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com a Contabilidade. Entre 1980 e 1990, ficou fascinado pela the qualities of individual system components” . A realidade
investigação arqueológica de Denise Schmandt-Besserat re- social (“social reality”), que é central na Contabilidade, deve R
lacionada com a escrita, a contagem e a guarda de registos ser entendida no contexto de “emergent properties” que con- E
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pré-históricos, nomeadamente de carácter comercial (“token duzem a uma hierarquia de “empirical entities”. Mattessich V
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accounting”). Escreveu uma série de artigos interpretando, de afirma que negligenciar o conteúdo empírico da realidade S
um ponto de vista contabilístico, aquelas descobertas e sobre social entra em contradição com a premissa básica do que T
“ancient accounting”. A maior parte deste trabalho de inves- é uma ciência social. Reduziria a Contabilidade a um mero
tigação encontra-se publicada no seu livro “The Beginnings formalismo, negando-lhe o estatuto de uma ciência aplicada. A
D
of Accounting and Accounting Thought” (2000). Em 2000, Mattessich, neste campo, discordou dos argumentos avança-
publicou ainda “Accounting Thought in India”. Em 2008, dos por L. C. Heath (1987) e por R. R. Sterling (1988, 1989), E
C
publicou “Two-hundred Years of Accounting Research: An que afirmavam que a Contabilidade não representava fenóme- O
International Survey of Personalities, Ideas and Publications nos reais. A perspectiva positivista de Sterling e a perspectiva N
from 1800 to 2000”, que é um livro abrangente, parcialmente de realismo externo de Heath diferem fortemente do posicio- T
baseado em trabalhos anteriores desenvolvidos por ele sobre namento filosófico de Mattessich, que foi influenciado pela A
história da Contabilidade, ocasionalmente em co-autoria, co- literatura alemã sobre esta matéria (pouco acessível ou culti- B
I
brindo a investigação em Contabilidade em vinte países, com vada pelo “mainstream” nos EUA). Heath argumentou contra L
grande detalhe, e em mais doze países, com menor detalhe. A a tendência de reificar os conceitos contabilísticos, como, por I
“token accounting” remonta a cerca de 10.000 anos antes de exemplo, o conceito de resultado (“income”). Para Heath o D
Cristo, havendo cada vez mais informação descoberta dispo- resultado deriva de um modelo conceptual quando se mensura A
nível a partir de 3.200 anos antes de Cristo. Mattessich revela certas propriedades dos activos e dos passivos de uma enti- D
que o “input-output principle” na Contabilidade é anterior e dade e se trabalha estes dados . Mattessich discorda desta ar- E
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mais fundamental que a ‘partida dobrada’ na Contabilidade. gumentação. Porém, aceita que é necessário distinguir entre o E
Ou seja: A Contabilidade não se encontra fundada na técnica real e o conceptual. Mattessich considera que Heath falha não F
da partida dobrada, mas sim numa “input-output structure” na diferenciação entre o real e o conceptual, mas sim entre a I
através da qual a manifestação dos eventos económicos é con- realidade social e a realidade física. Estas são questões que N
ceptualmente representada por transacções contabilísticas. E Mattessich tinha tratado anteriormente quando escreveu “Ins- A
N
chegou a esta conclusão devido à sua investigação anterior so- trumental Reasoning and Systems Methodology” (1978a). Ç
bre a axiomatização da Contabilidade e sobre matrizes. Para A
esta investigação teve que esclarecer as relações entre conta- Neste contexto, Mattessich revisita uma outra questão que S
gem (“counting”), Contabilidade (“accounting”) e o princí- já tinha abordado, ou seja, a questão da classificação dual
pio de entrada-saída (“input-output principle”). Tudo indica em Contabilidade (“dual-classification accounting”). Antes N.º
que antes de 3.200 antes de Cristo “tokens did not represent já tinha mostrado que a classificação dual (“dual classifica- 114
numerals ” Em consequência, “accounting predates abstract tion”) não exige a denominada e conhecida “partida dobrada”
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counting”. (“double-entry bookkeeping”) . No artigo “Social Reality
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and the Measurement of Its Phenomena” (1991b), apresenta
As questões da representação em Contabilidade colocam de uma perspectiva adicional não tratada pelos teóricos da Con-
imediato a questão acerca do que se deve entender e significar tabilidade. Afirma que a “double-classification accounting”
por realidade. Aqui Mattessich explorou um outro território integra três relações separadas, cada uma das quais com duas
que outros investigadores da Contabilidade dedicaram pouca dimensões, nomeadamente: i) A transferência física de bens 9
atenção, tendo-o empurrado para a filosofia da ciência. e serviços que evidencia o sistema input-ouput e a realidade
física; ii) a reivindicação de dívida (realidade social) que co-
As Questões de Representação da Realidade em Contabi- necta o devedor e o credor em termos de uma relação legal e
lidade (“Representational Issues”)
financeira; e iii) a relação legal entre a pessoa e um objecto
(realidade social) através da qual uma reivindicação de pro-
Sobretudo a partir de 1980, Mattessich aprofundou a sua in-
vestigação em Contabilidade fortemente influenciado pela Fi- priedade conecta o activo a um proprietário (dono). Mattes-
losofia da Ciência com base em Butterworth and Falk (1986), sich evidenciou que, desde há milhares de anos, se verifica a
que descreveram a Contabilidade em termos Kuhnianos realidade social por detrás das reivindicações de dívida (“debt j
(“Kuhn paradigms” ). Porém, Mattessich vai mais longe e claims”) e de propriedade (“ownnership”). Se se aceita a no- u
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assimila os trabalhos de Lakatos, Sneed, Stegmuller, Balzer ção de uma “ownership claim” como real, então é-se obrigado h l
e Bunge, todos grandes pensadores da metodologia científica a aceitar a realidade do resultado (“of income”). O rendimento o
ou da filosofia da ciência. ou resultado não é mais do que uma alteração na “property
claim”. É real, na medida em que é uma construção social /
Na sua análise das “representational issues” mantém uma (“social construct”) com impacto real (“real effects”). No en- s
abordagem sistémica (holística), que foi uma característica tender de Mattessich, não se pode confundir o objecto social e
dos seus trabalhos anteriores. Inspira-se em Kenneth B. Boul- (“the ownership claim”) com a realidade física que lhe está e t
ding e no seu sistema sócio-ecológico e em W. Churchman subjacente (“the asset or physical manifestation”). Acresce m
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que era um colega em Berkeley e em M. Bunge. Mattessich que a necessidade de estabelecer o rendimento/resultado em b
mostra a inter-relação entre a Contabilidade e todos as áreas termos monetários ou outras formas de valorização implica r o
da Economia que se baseiam no conceito de fluxo (“flow con- num problema adicional, nomeadamente, a tendência para se
cept”) no seu sistema de pensamento. Afirma que é preciso utilizar a mesma designação aos níveis conceptual, linguístico 2
clarificar a diferença entre a realidade última e as realida- e da realidade, o que provoca muitas confusões na Contabili- 0
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des de ordem superior que envolvem a primeira. O conceito dade. A análise de Mattessich tenta mostrar que os conceitos 3
chave que discute em “Instrumental Reasoning and Systems contabilísticos – tais como “shareholders’ equity and income”
Methodology” (1978a), é o de “emergent properties” ou – não são conceitos vazios do ponto de vista empírico. Pelo
“those characteristics of a particular system that go beyond contrário, representam uma realidade social verificável. Toda-

