Mariana Pesquita, Mónica Pinhal e Nuno Oliveira
S Mestrandos em Auditoria no ISCAL
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Introdução Porter (1993), argumentou que a definição utilizada por
D A elaboração deste artigo visa abordar a temática das di- Liggio (1974) e pelo Relatório da Comissão Cohen era re-
E ferenças de expectativas em auditoria, habitualmente dutora ao não considerar a possibilidade de ocorrerem fa-
designada por expectation gap na literatura de referên- lhas no desempenho dos auditores.
C cia em língua inglesa, procurando enquadrar as estrutu- Por outro lado, Jennings et al. (1993) defendem que este
O ras conceptuais existentes, principais razões para a exis- conceito traduz as diferenças entre o que o público espera
N tência de tais diferenças bem como perspectivar os de uma auditoria e o próprio desempenho do auditor.
T desafios que se irão colocar à profissão e potenciais Guy e Sullivan (1988), Harris e Marxen (1997), Wolf et al.
A consequências daí resultantes. (1999) preconizam que este conceito reflecte as diferenças
B Em virtude do tipo de empresas e respectivas estruturas entre o que o público e os utilizadores da informação finan-
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L orgânicas existentes nas economias de mercado cada ceira crêem que são as responsabilidades dos auditores e
I vez mais exigentes, decorrente da separação verificada o que os auditores pensam ser as suas responsabilidades.
D entre os detentores e os gestores do capital, a fiscaliza- Porter (1993) e Boyd et al. (2001) argumentam que as di-
A ção do desempenho dos segundos, efectuada pelo au- ferenças de expectativas se referem ao que o público es-
D ditor/revisor, assume um papel muito relevante no con- pera do trabalho do auditor e à percepção que tem da
E forto a estes proporcionado e ao mercado. O resultado do realização desse trabalho.
trabalho dos auditores/revisores é habitualmente enten- Deste modo, apesar de não existir uma definição uni-
E dido e utilizado pelas entidades auditadas como uma versal e aceite por todos, é possível concluir que a dis-
avaliação da qualidade das demonstrações financeiras cussão assenta em torno daquilo que é o trabalho de-
F em diferentes dimensões, sendo posteriormente utili- senvolvido pelo auditor/revisor face ao que os utilizadores
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N zado pelos inúmeros stakeholders destas entidades e da informação financeira esperam que possam vir a ser
A tendo como propósito variados fins. as conclusões do seu trabalho – relatório, existindo vá-
N Os relatórios produzidos pelos auditores/revisores tra- rias razões para a diferença.
Ç duzem as conclusões do exame às demonstrações fi-
A nanceiras de uma entidade, através do qual aqueles se 2- A relevância da informação financeira
S pronunciam sobre a adequação das mesmas face às O desenvolvimento das economias de mercado nos paí-
transacções verificadas num determinado período. ses desenvolvidos, a quebra das fronteiras entre os paí-
N.º Dado o volume habitualmente considerável de transac- ses, a adesão à moeda única, o processo de harmoni-
100 ções e documentação produzida em cada período eco- zação contabilística, a progressiva e massificada
nómico, o auditor/revisor assenta as suas conclusões em utilização da internet levou a que a informação financeira
análises parciais das operações, normalmente estatísti- extravasasse o país de origem das empresas e pas-
cas, de forma a poder formar uma opinião conclusiva so- sasse a ser analisada por diferentes utilizadores, em di-
bre as mesmas. No entanto, a análise a uma parte e não versos pontos do globo, mostrando que o início deste mi-
ao todo, acarreta, necessariamente, limitações quanto às lénio transformou o mundo numa sociedade global e
conclusões a retirar e não está isenta de risco. ávida de informação para auxiliar ao processo de to-
28 As recentes notícias de falências de empresas até há mada de decisão.
pouco inabaláveis, do ponto de vista financeiro, relançam
o debate sobre as diferenças de expectativas quanto ao 2.1- Entidades utilizadoras da informação financeira
âmbito e natureza do trabalho do auditor/revisor e a in- Sendo certo que existem inúmeros utilizadores da infor-
formação que este deve divulgar. mação financeira, o International Accounting Standards
Assim, é legítimo questionar a segurança e confiança que Committee Foundation (IASCF) definiu um conjunto de
as conclusões obtidas pelo trabalho do auditor/revisor utilizadores, nomeadamente, investidores actuais e po-
conferem aos diversos utilizadores da informação finan- tenciais, trabalhadores, financiadores, fornecedores e
ceira, mormente pelo tipo e quantidade de informações outros credores, clientes, entidades governamentais e o
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que divulgam nos seus relatórios. público em geral.
a
Os investidores estão preocupados com a rentabilidade
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e 1- Definição do conceito de diferenças de expectati- e continuidade dos seus investimentos, particularmente
i vas em Auditoria por via da distribuição de dividendos, utilizando as de-
r Actualmente não existe uma definição unanimemente monstrações financeiras como base para a tomada de
o aceite do significado de diferenças de expectativas sobre decisão sobre a continuidade do investimento.
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/ o trabalho dos auditores . Diversos investigadores e or- Por outro lado, os trabalhadores estão preocupados com
M ganismos relacionados com a auditoria têm entretanto a continuidade do negócio, procurando avaliar se as de-
a produzido algumas definições. Por exemplo, Liggio monstrações financeiras conferem segurança e pers-
r (1974) definiu este conceito como as diferenças entre o pectivas de manutenção e eventual melhoria das condi-
ç nível de desempenho idealizado pelos auditores e pelos ções dos postos de trabalho.
o utilizadores da informação financeira. Os financiadores, fornecedores e outros credores pro-
Uns anos mais tarde, aquando da publicação do relatório curam nas demonstrações financeiras segurança de que
2 da Comissão Cohen em 1978 , a definição foi estendida os montantes que lhes são devidos serão atempada-
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0 para considerar que uma diferença de expectativas pode mente liquidados.
1 existir entre aquilo que o público espera ou precisa e Os clientes analisam as demonstrações financeiras com
0 aquilo que os auditores/revisores podem e devem atingir. o objectivo de avaliar se a viabilidade da empresa está

