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via, isto, por si só, não resolveu a disputa com Sterling (1988)   da imperfeição dos métodos de estimação e de mensuração,
        R      que advogava que os valores contabilísticos não mensuravam   que são, de facto, imperfeitos, na determinação do valor. A
        E      fenómenos  reais.  Em  consequência,  Mattessich  aprofundou   questão da determinação do valor é uma questão chave para
        V      as  questões  de  mensuração  em  Contabilidade,  muito  para   a Contabilidade, entendida como uma disciplina normativa,
         I
        S      além da questão de saber se existe uma realidade social e uma   que continua a suscitar muito debate, particularmente face ao
        T      realidade física subjacente ao “ownership” e ao ”income” e   enorme volume de investigação em “PAT”.
               aos correspondentes activos associados. Mattessich enfatiza a
               necessidade de clarificar as noções de medida e de mensura-  Mattessich na sua investigação inicial sobre as questões fun-
        A
        D
               ção dentro das ciências sociais. Discorda de Sterling (1988)   dacionais na Contabilidade teve como objectivo a criação de
               quando este afirma que “there are no phenomena which cor-  um ”general framework” e não tanto “specific applications”
        E
        C                                                          (com excepção do “framework” que criou para fazer “budge-
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        O      respond  to  most  numerals   on  financial  statements”.  En-
        N      quanto a questão da realidade foi examinada acima em termos   ting and simulation” que conduziu à folha de cálculo (“spre-
        T      de realidade física e de realidade social importa considerar   adsheet”). Porém, advogou uma interpretação para a Contabi-
        A      outras questões adicionais, nomeadamente quanto: i) à possi-  lidade orientada pelos seus fins. Uma mudança para modelos
        B      bilidade de mensurar ou de atribuir valores a referentes em-  contabilísticos  específicos  visando  satisfazer  objectivos  es-
         I                                                         pecíficos, em substituição de um modelo contabilístico com
        L      píricos de conceitos contabilísticos; e ii) às alternativas em
         I     termos de custo-benefício que existem para efectuar aquela   finalidades gerais (“general-purpose accounting model”).
        D      mensuração. Neste contexto, Mattessich sublinha que os valo-
        A      res são a expressão de preferências subjectivas. Consequen-  Muito  embora  a  “foundational  research”  na  Contabilidade
        D                                                          tenha progressivamente sido afastada das revistas académi-
               temente, os valores derivados são propriedades da situa ção
               específica e não da coisa em si. Quando se fala em valor de   cas devido à progressiva dominância da teoria financeira e
        E
                                                                                                                  53
               troca, este resulta da interacção entre preferências subjectivas   da confiança acrescida na utilização de métodos estatísticos ,
        E
        F      e a posição de negociação entre as partes envolvidas na tran-  Mattessich continuou a explorar as questões metodológicas
         I     sacção. Este valor de troca possui apenas um estatuto de reali-  e epistemológicas na Contabilidade, tendo o seu texto “Ins-
        N      dade social. Mattessich (1991a) sugere que, quer Heath, quer   trumental Reasoning and Systems Methodology” (1978a) sido
        A                                                          muito  bem  recebido.  Contribuiu  para  o  desenvolvimento  a
        N      Sterling – e outros teóricos da Contabilidade – estavam algo   Teoria de Sistemas e para a Filosofia da Ciência.
        Ç      bloqueados  no  seu  entendimento,  que  se  encontrava  muito
        A      centrado na realidade física, e pareciam partilhar a ilusão de
               que os intangíveis não tinham existência real . Atribui muita   A “CoNAT”
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        S
               da inabilidade da Contabilidade para resolver as questões da
        N.º                                                        Mattessic abordou a questão das teorias normativas na Con-
        114    mensuração (valorização) na ênfase, especialmente Sterling,   tabilidade  que  foram  tendencialmente  menosprezadas  de-
               nos aspectos positivos da ciência pura (perspectiva positiva   vido, em parte, ao facto de que muitos consideravam a sua
               da Contabilidade). Mattessich considera, pelo contrário, que   natureza não científica, uma vez que os juízos de valor que
               é necessário privilegiar a perspectiva normativa da Contabi-  lhe são próprios, não podiam ser empiricamente verificados.
               lidade, entendida esta como uma ciência aplicada. Embora   Neste  domínio,  em  vez  de  rejeitar  uma  estrutura  analítica
               seja necessário perceber a rea lidade subjacente aos números   normativa  (“normative  framework”),  reformulou  a  questão
               da Contabilidade, deve-se, também, ser pragmático em ter-  estabelecendo dois pré-requisitos para uma teoria normativa,
      10       mos do que se pode esperar daqueles números. As restrições   designadamente: i) “the underlying norms of a theory are sta-
               custo/benefício que é preciso atender aponta no sentido em
                                                                   ted such that the normative theory is conditioned upon these
               que  não  existe  nenhuma  mensuração  perfeita.  Se  se  con-  value judgenments”; e ii) “precise means-ends relationships
               sidera a Contabilidade como uma ciência aplicada, então é   are formulated through which these norms can be achieved”
               necessário considerar a razão de ser das mensurações (valo-  (Mattessich,  1992c).  Estes  dois  pré-requisitos  demonstram
               rizações) dentro de uma estrutura de análise (“framework”)   que  uma  teoria  normativa  pode  ser  objectiva  desde  que  os
               custo/benefício  (“social  science”).  Este  posicionamento  de   juízos de valor sejam revelados logo à partida, e sejam admi-
               Mattessich coloca-a em confronto com o que defende Ster-  tidos apenas como um conjunto, de entre muitos, de normas
               ling e Chambers, que sempre advogaram a utilização de um   possíveis. Acresce que a relação meios-fins (“means-ends re-
               modelo de mensuração com valores correntes de saída (“cur-    54
         j                                                         lationships” ) de cada teoria exige uma formulação analítica
         u     rent exit values model”). Mattessich advoga “place-holders”   específica, a par com testes empíricos, visando confirmar em
         l     na mensuração. Para ele o consenso entre os utilizadores deve   que medida o fim pode ser alcançado de um modo satisfatório.
         h     determinar qual o método de mensuração a utilizar que, em
         o
               última instância, no longo prazo, verifique a restrição custo/  Como  já  foi  referido,  Mattessich  adoptou  uma  perspectiva
         /     benefício, associada com aquela mensuração. Mattessich con-  Kuhniana e pós Kuhniana da Filosofia da Ciência para estabe-
               corda com Chambers e Sterling de que um método particular
         s                                                         lecer simultaneamente uma metodologia e uma epistemologia
         e     (custo de aquisição, por exemplo), pode não satisfazer o rigor   para a Contabilidade em bases sólidas . As suas preocupa-
                                                                                                   55
         t     científico padrão. Porém, advoga que um método particular   ções foram no sentido de reafirmar a Contabilidade como uma
         e     pode ser mais apropriado em termos das necessidades prag-
        m                                                          ciência aplicada e o papel da teoria normativa na Contabi-
         b     máticas dos utilizadores. E isto não conflitua com o esforço   lidade, por um lado, e que a evolução da Contabilidade se
         r     dos teóricos da Contabilidade em tentar obter melhores mé-  fez pelo conflito entre diferentes tradições de investigação,
         o     todos e modelos de mensuração/valorização. Para Mattessich   por outro lado . Os diferentes programas de investigação em
                                                                              56
         2     estes  modelos  devem  servir  as  necessidades  de  tomada  de   Contabilidade (paradigmas) competem entre si contribuindo
         0     decisão por parte dos utilizadores a que se destinam. O in-  para a evolução da Contabilidade.
         1
         3     vestigador académico em Contabilidade deve desenvolver os
               melhores modelos de mensuração/valorização para satisfazer   A  “CoNAT”  (“Conditional-Normative  Accounting  Theory”)
               necessidades e fins alternativos dos diferentes utilizadores. O   constitui um “general framework” através do qual os objec-
               valor é volátil por natureza. Todavia, esta questão é distinta   tivos da Contabilidade podem ser relacionados com os meios
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