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         transcendente  importância  na  sociedade  atual,  pela   Estamos a discutir um campo fundamental da auditoria,
         crescente pressão social no sentido de responsabilizar   no seu desenvolvimento prático, que é o chamado con-
                                                                              4
         as organizações. Esta situação impõe a necessidade de   trolo de qualidade , cujos mecanismos mais importantes
         um exame externo para validar a qualidade das práticas   são o cumprimento das normas e os padrões de ética e
         de gestão, sobretudo dos sistemas de controlo impostos   deontologia profissionais. Ambos devem ser observados
         internamente ou pelas entidades reguladoras. A audito-  pelos auditores, quer quando validam as demonstrações
         ria evoluiu, assim, para o controlo de todos os controlos   financeiras, quer quando desenvolvem outros serviços.
         implementados na organização.
                                                                  A  auditoria é  um  serviço  particular de  confirmação
            Conclui-se, em resumo, que a auditoria se posicio-  porque  se  desenvolve  no  cumprimento  do  referencial
         na, presentemente, como uma componente da estrutura   contabilístico, utilizando no seu processo um conjunto de
         da sociedade, e, neste sentido, contribui para o seu bem  normas emanadas de um contexto social, algo comple-
         -estar, sendo interpretada como um mecanismo preven-  xo, que reflete objetivos e decisões de carácter conflitu-
         tivo de controlo social que reduz o risco de os adminis-  ante, daí a necessidade de avaliar de forma equilibrada
         tradores da gestão da empresa modificarem as demons-  cada  norma,  mantendo  a  sua  neutralidade  e  equidade
         trações  financeiras.  É  exigida  como  uma  solução  para   em relação aos grupos interessados. Inicialmente, a au-
         problemas  relacionados  com  a  responsabilidade,  a   ditoria foi interpretada como um conjunto de técnicas de
         transparência e o controlo. Enquadra-se, aqui, a respon-  análise e investigação, considerando o conjunto dos utili-
         sabilidade social do auditor no desenvolvimento da sua   zadores como uma variável exógena. Todavia, a audito-
         profissão  de  interesse  público,  pela  sua  identificação   ria inserida numa relação de accountability (Flint, 1988),
         com o bem-estar coletivo da comunidade de pessoas e   em que a sua procura é gerada pela existência de dúvi-
         instituições que o auditor serve.                    da na relação de prestação de contas, pela sua comple-
                                                              xidade e distanciamento entre os que providenciam os
            2.  A auditoria como atividade regulada           recursos e os que os gerem (Johnstone, Gramling e Rit-
                                                              tenberg, 2018), assume uma dimensão social ao afetar o
            Sendo  a  informação  auditada  um  bem  público   comportamento humano e por sua vez a envolvente eco-
         (Wallace, 1980), a intervenção da regulação destina-se   nómica.
         a colmatar uma eventual infra produção, caso essa regu-
         lação  não  existisse.  O  seu  primeiro  objetivo  é  manter   O processo normalizador, em contabilidade e audito-
         uma  qualidade  elevada  de  serviço,  por  intermédio  da   ria, é consequência do chamado efeito económico das
         monitorização  das  atividades  dos  auditores.  Uma  das   normas,  isto  é,  os  efeitos  económicos  do  impacto  das
         componentes fundamentais da manutenção da qualida-   demonstrações  financeiras  auditadas  sobre  a  conduta
         de é a regulação, que tanto pode ser realizada dentro da   daqueles que tomam decisões nos negócios e de uma
         organização – autorregulação - como fora da organiza-  maneira geral sobre os stakeholders. Como atualmente
         ção – regulação externa - (Diez, 1996).              há um consenso generalizado de que se deve ponderar
                                                              o  impacto  económico  na  elaboração  das  normas
            O mecanismo da autorregulação é efetuado dentro   (Martínez,  2002;  Zeff,  1978),  a  sua  consideração,  nos
         do corpo profissional (CPA, ICJCE, OROC) , enquanto   modelos contabilísticos, contribui para uma maior credi-
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         que  o  mecanismo  da  regulação  externa  pode  emanar   bilidade,  profissionalismo  e  responsabilidade  face  ao
         das bolsas de valores (CMVM, AICPA, PCAOB ). Ambos   utilizador.
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         monitorizam o desempenho dos auditores, impondo uma
         adequada disciplina (Weirich, Pearson e Churyk, 2009).    A interação existente entre a contabilidade, a audito-
            A  segunda  componente  da  qualidade  dos  serviços   ria e a economia é patente, pelo que a existência de im-
         está associada à responsabilidade legal dos auditores .   plicações  económicas  na  elaboração  das  normas  de
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                                                              contabilidade  e  auditoria  têm  levado  os  poderes  públi-
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         1  Certified Public Accountants (USA), Instituto de Censores Jurados de Cuentas de España
         (Spain), Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (Portugal)   ral de bem-estar social, a uma intervenção no processo
         2  A Public Company Accounting Oversight Board - PCAOB - eliminou uma grande parte da autor-
         regulação, sobretudo, para os auditores que auditam as companhias cotadas (Whittington e   ——————————————————————
         Pany, 2010).                                         4  Atualmente o controlo de qualidade é exercício pela CMVM e pela OROC
         3  Negligência ordinária, negligência grave e fraude.
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