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R       factores comerciais conexos que unem e tornam os mer-  e com vocação natural para encarar os seus mercados
       E       cados interdependentes.                           potenciais muito para além das fronteiras do país. A ex-
       V       Considerando ultrapassada a onda de crispação regis-  pectativa que se coloca nesta nova concepção e abor-
        I      tada em 2008 e 2009, não se espera, todavia, que em  dagem de gestão alimenta a esperança da revitalização
        S      2010 seja notória a recuperação económica e social, até  das PME, quer no seio da economia nacional, quer con-
       T       porque as medidas adoptadas pelos bancos centrais e  siderando o domínio europeu, onde, naturalmente os pa-
       A
               Estados não foram suficientes para estancar, designa-  drões de concorrência, mas também o mercado, assu-
               damente, a subida das taxas de desemprego.        mem uma dimensão perfeitamente diversa da nacional.
       D
       E                                                         Entretanto, e porque os casos enunciados ainda são ex-
               2.3 O caso português                              cepção, poder-se-á discorrer que as consequências ad-
       C       Os défices estruturais de competitividade, alicerçados  venientes da presente situação de abrandamento eco-
       O       numa reduzida produtividade, nomeadamente por via da  nómico são significativamente mais prejudiciais quando o
       N       baixa formação da população activa, em paralelo com  país depende do exterior, as empresas dependem da
       T       uma globalização agressiva, crescentemente dinâmica e  banca (impõe-se uma resolução diária de problemas de
       A       complexa, têm vindo a dificultar fortemente o desempenho  tesouraria) e há uma continuada atitude de aversão ao
       B       da economia nacional. Na verdade, se o modelo econó-  risco por parte dos empresários.
        I      mico português, tipicamente baseado nas indústrias tra-  Importa então enquadrar as PME, considerar as suas ca-
       L       dicionais de calçado, têxteis ou cerâmica assentes em re-  racterísticas e reflectir sobre o impacto expectável que so-
        I
       D       gimes de mão-de-obra intensiva, se encontra esgotado, a  frerão com a passagem desta crise.
       A       sua “substituição” pela criação de clusters tecnológicos,  Desde o segundo trimestre de 2008, tem sido visível o
       D       mais vocacionados para a especialização profissional,  abrandamento expressivo e disseminado da actividade
       E       não tem sido suficiente para compensar falências, deslo-  nas economias industrializadas, o mesmo sucedendo
               calizações e o desemprego crescente, que pode também  nos designados mercados emergentes, que têm funcio-
       E       justificar-se pelo lógico desfasamento temporal entre o  nado como importantes impulsionadores do crescimento
               comportamento dos ciclos económicos e as inerentes  económico global, razão por que se esperava daquelas
        F      consequências ao nível do mercado de trabalho.    uma intervenção eventualmente mais activa nesta crise.
        I      O crescimento de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em  Contudo, a diminuição da procura também nestes mer-
       N       2008, que representara já relevante desaceleração face  cados, associada às limitações impostas aos critérios de
       A       aos 1,9% de 2007, deteriorou-se ainda mais em 2009,  política económica de curto prazo, sugere um cenário de
       N       não sendo expectável que, no corrente ano, as medidas  crescimento lento da actividade nos próximos tempos.
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       A       colocadas em prática surtirão efeitos significativos.  Sendo certo que o comportamento das PME é determi-
        S      Em Portugal, as pequenas e médias empresas (PME) re-  nante na definição do ambiente económico e social de um
               presentam 99,92% do tecido empresarial e, destas,  país, em Portugal esta questão assume maior relevo, de-
       N.º     95,41% são micro empresas. Segundo um estudo do   corrente da dimensão média das empresas e do seu grau
       100     Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAP-  de adaptabilidade se situarem abaixo da média europeia.
               MEI), de Fevereiro de 2008, elas foram responsáveis por  Outra causa de fragilização das nossas PME decorre, ne-
               mais de dois terços do total do emprego privado e mais  cessariamente, dos efeitos sofridos pelo sistema finan-
               de metade do volume de negócios total.            ceiro nacional que, indirectamente, afectaram as mais de-
               De uma forma geral, caracterizam-se por ser pequenas uni-  pendentes de crédito bancário. Neste contexto, a
               dades com gestão geracional familiar, aversão ao investi-  materialização da crise de confiança associada à instabi-
               mento e ao risco e forte dependência de financiamento da  lidade nos mercados interbancários expressa-se na expo-
     34        banca, caracterização esta que é manifestamente indicia-  sição ao risco de contraparte; nos modelos actuais de
               dora de maior vulnerabilidade a situações como a que ora
                                                                 avaliação de risco do negócio; na dificuldade de aceder a
               abordamos de crise económica e financeira.
                                                                 perada da actividade. Restaurar o capital de confiança no
               No que concerne ao seu enquadramento, importa consi-  liquidez nos mercados internacionais; e na evolução es-
               derar as iniciativas que se têm evidenciado, materiali-  sistema financeiro tem constituído um dos maiores desa-
               zando a preocupação política e reconhecendo a sua im-  fios da indústria financeira e da eficácia das medidas de po-
               portância na dinamização do emprego e da produtividade.  lítica económico-financeira adoptadas pelo Governo.
               É disso exemplo a Carta Europeia das Pequenas Em-  As iniciativas de suficiência questionável que têm sido to-
               presas, assinada pelos Chefes de Estado e de governo  madas no sentido da reposição da estabilização do fun-
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               da União Europeia (UE) na sequência do Conselho Eu-  cionamento dos mercados, quer pelo próprio sector ban-
        a
               ropeu extraordinário de Santa Maria da Feira, ocorrido em  cário através da cedência de fundos ao mercado,
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               2000. O compromisso político de apoio ao sector em do-  aumentando montantes, facilitando o acesso, prolon-
        e
               mínios prioritários foi um passo importante no reconheci-  gando os prazos, quer pelas autoridades supervisoras,
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               mento da sua relevância.                          através de maior exigência e rigor de informação, têm re-
        r      Presentemente, a coexistência das PME “tradicionais” e  velado incapacidade em dirimir, por esta via, as dificul-
        o      de outras “franchisadas” de marcas internacionais tem  dades e constrangimentos.
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       M       vindo a alterar o paradigma que surge da evolução natu-  Destacamos, no entanto, os seguintes factos da econo-
        a      ral e da globalização da sociedade da informação que,  mia nacional que têm permitido atenuar os efeitos desta
        r      com cada vez maior premência, coloca em confronto pa-  turbulência:
        ç      drões marcadamente conservadores de gestão e cultura  • ausência de práticas, no mercado de crédito à habita-
        o      empresariais, com novos conceitos de gestão tecnoló-  ção, semelhantes às que estiveram subjacentes ao
               gica, inovação e empreendedorismo, que marcadamente  modelo do subprime norte-americano;
        2      qualificam a nova vaga de empresários, provenientes de  • crescimento económico fraco mas relativamente di-
        0      iniciativas de investigação e desenvolvimento (I&D) aca-  versificado do ponto de vista sectorial, minorando o
        1      démico, ou da exploração de nichos cirúrgicos de opor-  risco de uma dependência excessiva de um desem-
        0      tunidade, assentes igualmente em inovação tecnológica  penho sectorial específico;
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