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comprometida, tanto mais quando são dependentes dos  pois o sistema de trabalho e responsabilidades foram pre-  R
         serviços/produtos da empresa.                     viamente definidos na carta/contrato de compromisso.  E
         O governo e as agências governamentais, no exercício das  É de realçar que esta carta/contrato entre o auditor e o  V
         suas funções, utilizam as demonstrações financeiras para  cliente não evita/diminui as diferenças de expectativas  I
                                                                                                                S
         avaliar a política de tributação fiscal, a alocação de recur-  entre a opinião emitida pelo auditor no relatório final e o en-
         sos e para melhorar a actividade de regulação do mercado.  tendimento que do mesmo é percepcionado pela socie-  T
         O público em geral utiliza as demonstrações financeiras  dade/público utilizador dessa informação, pois a carta/con-  A
         para avaliar o contributo de cada entidade para a eco-  trato permanece no seio da relação entre o auditor e o  D
         nomia, através da análise dos seus clientes, fornecedo-  cliente e não é normalmente do conhecimento do público.  E
         res, volume de facturação, número de empregados, etc.
         Adicionalmente, podemos também identificar os gesto-  3-Perspectivas e estrutura conceptual das diferenças  C
         res/administradores das empresas como um dos grupos  de expectativas                                   O
         de utentes interessados no resultado do trabalho dos au-  Se por um lado as diferenças de expectativas derivam da  N
         ditores/revisores, pois são habitualmente os destinatários  incerteza associada ao objectivo, natureza e conclusões  T
         e interlocutores primários da auditoria/revisão.   da auditoria, alguns autores têm conseguido evidenciar  A
         Os gestores/administradores das empresas têm no rela-  que nem sempre as diferenças são motivadas por ex-  B
         tório dos auditores/revisores um instrumento que com-  pectativas desajustadas do público.              I
                                                                                                                L
         prova ou não, a adequação dos registos contabilísticos                                                  I
         ao longo do período em análise e através dos quais é  3.1-Perspectivas das diferenças de expectativas
                                                                                                                D
         comprovado o estado financeiro da organização, nas  Ao longo dos anos, têm sido enumeradas diversas cau-  A
         suas várias dimensões.                            sas para a existência de diferenças de expectativas.  D
         Os gestores/administradores podem, em algumas situa-  Tricker (1982) defende que a diferença existe em resultado  E
         ções, discordar das opiniões dos auditores/revisores, na  da evolução que tem sido exigida aos auditores/revisores
         medida em que estas opiniões podem não ser concordan-  ao longo dos anos como resposta a uma sociedade cons-  E
         tes com a sua expectativa inicial. Caso o auditor/revisor te-  tantemente em mudança e às expectativas do público.
         nha sido sujeito a limitações no âmbito do seu trabalho, por  Lin e Chen (2004) defendem que as diferenças decorrem  F
         via da não disponibilização de toda a documentação rele-  da incapacidade da auditoria se adaptar às exigências  I
         vante que clarifique eventuais diferenças identificadas ou  que lhe têm vindo a ser colocadas.         N
         por via da discordância quanto aos princípios contabilísti-  Humphrey et al. (1992) argumentam que as diferenças re-  A
         cos utilizados, o seu relatório poderá conter reservas ou ên-  sultam das contradições do regime auto-regulatório da  N
                                                                                                                Ç
         fases, o que irá influenciar negativamente a opinião dos res-  profissão de auditoria, na qual existe pouca intervenção  A
         tantes utilizadores da informação financeira quanto ao  governamental. Os mesmos autores afirmam (p.137-161)
                                                                                                                S
         desempenho dos órgãos de gestão.                  que as causas para a existência desse problema são mui-
                                                           tas e variadas, enumerando os seguintes aspectos aos  N.º
         2.2-A importância da ISA 210                      quais podem ser atribuídas as diferenças de expectativas:  100
                                                             - A própria natureza da auditoria;
         A ISA 200 “Objectivos Globais do Auditor Independente
                                                             - A ignorância e expectativas pouco razoáveis da so-
         e a Realização de uma Auditoria de Acordo com as Nor-
         mas Internacionais de Auditoria” refere que o objectivo da  ciedade;
                                                             - As crises das empresas, que originam o surgimento
         auditoria de demonstrações financeiras é o de habilitar o
         auditor a expressar uma opinião sobre se as demons-  de novas expectativas. (Almeida: 2004)
                                                           De acordo com estes autores, o conflito surge quando se
         trações financeiras estão ou não preparadas, em todos
                                                           trata de comunicar os resultados de uma auditoria a um
         os aspectos materialmente relevantes, de acordo com
         uma estrutura conceptual de relato financeiro identifi-  lote alargado de utilizadores de informação com neces-  29
                                                           sidades variadas.
         cada, ou seja, “se dão uma imagem verdadeira e apro-
         priada” das operações ou “apresentam razoavelmente,  É certo que as mudanças nas necessidades dos utiliza-
                                                           dores, no ambiente e contexto em que as empresas de-
         em todos os aspectos materialmente relevantes”, que são
                                                           senvolvem a sua actividade e a própria evolução da pro-
         expressões equivalentes.
         A opinião expressa visa dar credibilidade, significado e re-  fissão conduziram a algumas diferenças. No entanto, é
                                                           inequívoco que a causa das diferenças reside nos seus
         levância às demonstrações financeiras, com a ressalva
         das eventuais reservas ou ênfases aí mencionadas.  actores principais, que são os auditores/revisores e os uti-  J
                                                           lizadores da informação.
         No entanto, as normas prevêem que entre o auditor/re-
                                                           Por um lado, é legítimo referir que os auditores falharam  a
         visor e o auditado, sejam formalmente acordados o âm-                                                  n
         bito e a natureza do trabalho, de forma a clarificar a in-  na capacidade de lidar e reagir aos novos assuntos de-  e
                                                           correntes das mudanças do ambiente em que as em-
         tervenção do auditor/revisor e a prevenir eventuais                                                     i
         diferenças de expectativas quanto ao trabalho a realizar.  presas operam. Por outro lado, mantém-se um desco-  r
                                                           nhecimento do trabalho que é desenvolvido pelo auditor
         Para diminuir as diferenças de expectativas, o auditor e                                               o
                                                           por parte dos utilizadores da informação financeira.
         o cliente devem acordar por escrito sobre os termos do                                                 /
         trabalho a desenvolver, conforme previsto na ISA 210                                                   M
         “Acordar os Termos dos Trabalhos de Auditoria”, de-  3.2-Estrutura conceptual das diferenças de expectativas  a
         vendo a carta/contrato ser enviada pelo auditor e assi-  A literatura existente mostra-nos que as diferenças de ex-  r
                            3
         nada pelo cliente antes do início do trabalho de campo.  pectativas em auditoria são compostas por várias com-  ç
         Deve ser reduzido a escrito tudo o que for acordado de ma-  ponentes.                                  o
         neira clara para evitar diferenças de expectativas no final  O Canadian Institute of Chartered Accountants (CICA,
         do trabalho de auditoria, aquando da emissão do relatório.  1988) identificou três componentes principais que moti-  2
         Se no âmbito desta carta/contrato estiverem claramente de-  vavam a diferença de expectativas, nomeadamente:   0
         finidos os termos do contrato e eventuais restrições, o  (1) Expectativas desajustadas dos utilizadores da in-  1
         risco de ocorrerem eventuais divergências será mínimo,  formação;                                      0
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