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A Teoria Axiomática da Contabilidade e a “Spreadsheet”: tivos (número, valor, unidade monetária, objectos económi-
R Notas Breves cos, sujeitos económicos, conjunto, relações, por exemplo);
E ou, numa linguagem mais recente, 6) Pressupostos Básicos/
V A Teoria Axiomática da Contabilidade Postulados (atributo, medida de tempo, objectos económicos,
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S sujeitos económicos, entidade económica, estrutura, princípio
T A Teoria Axiomática da Contabilidade foi inicialmente pro- de entrada saída, princípio de simetria, transacções econó-
posta por Mattessich em “Towards a General and Axiomatic micas, agregação linear, adição de atributos do mesmo tipo,
Foundation of Accountancy – With an Introduction to Matrix orientação do propósito, valorização, liquidação das dívidas,
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Formulation of Accounting Systems” (1957). No seu texto realização, classificação, entrada de dados, duração, relevân-
posterior intitulado “Accounting and Analytical Methods” cia, distribuição, consolidação, por exemplo).
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C (1964), reformulou o anterior modelo/texto de 1957, que
O voltou a ser melhorado com edições posteriores, como, por
N Tudo indica que a axiomatização da Geometria e da Matemá-
T exemplo, a editada na Alemanha em 1970. tica, por exemplo, são menos discutíveis do que a da Conta-
A bilidade.
B Importa voltar a referir que Mattessich, na sua sugestão/pro-
I posta de axiomatização da Contabilidade, recomenda os Ele- Quando se considera a Estrutura Conceptual (do FASB ou
L mentos de Euclides, os Princípios Matemáticos de Newton e a
I do IASB, por exemplo), onde se encontram vazados os ob-
D Ética de Espinosa. A explicação é porque, nesta área, pugnou jectivos da informação financeira a relatar, e bem assim, as
A pela necessidade de clareza epistemológica e ontológica den- noções associadas às características qualitativas, as definições
D tro da Contabilidade e pelo reconhecimento desta disciplina de activo, passivo, capital próprio, rendimento, gasto, ganho,
como uma ciência aplicada (“apllied–science”), orientada por perda, capital (em sentido financeiro e físico) e lucro (no-
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objectivos/fins (“mission-oriented”). Mattessich procurou minal e real), e os pressupostos, princípios contabilísticos e
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F trazer para a Contabilidade o que na Filosofia de denomina constrangimentos, tudo conceitos que, definidos previamente,
I por “Formal Ontology”. A Ontologia - apesar de, para muitos, se encontram subjacentes ao reconhecimento, mensuração e
N ser sinónimo do conceito de Metafísica (em Filosofia) -, pode divulgação, preconizados posteriormente nas respectivas nor-
A ser definida com a “ciência do ser, enquanto ser” (Aristóte- mas, não se pode deixar de pensar em Mattessich.
N les) . O Formalismo é qualquer sistema inspirado na mate-
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A mática pura – especialmente pela matemática na sua forma Mattesssich, em termos de investigação, é estruturalista e
axiomática explícita. Os filósofos interessados na metafísica multi-paradigmático (no sentido Kuhniano do termo). Não
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têm sido muitas vezes associados a sistemas que possuem al- segue apenas um programa (paradigma) de investigação. Os
N.º gumas das características (ou vantagens) da matemática (lin- seus trabalhos desdobram-se por mais do que um dos paradig-
114 guagem). Espinosa, por exemplo, no século XVII, inspirou-se mas conhecidos de investigação devido ao enfoque ecléctico
na geometria de Euclides, fortemente axiomática, para expor e interdisciplinar que se encontra na sua obra.
a sua Ética. No século XX, muitos filósofos inspirados pelos
desenvolvimentos da lógica matemática e da teoria dos con- A “Spreadsheet”
juntos, produziram sistemas de metafísica formal. Cada um
destes sistemas constitui uma “formal ontology”. A axiomati- A expressão “spread sheet” (agora escrita “spreadsheet”) tem
zação (“axiomatization”) não é mais do que colocar ideias em uma longa tradição. A referência à sua versão não compu-
12 formas matemáticas. Tal implica os seguintes elementos ou torizada, de acordo com o Eric L. Kholer’s “Dictionary for
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Accountants” (1952) , assinala que se trata de uma folha de
etapas: 1) proceder à divisão de termos chave em termos não
definíveis (também chamados de termos primitivos) e utilizar trabalho (“worksheet”) que proporciona uma leitura de dupla
estes últimos para explicitamente definir os demais termos; 2) entrada de dados contabilísticos, ou seja, corresponde a uma
começar com um pequeno número de axiomas (ou princípios matriz contabilística na qual as colunas e as linhas constituem,
básicos); 3) adoptar um conjunto de regras de transformação respectivamente, débitos ou créditos (ou vice-versa).
(ou princípios puramente lógicos); e 4) utilizar as regras e
transformação, derivando das definições e dos axiomas, todos Mattessich, no início dos anos sessenta do século XX, então
os teoremas do sistema em questão . A abordagem formal como professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley
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j permite definir entidades abstractas em termos de entidades (de onde saiu, em 1967, para a Universtity of British Colum-
u concretas. Também permite definir eventos em termos de al- bia, no Canadá), foi pioneiro na concepção da “spread sheet”
l teração numa propriedade ou característica, considerando-se computorizada para a Contabilidade empresarial. Primeiro
h
o a propriedade como um termo primitivo. com um artigo intitulado “Budgeting Models and System
Simulation” (1961) , e, mais tarde, em dois livros, nomea-
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/ A axiomatização da Contabilidade proposta por Mattessich damente “Accounting and Analytical Methods” (1964) - o
s considera: 1) Axiomas (axioma da pluralidade, axioma do qual contém “the methodological proto-type model” - e “Si-
e efeito duplo e axioma do período, por exemplo); 2) Teore- mulation of the Firm Through a Budget Computer Program”
t mas (teorema da igualdade do balanço, teorema do saldo de (1964) - que contém muitos exemplos ilustrativos, e, ainda,
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e
m um estado, teorema da continuidade, corolário do teorema da os programas de computador desenvolvidos para o efeito, em
b continuidade, teorema dos estados, teorema da pluralidade, FORTAN, pelos seus assistentes e colaboradores na investi-
r teorema da redução dos estados, teorema da consolidação, por gação, designadamente, Tom C. Schneider e Paul A. Zitlau.
o
exemplo); 3) Requisitos (da entidade, da ligação, da unidade,
2 da flutuação de volume, da valorização, da duração, da es- A investigação e contribuição de Mattessich nesta área, não só
0 pecificação do estado, por exemplo); 4) Definições (de uma foi pioneira, como antecipou em muitos anos, as folhas de cál-
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3 transacção, de um sistema de circulação, de uma entidade culo (“spreadsheets”) posteriormente muito comercializadas
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contabilística, de um sistema contabilístico fechado, de conta/ para PC’s, como foram o VisiCalc , o Lotus 1-2-3, o Excel,
agregação, de saldar, de balancete de verificação, de estado ou entre outras. E aquele pioneirismo tem sido reconhecido por
relação, por exemplo, entre muitos outros); 5) Termos Primi- vários autores relacionados com a Contabilidade, que o assi-

