Page 10 - rcf140_141_Neat
P. 10
10
durante dois anos consecutivos ultrapassem dois dos mercado de auditoria nas PME procedemos à análise
três limites previstos no art. 262º do Código das Socie- da oferta total, baseada nos seguintes quatro indicado-
dades Comerciais (número de trabalhadores em média res: volume de faturação, nº de clientes, ativo total e nº
durante o exercício superior a 50, volume de negócios de trabalhadores.
superior a 1,5 milhões de euros e ativo superior a 3 mi-
lhões de euros), existem outras entidades que também (a) Rácio de Concentração (CR): este indicador
são sujeitas a auditoria: os Municípios (Lei nº 73/2013, agrega as quotas do mercado das n maiores
de 3 de setembro), as entidades de interesse público empresas do mercado. Analiticamente, o rácio
(Lei nº 148/2015, de 9 de setembro), as entidades obri- toma a seguinte forma:
gadas a apresentar contas consolidadas (Decreto-Lei nº
98/2015, de 2 de junho), as Instituições Particulares de
Solidariedade Social (Lei nº 140/2015, de 9 de setem-
bro), as cooperativas (Lei nº 51/96, de 7 de setembro),
as sociedades gestoras de participações sociais (Lei nº
495/98 de 30 de setembro), as Caixas de Crédito Agrí- Em que: CR = quota do mercado da empresa; n = o
cola Mútuo (Decreto-lei nº 142/2009, de 16 de junho) e número de empresas analisadas; Fn = número de cli-
as instituições de ensino superior (Portaria nº 795/2000 entes/faturação/ativo/número de empregados; F = total
de 20 de setembro). de número de clientes/volume de negócios /ati-
vo/número de empregados.
Segundo a informação recolhida junto da Sabi Bu-
reau Van Dijk, existem, em Portugal, as seguintes socie- O CR é a soma das quotas de mercado das n maio-
dades anónimas e sociedades por quotas e unipessoais res empresas que operam no mercado. Um CR próxi-
por quotas: mo de 1 indica uma grande concentração, sendo por-
tanto objeto de preocupação por parte dos reguladores.
Caso o CR apresente um valor próximo de 0, é inter-
Tabela 2 – Número de PME em Portugal no período entre 2014 e 2017
pretado como havendo uma baixa concentração.
2014 2015 2016 2017
Sociedades Anónimas 24.605 24.545 24.393 23.442 O CR mais utilizado é o CR4, nomeadamente nos
Sociedades por Quotas e Sociedades 4.009 3.928 3.826 3.723 Estados Unidos da América, que indica a concentração
Unipessoais por quotas
TOTAL 28.614 28.473 28.219 27.165 nas quatro maiores empresas (Pepall, Richards & Nor-
Fonte: Sabi Bureau Van Dijk man, 2008). No entanto, CR3 ou CR8 também são utili-
zados. A interpretação dos CR1, CR3 e CR4 é a que
consta na tabela 3 (Almeida & Silva, 2015):
4. Metodologia
Tabela 3 – Interpretação dos coeficientes CR3, CR4 e CR8
4.1. Medidas de Concentração CR 3 CR 4 CR 8 Interpretação
<10% <50% <70% Baixo nível de concentração
As medidas de concentração mais utilizadas pela 10%-25% 50-65% 70-85% Médio nível de concentração
literatura internacional para estudar a concentração na ≥25% ≥65% ≥65% Alto nível de concentração
indústria em geral, e no mercado de auditoria em parti-
cular, são: o Rácio de Concentração (CR), o Índice
Hirschman Herfindahl (IHH), o índice de Gini (IG) e a Como principais vantagens podemos referir que é
Curva de Lorenz (CL). As duas primeiras são considera- um índice simples, suscetível de uma rápida interpreta-
das medidas de concentração absoluta, as últimas medi- ção e de aceitação generalizada. No entanto, a inter-
das de concentração relativas. pretação deste rácio deve ser feita tendo em atenção o
facto de não conter informação sobre a distribuição
No mercado de auditoria, a concentração pelo lado completa das quotas de mercado ou a sua dimensão, o
da oferta é considerada como sendo um importante fator que pode levar a conclusões erradas (Brochado, 2017).
de competitividade. Para analisarmos a concentração no Benau, Barbadillo & Martínez (1998), referem ainda
que este índice não reflete as entradas e as saídas das

