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         respetivamente. Em termos de número de empresas as   negócios e o número de empregados. Alguns países do
         PME portuguesas representam 99,9% do tecido empre-   norte da Europa, Finlândia e Suécia, aboliram a obriga-
         sarial não financeiro, em consonância com a média da   toriedade das pequenas empresas serem sujeitas a au-
         UE.                                                  ditoria. Outros países, Reino Unido e Noruega, aumenta-
                                                              rem os seus limites, enquanto outros países, de que é
           Apesar destes indicadores estarem acima da média   exemplo Portugal, mantiveram os seus limites inaltera-
         da UE, se analisarmos o período de 2008 a 2017, verifi-  dos. Em 2010, a Suécia aboliu a obrigatoriedade da au-
         camos que as PME portuguesas ainda não recuperaram   ditoria para as pequenas empresas. Passados 6 anos,
         o peso que tinham na economia antes da crise, uma vez   um  estudo  do  Swedish  National  Audit  Office  (2016)
         que  o  valor  acrescentado  e  o  emprego  apresentaram   constatou  que  o  crescimento  e  a  competitividade  das
         uma evolução negativa de 1,3% e 9,8% respetivamente.   empresas ficou aquém do esperado. Com efeito, o estu-
                                                              do constatou que a desobrigação destas empresas esta-
                                                              rem sujeitas a auditoria originou: um lento crescimento,
              2.2. A procura de auditoria pelas PME           quer em vendas, quer em trabalhadores, diminuição dos
                                                              lucros e das poupanças, redução da transparência e do
           Simunic (1980) refere  que  as  denominadas  Big-4  e   controlo,  aumento  do  risco  de  crime  económico  e  de
         as restantes empresas de auditoria atuam em segmen-  evasão fiscal e mais erros na contabilidade. Após estas
         tos de mercado distintos. Assim, as primeiras são procu-  conclusões o Swedish National Audit Office (2016) reco-
         radas por clientes cujo impacto social é maior e/ou cujos   mendou a reintrodução da obrigatoriedade das demons-
         custos de agência são mais elevados, em relação aos   trações financeiras das pequenas empresas suecas.
         quais  a  procura  de  auditoria  pode  ser  explicada  pela
         diferenciação do serviço, em que a qualidade é um fator   Nos  Estados  Unidos  da  América  e  no  Canadá,  as
         explicativo. Por sua vez as non Big-4 têm na sua grande   empresas não cotadas não são obrigadas a auditarem
         maioria clientes classificados como PME, que procuram   as suas demonstrações financeiras.
         a auditoria tendo por base a homogeneidade do produto,
         ou  seja,  do  relatório  de  auditoria,  sendo  a  escolha  do   Vários  estudos  procuraram  determinar  quais  as  ra-
         auditor  efetuada  tendo  em  atenção  o  preço  praticado.   zões para que as empresas sujeitem as suas demons-
         Numan & Willekens (2012) demonstram que em merca-    trações  financeiras  a  auditoria  voluntária  das  contas.
         dos onde a empresa líder é uma non-Big 4, os honorá-  Contrariamente ao que acontece com as empresas cota-
         rios cobrados pelos auditores são mais baixos.       das, ou com as grandes empresas, as PME têm custos
                                                              de agência mais baixos. Assim, os conflitos decorrentes
           No entanto, recentes estudos colocam em causa esta   da separação entre a propriedade e a gestão, que são a
         segmentação  do  mercado,  argumentando  que  existe   principal razão para a procura de auditoria nas empre-
         uma interação entre os dois mercados, e que as Big-4   sas cotadas e nas grandes empresas, não se aplicam às
         não restringem os seus clientes às empresas cotadas ou   PME, já que nestas empresas a propriedade é mais con-
         às  empresas  de  maior  dimensão.  (Bills  &  Stephens,   centrada,  muitas  vezes  os  acionistas  são  igualmente
         2016; Keune, Mayhew, & Schmidt, 2016).               administradores, muitas vezes são empresas familiares
                                                              e o acesso por parte dos investidores à informação fi-
           A procura de serviços de auditoria nas PME´s varia   nanceira  é  feito  de  forma  direta  (Petersen  &  Rajan,
         de país para país. A UE tem vindo a reforçar a necessi-  1994).  Empresas  que  apresentem  custos  de  agência
         dade  de  uma  melhoria  no  ambiente  empresarial  das   mais elevados em virtude de conflitos entre detentores
         PME  através  de  uma  redução  dos  custos  administrati-  de capital, bem como empresas com um maior impacto
         vos;  assim,  não  exige  que  as  pequenas  empresas   social e reputacional tendem a procurar voluntariamente
         (menos de 50 trabalhadores e com um volume de negó-  os serviços de auditoria (Langli & Svanström, 2014; Ded-
         cios ou um total de balanço inferior a 10 milhões de eu-  man, Kausar, & Lennox, 2014).
         ros)  auditem  as  suas  demonstrações  financeiras.  No
         entanto, cada país pode legislar sobre as empresas que   No entanto, outras causas são apontadas como fato-
         obrigatoriamente  devem  ser  sujeitas  a  auditoria,  tendo   res  determinantes  na  procura  voluntária  da  auditoria.
         esta obrigatoriedade,  em atenção o ativo, o volume de   Lisowsky & Minnis (2015) e Corten, Steijvers, & Lybaert
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