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CRISE ECONÓMICA INTERNACIONAL E R
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VULNERABILIDADES DAS PME PORTUGUESAS V
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António Castro, Bruno Anjos, Sandra Esteves e Teresa Magalhães T
Mestrandos em Auditoria no ISCAL A
1. Introdução estes créditos, que dispersaram, juntamente com títulos D
A nível mundial, e designadamente no âmbito da feno- sobre outros activos e que transaccionaram com outras E
menologia macroeconómica, os últimos anos têm sido vi- instituições financeiras, um pouco por todo o mundo.
vidos num clima de turbulência e desconfiança, num Houve uma maior procura no mercado imobiliário, indu- C
contexto de deflagração e robustecimento da inicialmente zida quer pela referida baixa das taxas de juro, quer pela O
chamada CRISE FINANCEIRA, cuja identificação de facilidade de obtenção de crédito, o que terá levado a um N
causas não é consensual, embora seja reconhecido que crescimento da inflação. T
o seu “ponto de ebulição” está associado ao desmoro- Para a combater, em 2005 houve uma inversão da ten- A
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namento da concessão de crédito hipotecário de alto dência da prática das taxas de juro, verificando-se uma
risco nos Estados Unidos da América (EUA). A partir da- subida. Naturalmente, o resultado imediato foi o aumento I
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quele momento, o contágio foi amplo e crescente. Na ver- das prestações dos empréstimos, levando, mais tarde, a I
dade, não decorreram muitos meses até que àquela uma diminuição da procura no sector imobiliário. As fa-
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crise financeira, repercutida um pouco por todo o mundo, mílias que tinham contraído créditos hipotecários de ele- A
afluísse um mal-estar económico e social de caracterís- vado risco de incumprimento (subprime) começaram a D
ticas igualmente globais e imprevisíveis, quanto à sua ex- não cumprir com as suas obrigações perante os bancos; E
tensão e profundidade, havendo, só agora, sinais de os títulos sobre esses créditos perderam rapidamente va-
uma possível melhoria dessa situação, como parece in- lor, deixando de ser negociáveis. Todo o mercado finan- E
dicar o anúncio de fim da recessão, a partir do terceiro tri- ceiro repercutiu, de imediato, esta escalada de descon-
mestre de 2009, pela Comissão Europeia. fiança na valorização dos seus produtos, daí resultando F
Considerando que cerca de 99,9% das empresas em uma real crise de liquidez, que impeliu os reguladores I
Portugal são micro, pequenas ou médias (PME), proce- (Reserva Federal Americana e Banco Central Europeu, N
demos ao estudo destas entidades, de modo a avaliar as sobretudo) a injecções concertadas de avultadas tran- A
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suas características mais comuns e as suas principais ches de capital, a par da sistemática redução das taxas
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vulnerabilidades. de juro que tutelam. A
Tentámos, por um lado, “isolar” as causas que estão na S
origem daquela crise económica internacional e, por ou- 2.2 Consequências globais
tro, conhecer os seus efeitos na economia mundial; por Este efeito dominó não atingiu apenas os bancos e ins- N.º
sua vez, e tendo em conta as dificuldades específicas da tituições financeiras que directamente trabalhavam com 100
economia portuguesa, procurámos enquadrar as PME subprime, mas o mercado financeiro internacional como
portuguesas face à crise económica actual, apontando um todo. Uma das características singulares desta crise
medidas que poderão ser implementadas com o intuito financeira é o facto de não ter tido origem num factor ex-
de minimizar danos, promover a recuperação e comba- terno (como um choque petrolífero, por exemplo), mas
ter factores de risco. emergido internamente, pela falência do próprio sector fi-
nanceiro norte-americano.
2. Da crise financeira à crise económica internacional Tendo em conta este facto, são colocados em causa
2.1 Génese desde logo as autoridades centrais de regulação, os ges- 33
A crise financeira internacional, ou crise do subprime tores das instituições financeiras e até os próprios orga-
como ficou conhecida, evidenciou-se inicialmente pelo nismos governamentais cujas incumbências não parecem
crash registado nos mercados de capitais, tendo tido a ter surtido o necessário efeito de moderação e estabili-
sua origem no mercado norte-americano e instantanea- zação. De facto, não só os reguladores (que não tiveram
mente ”contagiado” a Europa e os mercados asiáticos. a capacidade de prever a insustentável inflação dos acti-
O debate a que temos assistido na procura das respec- vos), mas também os gestores (pela prática de políticas
tivas origens, bem como no sentido de antever as reper- de gestão, quer financeira, quer do risco, agressivas e in-
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cussões expectáveis, quer nos mercados de capitais, suportáveis, crendo na capacidade de auto-regulação
agora mais estabilizados, quer na denominada economia dos mercados), os especuladores (pela assunção cega de a
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real, isto é, a expressão prática dos comportamentos risco excessivo, endividando-se para além das suas ca-
com incidência directa na vida quotidiana, tem levan- pacidades razoáveis), os bancos centrais (por terem pos- e
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tado muitas questões, mais do que respostas persuasi- sibilitado e mantido taxas de juro muito baixas, por um pe-
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vas e esclarecedoras. Todavia, parece ser de aceitação ríodo de tempo bastante dilatado, sendo conhecido o
generalizada o facto de, em 2001, o Presidente da Re- resultado pernicioso que originaram, considerando a falta o
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serva Federal Americana, Alan Greenspan, ter adoptado de base de sustentação dos activos transaccionados) e M
políticas de taxas de juro mais baixas, levando a banca ainda as próprias famílias (por “ambição desmedida” e/ou
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a iniciar a expansão do crédito hipotecário e estimulando desconhecimento das consequências) alimentaram o fa-
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o consumo no mercado imobiliário. cilitismo de uma ilusória construção financeira. ç
Com o alargamento da concessão de crédito a clientes As consequências foram a falência de várias instituições
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com maior exposição ao risco de incumprimento, em de crédito e a instalação de uma crise económica que le-
função dos mais modestos rendimentos, face aos en- vou a outras tantas falências na designada economia
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cargos financeiros assumidos, sobressaem os chamados real, com especial repercussão nos mercados financeiro
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créditos subprime. Os bancos, por seu lado, para ga- e imobiliário, mas atingindo de forma indiferenciada todos 1
rantirem o valor das hipotecas, emitiram títulos sobre os sectores de actividade numa escala global, incluindo
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