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trata de uma profissão envelhecida, onde cerca de 41% É necessário, em consequência, a existência de au-
tem uma experiência superior a 20 anos e mais de 55 ditoria através da qual se verifica se as empresas atuam
anos; e que é uma profissão, na sua larga maioria, exer- responsavelmente. Para Sherer & Kent (1983) a audito-
cida por homens. ria é um mecanismo de controlo social da empresa.
Portanto, a procura de auditoria baseia-se na presun-
3.2. A procura de serviços de auditoria ção de que a realidade económica das empresas é ob-
servável, e pode ser verificada através de uma função
A unidade básica de produção de bens e serviços é a específica de controlo ou de revisão da informação fi-
empresa. Nesta existe uma relação de responsabilidade nanceira.
conhecida na literatura especializada como relação de
agência (Jensen & Meckling, 1976, Watts & Zimmerman, Concluímos, assim, que é o risco da informação que
1986). deriva da existência de uma assimetria informativa, que
motiva o interesse de todos os stakeholders, afetados
Estamos a falar em principais: indivíduos a quem se pela atividade da empresa, a procurar um sistema de
exige um comportamento diligente, ou uma conduta controlo que avalie e valide a qualidade da informação
aceitável e os que devem ter esse tipo de comportamen- financeira.
to – os agentes. Mas as relações de responsabilidade
não se confinam à empresa e aos acionistas, na medida Esta atividade deve ter como atributos mais repre-
em que existe um conjunto de stakeholders: consumido- sentativos: avaliação do grau de exatidão e fiabilidade
res, grupos, credores, fornecedores, financiadores, em- que merecem as demonstrações financeiras construídas
pregados, etc., que facultam à empresa um diversificado e divulgadas por uma empresa; avaliação dos riscos
conjunto de recursos. Neste contexto, as relações de associados à continuidade da empresa; avaliação sobre
responsabilidade que surgem em torno da atividade eco- a qualidade da gestão e do controlo interno; declaração
nómica da empresa transcendem as relações de agên- de que a contabilidade está livre de erros e fraudes, e
cia e estendem-se a um conjunto amplo de indivíduos. uma declaração de que a empresa cumpre as suas obri-
gações legais.
Assim, os administradores devem ter uma conduta
diligente na afetação dos recursos que lhes são faculta- Wallace (1985) sugere que a classificação da audito-
dos e devem ser responsabilizados pela sua atuação. ria como um bem público, (conjunção na oferta, impossi-
bilidade de aplicar o princípio da exclusão e efeitos ex-
A administração (os agentes) tem de divulgar uma ternos), impõe a intervenção do Estado no mercado,
ampla variedade de informação financeira, da qual tem o para que se desenvolva uma procura de auditoria sufici-
respetivo controlo na sua construção e na sua divulga- ente para garantir o bem social.
ção.
Portanto, não existe uma procura direta de auditoria,
Existe, deste modo, um contexto de assimetria infor- porque ela não pode ser provida pelas forças livres do
mativa passível de permitir aos agentes incentivos para mercado, e daí que o Estado regulamente a auditoria
utilizar a informação financeira como meio para obter para que as empresas apresentem as suas demonstra-
rendas económicas, ou para realizar transferências entre ções financeiras auditadas.
vários stakeholders: surge, assim, a necessidade de
existência de um meio de controlo externo que informe É a teoria do interesse público que sustenta que a
sobre a qualidade da informação divulgada. regulamentação se fundamenta na procura do bem pú-
blico, corrigindo, deste modo, as ineficiências do merca-
Segundo Lee (1996), é imprescindível um sistema do (Stigler, 1971; Posner, 1974).
que faça a cobertura do risco de informação, uma vez
que existem dúvidas e incertezas sobre o conteúdo da A procura da auditoria em Portugal deriva de uma
informação financeira. obrigatoriedade legal. Assim, para além de todas as so-
ciedades anónimas e das sociedades por quotas que,

