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3. Necessidade de um julgamento crítico em auditoria Neste contexto, segundo Wolcot e Lynch (1997:2), as diferenças
R de expectativas em auditoria, podem ser reduzidas se o auditor
E A auditoria significa avaliação: esta é efetuada, tendo como pa- dispuser de:
V drão, um determinado critério e relata aspetos descobertos que
I são relevantes para as partes interessadas. Para cada asserção, em − Habilidade para identificar e resolver problemas não
S análise ou em avaliação, o auditor efetua numerosos julgamentos estruturados em contextos não familiares e aplicar
T instrumentos de resolução de problemas em processo
e toma um largo espetro de decisões. O termo julgamento refere- interativo;
-se a uma apreciação subjetiva efetuada e é considerado como
A
D base para o processo de tomada de decisões. A decisão, neste pro- − Habilidade para compreender as forças determinantes
cesso, significa o que os auditores fazem para concretizar um de- em qualquer situação e prever os efeitos;
E
C terminado trabalho ou resolver um determinado problema. − Habilidade para apresentar, discutir e defender pontos
O de vista de forma eficaz através de linguagem escrita
N Em qualquer compromisso de auditoria, o auditor, por exemplo, ou falada de forma formal ou informal;
T julga a competência da gestão, a eficácia e arquitetura do siste-
A ma de informação e estabelece a materialidade a observar nas − Habilidade para aplicar o conhecimento contabilístico
B para resolver problemas do mundo real;
I demonstrações financeiras. Por sua vez, decide como adquirir
L conhecimentos sobre a veracidade de cada asserção, qual o nível Estas qualidades, de uma maneira geral, não têm sido objetivo de
I de evidência que pretende obter e o tipo de relatório de auditoria uma análise profunda no seio da profissão. Com efeito, no decur-
D a emitir. O modelo mais utilizado toma por base a experiência. so da formação académica, não são ministrados, aos estudantes,
A Esta concretiza-se num método de investigação aleatório, estru- instrumentos analíticos que permitam o desenvolvimento de um
D turado num quadro bem definido, no qual o auditor efetua várias pensamento crítico na área da auditoria, e que apoiem julgamen-
observações relacionadas com os objetivos da sua investigação, a tos cada vez mais suportados e tomadas de decisão coerentes e
E
saber: políticas de recolha da informação, julgamentos heurísticos consistentes com as expectativas do público. Consequentemen-
E
F e descriminantes, tendências, processo cognitivo e de informação te, à educação dos utilizadores da informação financeira, como
I multi dependente. medida para reduzir as diferenças de expectativas da auditoria,
N contrapomos a educação dos auditores em matérias de lógica e
A A indispensabilidade de pesquisa, no campo da auditoria, é gerada outros instrumentos de apoio aos seus julgamentos para que a sua
N pela exigência de apoiar julgamentos numa envolvente em cons- opinião seja mais sólida e fundamentada.
Ç tante mutação, daí a necessidade de se desenvolver novos siste-
A
mas de pensamento sobre as estruturas fundamentais da auditoria: 4. O julgamento no processo de auditoria
materialidade, risco e as evidências. Por sua vez, a natureza, tipos
S
N.º de julgamento e tomada de decisões mudaram substancialmente. O julgamento e a decisão estão estritamente relacionados. O
114 Assim, o pensamento crítico ocupa hoje, um papel fundamental julgamento pode estar correto mas a decisão tomada não ser
no processo de auditoria (Reinstein e Bayou, 1997:336-342), em consistente. Podem, assim, aparecer expectativas defraudadas,
virtude de a maioria das tarefas do auditor e do contabilista serem tendo em atenção as expectativas do público, e a profissão pode
desempenhadas por tecnologias informáticas, reduzindo, por isso, perder credibilidade aos olhos daquele, porque a sua primeira
substancialmente, o tempo a utilizar nas tarefas rotineiras, crian- missão é servir a sociedade. Como os serviços prestados pe-
do-se espaço para a crítica e para o julgamento. Estas atividades los auditores são importantes para o sistema de economia de
são vistas, presentemente, como muito mais úteis, em termos de mercado, a sociedade espera que os profissionais se comportem
cadeia de valor, do que as tarefas tradicionais dos auditores, por
16 acrescentarem valor à organização. A análise crítica envolvendo com elevados níveis de independência, competência e integri-
dade. No exercício da atividade de julgamento a independência,
a avaliação dos complexos sistemas de informação, deteção, pre-
visão e aconselhamento são de uma importância transcendente, a competência profissional e a integridade são elementos vitais.
Os desvios em relação à norma não são bem aceites pela so-
e mais valorizados, atualmente, na cadeia de formação de valor ciedade e produzem um gap de credibilidade que afeta, no seu
em contabilidade e em auditoria, do que no passado. Os escânda- todo, a profissão.
los financeiros, recentemente ocorridos, ditaram a necessidade da
introdução de um pensamento crítico em auditoria que enfatize A objetividade do auditor baseia-se num julgamento independen-
a identificação e a resolução de problemas. A lógica, como disci- te. Apesar do julgamento, como outros aspetos da atividade hu-
plina mãe da auditoria (Mautz e Sharaf, 1993:17-28), proporciona mana, ser intangível por natureza, vários modelos foram usados
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j um treino adequado para os auditores exercerem os seus julga- para estudar os julgamentos e a tomada de decisão dos auditores.
u mentos no decurso do processo de auditoria. Este desenvolve-se O modelo mais utilizado, na prática, chama-se julgamento pro-
l na procura da verdade, definida por Platão, como a correspon- fissional (Solomon, 2003:355-412). Este baseia-se essencialmen-
h dência entre o que pensamos e a realidade. A tarefa do auditor é te na experiência do auditor: para o exercício do seu julgamento
o
determinar o que é e o que não é real (Nelson et al, 2003:216) e profissional, o auditor avalia as evidências, utiliza métodos de in-
/ comunicar as suas conclusões, através de um relatório de opinião, vestigação, e afeta probabilidades a determinadas matérias dentro
a todas as partes interessadas. No desenvolvimento do processo de uma estrutura representativa. Esta reproduz um determinado
s fenómeno – individual ou social – que é manipulado e objeto de
e de auditoria, o profissional, depara-se com muita informação, daí
t a necessidade de estar capacitado para aceitar ou rejeitar evidên- várias observações.
e cia, sendo o exercício deste pensamento crítico uma importante
m competência do auditor profissional. O julgamento do auditor baseia-se em registos e em dados que
b
r são os registos transformados. As transformações de registos
o A simulação mental é um mecanismo importante no sistema de que o auditor efetua são orientadas pelos seus conceitos, prin-
pensamento do auditor. A aquisição de conhecimentos envolven- cípios ou teorias. São também determinadas pelas questões-
2 do a síntese e diagnóstico, sendo a chave fundamental dos proce- -alvo, às quais se espera dar uma resposta. Surge, assim, o juízo
0
1 dimentos analíticos e da compreensão da rede económica dentro cognitivo do auditor, como uma resposta às questões chave, às
3 do qual a empresa opera, são, hoje, mais determinantes do que quais o auditor exige que os seus registos e transformações o
aquisição de conhecimentos pela decomposição de atividades em conduzam. Formula-se, assim, a hipótese: um juízo cognitivo
que a amostragem era o processo de conhecimento de eleição (So- antecipado, consubstanciado numa afirmação que se pretende
lomon, 2003:408). provar ou negar.

