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R             A ESCOLA DE COMÉRCIO DE LISBOA (1844-1869).
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       V
        I               CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DO ENSINO DA
        S
       T                            CONTABILIDADE EM PORTUGAL
       A
                                                                                                    Miguel Gonçalves
       D                                                                                            ISCA de COIMBRA
       E                                                     Doutorando em Contabilidade (Universidade do Minho/Universidade de Aveiro)
                                                                        Mestre em Contabilidade e Auditoria (Universidade de Aveiro)
       C                                                                    Pós-Graduado em Economia (Universidade de Coimbra)
       O                                                      Licenciado em Organização e Gestão de Empresas (Universidade de Coimbra)
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       T
       A       RESUMO                                            de fundo o início da segunda metade de setecentos, as (2)
       B                                                         escolhas individuais dos investigadores também para isso
        I      Enquadrado no estudo da história das instituições de en-  decerto concorreram. De facto, como reconhece Hernán-
       L       sino de Contabilidade em Portugal, o artigo tem por objec-  dez Esteve (2008: p. 193), em posicionamento que subs-
        I      tivo  referenciar  o  quarto  de  século  (1844-1869)  da  crevemos, “as preferências pessoais dos autores pelas
       D       sucessora da Aula de Comércio – a Escola de Comércio de  épocas que melhor conhecem em termos contextuais mo-
       A
       D       Lisboa. Integrada no Liceu Nacional de Lisboa, após a ex-  tivam muitas das investigações em história da Contabili-
       E       tinção da Aula de Comércio, em 1844, a Escola de Co-  dade”.
               mércio  assistiu  à  perda  de  prestígio  social  da
       E       Contabilidade, também para isso contribuindo a ausência  Conjugando estas duas causas, a (1) envolvente pombalina
               de garantias dadas aos diplomados de Comércio.    e as (2) preferências pessoais de quem investiga, encon-
        F                                                        tramos os fundamentos para que o século XIX se apresente
        I      Palavras-chave: História da Contabilidade; Lisboa; Escola  em termos relativos bem menos estudado do que o século
       N
       A       de Comércio; Século XIX; Ensino da Contabilidade.  XVIII. Converge também para este entendimento o estudo
       N                                                         de Faria (2004: p. 353), no qual a autora, referindo-se im-
       Ç                                                         plicitamente ao século XIX, recolhe evidência empírica “que
       A                                                         indica existirem áreas [de estudo] e períodos ainda inex-
        S      1. DAS OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS                  plorados na história da Contabilidade portuguesa”.

       N.º     O período correspondente ao primeiro lustro da governação  O raciocínio anterior serve-nos de pretexto para a introdu-
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               de Sebastião José de Carvalho e Melo como Primeiro-Mi-  ção da área de estudo e do período de análise que aqui se
               nistro de Portugal (1756-1761) ficou marcado pela existên-  pretendem tratar, respectivamente o ensino e a segunda
               cia de uma série de acontecimentos que permitiram um  metade do século XIX. Dentro deste âmbito, as matérias li-
               grande desenvolvimento da Contabilidade. Sobre este as-  gadas ao ensino da Contabilidade na segunda metade do
               sunto colhem-se cronologicamente diversos exemplos con-  século XIX constituem um aspecto negligenciado pela lite-
               cretos,  a  saber:  a  criação  da  Companhia  Geral  do  ratura.
               Grão–Pará e Maranhão, em 1755; a formação da Compa-
      12       nhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em  Neste sentido, o presente trabalho representa um subsídio
               1756; o restabelecimento da Junta de Comércio, em 1756;
                                                                 para a temática do conhecimento contabilístico num am-
               a nacionalização da Real Fábrica das Sedas, em 1757; a  biente pós-Aula de Comércio de Lisboa (>1844) e pretende
               publicação, por João Baptista Bonavie, do primeiro livro de  ser uma resposta, em parte, à chamada feita por Pereira
               Contabilidade em português, em 1758; a instituição da  (2009: p. 4), para que se atenuem “as lacunas na produção
               Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, em 1759; a  de estudos sobre a problemática do ensino comercial e do
               fundação da Aula de Comércio de Lisboa, também em  ensino da Contabilidade em Portugal para o período oito-
               1759; e, nas finanças públicas, a introdução da Contabili-  centista”.
        J      dade por partidas dobradas nas quatro contadorias-gerais
        u
        l      do Erário Régio, em 1761.                         Em concreto, o objectivo do trabalho centra-se em torno da
        h                                                        descrição dos principais aspectos do quarto de século de
        o      É neste contexto que deve ser entendida a ênfase dada  vida da herdeira da Aula de Comércio – a Escola de Co-
               pela literatura ao papel desempenhado pelo Marquês de  mércio, criada em 1844 e extinta em 1869.
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               Pombal como agente de transferência e difusão da Conta-
        S      bilidade por partidas dobradas. Na oportunidade, assinale-  O tópico de pesquisa que aqui abordamos revela-se im-
        e      -se que os trabalhos da Escola do Minho são, porventura,  portante por duas ordens de razões. Primeiro, porque exis-
        t      aqueles que mais crucialmente contribuíram para os ter-  tem  poucos  estudos  em  Portugal  sobre  o  ensino  da
        e
       m       mos da asserção anterior (cf., por exemplo, Rodrigues e  Contabilidade em contexto de Liberalismo oitocentista e,
        b      Gomes, 2002; Rodrigues e Craig, 2004; Rodrigues et al.,  depois, porque é útil para a academia a diversificação da li-
        r      2007, 2009; e, por todos, Gomes, 2007).           teratura em história do ensino português de Contabilidade,
        o
                                                                 posto que existe uma preponderância muito acentuada dos
               Todavia, se a (1) envolvente pombalina foi determinante  autores nacionais (e mesmo internacionais) para se de-
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        0      para que a maioria das investigações em história da Con-  bruçarem sobre a Aula de Comércio lisboeta (1759-1844).
        1      tabilidade portuguesa se desenvolvesse tendo como pano
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