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Do quadro referido constatamos a pertinência da afirmação de   te e lógica, facilita potencialmente as decisões. De uma maneira
        R      Mautz (1959) ao notar que o julgamento desempenha inevitavel-  geral, os auditores procuram respostas unívocas, estruturadas na
        E      mente um papel fundamental na auditoria: nos vários estádios de   relação de causa-efeito, no entanto, a informação contabilística
        V      desenvolvimento da auditoria, o julgamento do auditor está sem-  permite explicações alternativas.
         I     pre presente.
        S                                                          Neste contexto, a psicologia aplicada à auditoria, e mais especifi-
        T
               A avaliação da qualidade do julgamento inicia-se nos anos 70,   camente, ao julgamento do auditor, força-o a avaliar a informação
               com a adoção de um modelo de análise do comportamento do   em desconformidade e a ponderar sobre a adequação da hipótese
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        D      auditor que não incluía a componente psicológica. O julgamento,   inicial e da conclusão final que podem não estar corretas. A expli-
               como outros aspetos da atividade humana, é inacessível na sua   cação alternativa, em auditoria, pode potenciar decisões práticas
               origem. Esta intangibilidade acentua-se pela inexistência de um   mais amplas e mais adequadas. O auditor, no desenvolvimento
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        O      critério ou padrão para avaliar a correção do julgamento do audi-  do processo de auditoria, deve ser treinado para considerar toda
        N      tor. Na ausência de uma referência estável, utilizaram-se medidas   a informação disponível e não só aquela que suporta a hipótese
        T      complementares sendo a mais utilizada o consensus, ou seja, a   inicial (Hoffman et al, 2003:700).
        A      extensão do acordo dos auditores em relação a aspetos específicos
        B      do processo de auditoria; outro elemento qualitativo analisado foi   O pensamento crítico é uma característica básica para o exercício
         I     a consistência do julgamento do auditor ao longo do tempo, bem   de um julgamento adequado. Atendendo a que o auditor se depara
        L      como a confiança que o auditor tem no seu próprio julgamento,   com um conjunto de situações conflituantes ao longo do proces-
         I     e, por fim, o próprio conhecimento profundo do auditor e a inter-  so, e portanto, a decisão decorrente do julgamento deve única e
        D      pretação usada na análise e na dosagem da avaliação dos vários   exclusivamente gerar hipóteses depois de ter processado um con-
        A      inputs informativos.                                junto amplo de dados e não somente informação adequada ao su-
        D
                                                                   porte da hipótese inicial. As evidências empíricas sugerem que os
               Ashton  (1974:143-157),  Joyce  (1976:29-60)  e  Joyce  e  Biddle   auditores, dotados de espírito crítico, na análise das evidências, se
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               (1981:120-144),  avaliaram  os  julgamentos  relacionados  com  o   exercerem o contraditório ou fomentarem explicações alternati-
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        F      controlo interno e detetaram consensus em relação à problemáti-  vas para além da hipótese de confirmação, efetuam, presumivel-
         I     ca da segregação de funções, todavia, os níveis de consensus são   mente, julgamentos mais alicerçados, podendo, assim, contribuir
        N      baixos quando se estudar o nível de incorporação da avaliação   para diminuir o gap de credibilidade (Almeida, 2005:85).
        A      no julgamento em relação ao trabalho de campo e planeamento
        N      da auditoria. Estes resultados são coerentes com a falta de con-  No  mesmo  sentido,  Kennedy  (1995:249-273)  e  Gibbins
        Ç      sistência que existe na prática da auditoria (Mautz, 1975:92-86).   (1984:103-125) chamam a atenção para os aspetos psicológicos
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               Proporcionam, não obstante, indicações preciosas no sentido de   no julgamento em auditoria, contabilidade, divulgação da infor-
               melhorar a capacidade dos auditores no exercício do seu julga-  mação financeira e outras situações relevantes, procurando perce-
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        N.º    mento profissional e, por reflexo, no desenvolvimento do proces-  ber o processo de julgamento profissional do auditor.
        114    so de auditoria.
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               Nesta sequência, surge um segundo modelo, ancorado na psicolo-  tura-se num modelo psicológico de quatro componentes: expe-
               gia, e que tem por objetivo estudar o processo pelo qual o auditor   riência acumulada, estímulo, processo de julgamento e resposta,
               estrutura e desenvolve os seus julgamentos. A investigação inicial   enquadrados e em interação com um quinto componente que é a
               tende a identificar as contrições do processo informativo, sobre-  envolvente.
               tudo os processos de sobre informação e infra informação, e a sua
               relação com o processo de auditoria (Hoffman, 2003:699-714).  A experiência do auditor, quer direta ou indiretamente obtida, é
      18       Face a uma capacidade limitada para processar informação, no   fundamental na estrutura do processo de julgamento. As inves-
                                                                   tigações sugerem que a experiência influencia o nível de conhe-
               desenvolvimento de tarefas cada vez mais complexas, o auditor   cimento  e  a  sua  organização  qualitativa  (Kida,  1984:332-340;
               pode desenvolver uma estratégia de uso de informação seletiva   Kennedy,  1995:249-73)  proporcionam  julgamentos  menos  in-
               (Hargie e Tourish, 2009:45) e, neste contexto, elege certas ca-  viezados. A heurística, a discriminação e a análise de tendências,
               racterísticas da evidência que considera representativas de uma   protege os auditores de julgamentos menos fiáveis.
               população,  ignorando  outras  características  igualmente  impor-
               tantes . A outra estratégia consubstancia-se na simplificação das   O estímulo, para o exercício do julgamento, pode ter como de-
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               tarefas de auditoria, utilizando, quer regras práticas para eliminar   tonador  um  pedido  da  administração  da  empresa,  enquadrado
               alternativas em análise, quer usando a ancoragem e ajustamentos   numa envolvente de pressões, motivações, regras e constrições
         j     baseados em trabalhos anteriores, ou ignorar ou descontar os efei-  conflituan tes muitas vezes antagónicas. O processo de julgamen-
         u     tos da incerteza.                                   to, consubstancia uma atividade mental que compara alternativas
         l                                                         e induz à ação. A decisão/ação, corresponde a um comportamento
         h     O julgamento do auditor, sendo um processo mental (Gibbins,   e a um processo de julgamento profissional e a uma atitude mental
         o
               1984:109), tem sido objeto de estudos aprofundados em que se   que compara alternativas e induz comportamentos.
         /     transporta, para a auditoria, a investigação psicológica (Chung,
               Monroe, 1999:111-126) com o objetivo de perceber a estrutura   Os auditores fazem inferências com base em informações limi-
         s     mental do auditor quando seleciona ou rejeita a informação. A   tadas e confiam nas técnicas heurísticas para reduzirem a com-
         e
         t     psicologia sugere que os indivíduos têm a propensão para procu-  plexidade  das  suas  tarefas  de  fixar  probabilidades  e  fazer  pre-
         e     rar informação de acordo com as hipóteses iniciais. A informação   visões com o intuito de simplificar as operações de julgamento
        m      em desconformidade é ignorada e a decisão é tomada antes de   (Whittington e Pany, 2010:327-350). A investigação psicológica,
         b     todos os documentos terem sido integral e adequadamente ava-  aplicada à auditoria, sugere que os seres humanos têm uma ca-
         r     liados. Como a psicologia enfatiza este problema como impor-  pacidade  limitada  para  processar  informação,  pelo  que  a  natu-
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               tante, logicamente, treinar os que tomam decisões – v.g. auditores   reza  do  seu  julgamento  determina  as  decisões  estratégicas  que
         2     – para considerarem toda a documentação relevante e tomarem   desenvolve. Apontam, ainda, que os seres humanos, quando se
         0     decisões baseadas mais no peso da evidência do que na formula-  deparam com tarefas complicadas, recorrem amiúde a processos
         1     ção da hipótese inicial, é um aspeto a ter em conta.  cognitivos simplificados, conhecidos como métodos heurísticos.
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                                                                   Estes desenvolvem mecanismos mais simples do que os modelos
               Como o processo de auditoria, para obter evidências, integra in-  normativos na aquisição de conhecimentos, ao repousarem sobre
               formação em conflito, a sua incorporação numa estrutura coeren-  variáveis não importantes dos modelos normativos ou ignorarem
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