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As hipóteses têm, contudo, um valor limitado: a reunião de di- do conhecimentos de lógica, matemática, direito, contabilidade,
ferentes registos ou a utilização de diferentes transformações de etc., interpreta as noções ou a informação registada, procurando R
registos ou construtos podem levar a respostas muito diferentes reconstruir o seu significado, na ausência, muitas vezes, de in- E
para as mesmas perguntas sobre os mesmos acontecimentos. Por formação relevante. As restantes características dos sistemas de V
outro lado, não se pode ter a certeza absoluta sobre a validade ou representação externa apontam para a facilidade de manipulação I
fiabilidade dos registos que cada um faz, e as suas deficiências das representações. S
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podem levar a juízos cognitivos errados.
Uma das dificuldades para quem interpreta as representações ex- A
A atividade de julgamento do auditor, tendo por base conceitos, ternas, – no caso concreto o auditor - reside no processo de infe- D
teorias ou princípios, deve estar de conformidade com este qua- rência a partir da informação explícita, daquela outra, implícita ou E
dro de referência: este, se tiver uma validade dúbia, pode gerar a omitida. Este processo requer a reconstrução por parte de quem C
construção de juízos cognitivos deficientes. Surge, finalmente, o interpreta essa representação. Esta transformação através de cer- O
juízo de valor, ou seja, o julgamento do auditor em relação a cada tas operações ou convenções muitas vezes contrárias às que, em N
assunto específico (ex. avaliação do governo das sociedades, da seu tempo, produziram essas representações, induzem relativida- T
política de amortizações e imparidades, etc.). de e contingência na análise. A
B
I
O conhecimento, em auditoria, está estritamente vinculado ao de- No processo de auditoria, o auditor efetua uma multiplicidade de L
senvolvimento dos sistemas culturais de representação, sendo a julgamentos em relação ao sistema de representação contabilística I
contabilidade um deles. A explosão dos sistemas de representação e toma as decisões que considera adequadas ao tipo de trabalho D
na moderna sociedade do conhecimento abre caminho para uma que vai desenvolver. A
nova mente multimédia (Pozo, 2003:153). Estes novos sistemas D
de representação exigem novas competências e novos espaços Uma das primeiras atividades de julgamento do auditor é a aná- E
para aprendizagem e instrução. Por outro lado, os sistemas de re- lise do sistema de governo das sociedades e a filosofia de con-
presentação externa, enquanto sistemas de notação ou de registo trolo da organização, como condição prévia para aceitação de E
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de informação, têm propriedades próprias (Pozo, 2003:154): compromisso de auditoria. Em consequência do seu julgamento I
o auditor toma decisões sobre riscos futuros de litigação, conce- N
− Os sistemas externos de representação existem como be o plano de estratégia de auditoria e formula juízos de valor A
objetos independentes do contexto em que foram pro- sobre a fiabilidade dos relatórios financeiros. Com efeito, Cohen N
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duzidos; e Hanno (2000:134-145) demonstram que os relatórios finan- A
− As representações externas baseiam-se num suporte ceiros fraudulentos são muitas vezes atribuídos a sistemas de S
material que lhes proporciona certa permanência; governo das sociedades débeis e acentuadas fraquezas na filo-
sofia de controlo de gestão. Sendo, então, estes sistemas impor- N.º
− A maioria dos sistemas de representação externa são tantes para assegurar a relevância e a fiabilidade da informação 114
sistemas de notação gráfica;
financeira, deve ser dada uma atenção externa aos mecanismos
− As representações externas são sistemas organizados. de governo das sociedades e ao sistema de relatório financeiro.
Comprovaram, igualmente, que os auditores incorporam o am-
A validação da contabilidade pela auditoria tem subjacente a ca- biente de controlo no seu julgamento. No entanto, todo o proces-
pacidade do auditor para “trabalhar” representações explícitas e so de auditoria é objeto de uma multiplicidade de julgamentos
este, ao adquirir conhecimentos sobre a entidade auditada, pers- e de tomada de decisões específicas, situações que podem ser
cruta a relação que certos objetos mantêm com outros e aplican- visualizadas no quadro seguinte:
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Multiplicidade de julgamentos subjacentes ao Consequências do julgamento/tomada de decisão
processo de auditoria
Estabelecer a materialidade ➩ Quantificar a materialidade e determinar o risco em auditoria
Identificação dos objetivos da auditoria para cada Decidir as áreas mais importantes em termos de auditoria, os fluxos de
asserção ➩ transações a analisar e as asserções mais importantes.
Avaliação do sistema de controlo interno ➩ Julgar os pontos fracos e fortes do controlo interno, quantificar o risco de
controlo.
Desenvolvimento da estratégia de auditoria ➩ Enfatizar a confiança no controlo interno ou enfatizar o balanço e as u j l
transações correntes.
Conceção do programa de auditoria ➩ Selecionar um programa adequado de procedimentos, tendo em atenção h
o
o objetivo e o tempo de aplicação
Procedimentos específicos de auditoria a serem aplicados, informação
Seleção e avaliação de procedimentos analíticos ➩ a ser utilizada, exame dos cálculos, identificação das flutuações mais /
significativas. s
Avaliação dos resultados dos testes de auditoria ➩ Concluir sobre os resultados e procedimentos de auditoria específicos em e t
relação aos seus objetivos e resultados obtidos
Considerar isoladamente ou em agregado as diferenças de auditoria não e
Consideração da materialidade das diferenças não ajustadas e o seu impacto potencial nos interessados das demonstrações m
ajustadas ➩
financeiras b
Análise da continuidade ➩ Julgar, com razoabilidade, se a sociedade pode desenvolver o seu negócio r o
nos próximos 12 meses.
Aplicação dos princípios e normas de contabilidade Determinar se esses princípios foram bem aplicados ou não. 2
e auditoria ➩ 0
Aplicação do código de ética ➩ Enquadrar o comportamento do auditor nos códigos de conduta 1
profissional.
3
Emissão do relatório de auditoria ➩ Ajuizar se as demonstrações financeiras refletem uma imagem verdadeira
e apropriada da empresa.
Adaptado de Bamber M., 1995, Auditing Practice, Research and Education, p. 57.

