Page 19 - rcf1114_Neat
P. 19
mesmo as suas variáveis mais importantes e, por isso, conduzem 5. Conclusões
muitas vezes a erros sistemáticos na decisão. No entanto, investi- R
gações sobre os julgamentos probabilísticos aplicados à auditoria − A auditoria desenvolve-se através de um conjunto de julga- E
(Kinney e Vecker, 1982:55-69; Joyce e Biddle, 1981:120-141) mentos interligados, com o objetivo de testar as hipóteses ini- V
sugerem que os métodos heurísticos de representatividade, utili- ciais assumidas pelos profissionais. I
dade, ancoragem e ajustamentos, têm um poder descritivo maior S
do que os modelos baysianos. Os julgamentos feitos pelo audi- − Como o modelo contabilístico é contingente, e os relatórios T
tor, baseados na técnica heurística citada permite estabelecer um de auditoria comportam termos e técnicas não dominadas pelo A
3
valor inicial ou um ponto de partida que parece razoável para público em geral, que não foram constatados empiricamente D
4
o decisor. Aquele é ajustado à medida que informações adicio- nem são cientificamente verificáveis, os julgamentos em con- E
nais são recebidas. Os problemas, para o auditor, surgem quando tabilidade e auditoria, como elementos importantes na con- C
o valor inicial estimado é irrelevante como base informativa ou dução de uma auditoria são deficientes, complexos, o que, o O
quando o ajustamento é insuficiente face à informação relevante público em geral, também não perceciona. N
(Butler, 1986:101). Estas situações podem conduzir a sobre ou T
sub auditoria, e igualmente a julgamentos errados face à natureza − O processo de julgamento em auditoria consubstancia uma A
sequencial com que a informação pode ser recebida (Hogarth e atividade mental que compara alternativa e induz a ação, sen- B
Einhorn’s, 1992, 1-55), tendo em conta que os auditores atribuem do o elemento mais importante na condução de uma auditoria. I
maior peso às evidências recebidas mais recentemente (Asare, L
I
1992:379-393), pelo que, na prática da auditoria, a ordem com − A validação da contabilidade pela auditoria baseia-se na ca- D
que os auditores recebem e validam a evidência pode ter um im- pacidade de julgamento do auditor relativamente aos registos A
pacto importante no seu julgamento profissional. contabilísticos e à sua transformação, tendo por base juízos D
cognitivos antecipados relativamente a afirmações ou asser-
Estritamente relacionado com a heurística podem ser induzidos ções que se pretendem provar ou negar. E
erros no processamento e na procura de informação. Os auditores, E
no processo de auditoria, implícita ou explicitamente formulam − O conhecimento em auditoria está estritamente vinculado a F
I
hipóteses para explicar certos factos e procuram prova para testar sistemas culturais de representações, que são necessariamente N
as suas hipóteses. Na procura das evidências, a psicologia confir- contingentes, pelo que os quadros de referência do auditor, A
ma que os auditores atendem preferentemente às evidências que se tiverem uma validade dúbia podem gerar a construção de N
confirmam a hipótese inicial do que às evidências que a contra- juízos cognitivos deficientes e conduz a juízos de valor, em Ç
relação a cada assunto específico, não apropriados.
riam. A
− A avaliação da qualidade de julgamento em auditoria, com- S
Os níveis de confiança, de perícia e de conhecimento são também portando ou não a componente psicológica, é intangível por
determinantes no julgamento do auditor. As investigações suge- natureza por não haver um critério ou padrão para avaliar a N.º
rem que uma diminuição do nível de confiança pode conduzir a correção do julgamento do auditor. O consensus como crité- 114
julgamentos enviesados (Moeckel e Plumlee, 1989:653-666), e rio, relativamente a certos trabalhos de auditoria é muito baixo
que a memória e o conhecimento, como determinantes da qua- na profissão.
lidade de julgamento do auditor, aliado aos diferentes níveis de
experiência, podem equacionar uma variedade de questões prá- − O pensamento crítico é a pedra angular para o exercício de um
ticas (Libby, 1993:425-450), relacionadas com a colocação dos julgamento adequado, sobretudo em situações conflituantes
auditores no terreno. ou dilemáticas, em que as explicações alternativas devem ser
equacionadas.
Face às deficiências do julgamento do auditor, as investigações 19
direcionaram-se para a conceção de mecanismos de apoio ao jul- Bibliografia
gamento. Os estudos centraram-se no estudo das estruturas das
sociedades de auditoria e análise dos seus efeitos no julgamento,
e concluíram pela existência de uma associação entre a estrutura e AICPA (1955), A case study on the extend audit samples, AICPA,
New York.
a multiplicidade de julgamentos (Bamber et al., 1989:285-299).
5
Almeida, B. J. (2005). Auditoria e Sociedade: Diferenças de Ex-
Analisada igualmente a importância das equipas de auditoria na
formação de julgamentos, Solomon (1987:1-25), aponta que o de- pectativas, Publisher Team, Lisboa.
senho do processo de revisão pode reduzir as variâncias no julga- j
mento e as discrepâncias entre os auditores. Esta metodologia, em Asare, S. (1992), “The auditors going concern opinion decision: a u
que se confrontam uma multiplicidade de pessoas, pode revestir review and implications for future research”, The Accounting Re- l
a forma de equipa de auditoria ou grupo de auditoria. Nesta situa- view. h
ção, o julgamento desenvolve-se de uma forma hierarquizada, se- o
quencial, no grupo de auditoria, os julgamentos são conjuntos na Ashton, R. (1974), “An experimental study of internal control /
resolução de um problema ou na concretização de uma tarefa e a judgments”, Journal of Accounting Research, Spring.
investigação sugere que os julgamentos em grupo são mais preci- s
sos que os julgamentos individuais (Bamber, 1983:411). Bamber, E. M., Gillett, P., Mock, T.J. and Trotman, K.T. (1995), e
“Audit Judgement.” Auditing Practice, Research and Education. e t
Dos estudos efetuados conclui-se que os julgamentos em audi- m
toria são complexos, suscetíveis de serem aperfeiçoadas através Bamber, E. M., Snowall D. and Tubbs R. M. (1989), “Audit struc- b
de pesquisa adicional sobre os mecanismos psicológicos e éticos ture and its relation to the role conflict and role ambiguity: an em- r o
do processo, o que faculta uma maior eficiência e eficácia para a pirical investigation”, The Accounting Review, April.
sociedade como um todo e contribui para reduzir as diferenças de 2
expectativas em auditoria. Julgamentos mais fiáveis, mais preci- Bamber, M. (1983), “Expert judgment in the audit team: a source reli- 0
sos, mais independentes, serão determinantes na compreensão da ability approach”, Journal of Accounting Research, vol. 21, Autumn. 1
3
problemática em estudo. A auditoria tem subjacente um nexo de
julgamentos complexos tanto na sua estrutura teórica como prá- Brooks, L. (2004), Business & Professional ethics for directors,
tica. executives & accountants, Thompson South-Western.

