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         prietários  pelos  gestores  em  ordem  a  minimizarem  os   ticos  que  permitem  a  produção  de  informação  sem  a
         custos atrás citados. A teoria da agência, segundo She-  intervenção do contabilista. Desta forma, o valor da qua-
         rer e Kent (1983), justifica a existência da auditoria esta-  lidade da informação tem uma importância fundamental
         tutária na sociedade. O desenvolvimento socioeconómi-  num mundo em que os ritmos de transformação e mu-
         co  da  auditoria  esta  ligado  umbilicalmente  à  regra  da   dança são rápidos, ao reduzirem aceleradamente o ciclo
         instituição do accountability, cada vez com mais profun-  de vida dos produtos e transformarem a vantagem com-
         didade, nas sociedades atuais. Daqui decorrem mudan-  petitiva em ativo de curto prazo, o que implica a gestão
         ças profundas na abordagem das responsabilidades dos   do seu potencial de forma rápida e completa. Daí que o
         auditores,  e  a  exigência  de  uma  maior  intervenção  na   acesso à informação, em tempo real, seja uma necessi-
         prevenção e deteção de fraude nas empresas e o repor-  dade básica inerente à própria sobrevivência da organi-
         te, de uma maneira mais explicita, da problemática da   zação.
         continuidade da empresa. Delimitado o tema, no segun-
         do capítulo analisaremos o valor da informação apresen-  Com  efeito,  o  modo  como  se  trabalha  e  negoceia
         tada e divulgada pela contabilidade e validada pela audi-  em todo o mundo reflete a passagem de uma economia
         toria,  focando  os  indutores  de  mudança,  bem  como  a   de manufatura para uma economia baseada no serviço,
         necessidade  de  utilização  de  outro  tipo  de  informação   na informação e no conhecimento. A necessidade de os
         não financeira, para que a empresa sobreviva e mante-  decisores atuarem rapidamente advém do elevado nível
         nha a sua capacidade competitiva. No terceiro capítulo,   de  incerteza  e  complexidade do  mundo  empresarial,  e
         abordamos a regulamentação da auditoria, indispensá-  acelerou,  por  outro  lado,  a  procura  de  novos  tipos  de
         vel para  suprir falhas  do  mercado.  No quarto  capítulo,   informação  relacionados  com  a  análise  e  a  gestão  do
         apresentamos  o  modelo  de  accountability  de  Laughlin,   risco,  fruto  da  maior  exposição  das  empresas  a  uma
         que  relaciona  a  contabilidade  com  o  processo  de  ac-  envolvente  instável,  gerada  pela  sua  participação  no
         countability,  a  sua  importância  para  a  problemática  da   mercado  global.  Esta  situação  desvalorizou  o  valor  da
         prestação de contas. No quinto capítulo apresentaremos   informação  histórica  contida  nos  relatórios  financeiros
         as conclusões.                                       tradicionais, sendo, por isso, objeto de menor confiança
                                                              e  sugere  a  necessidade  de  ajustamentos.  Em  conse-
            1.  Valor da informação, contabilidade e auditoria   quência,  propõe-se  que  as  empresas  divulguem,  cada
                                                              vez com mais profundidade e extensão, informação não
            Discutem-se,  inicialmente,  os  chamados  indutores   financeira e informação relativa ao risco do negócio. Daí
         de  mudança  –  evolução  tecnológica,  globalização  e  a   ponderar-se,  atualmente,  o  alargamento  do  âmbito  e
         concentração  de  poder  financeiro  em  certos  investido-  alcance do reporting financeiro.
         res. O primeiro reduz o custo de preparação e dissemi-
         nação da informação, produz novas ferramentas de co-     Propõe-se aos utilizadores da informação financeira
         municação,  possibilita  um  rápido  acesso  ao  conheci-  que encarem a contabilidade como uma construção con-
         mento e elimina ou diminui, de forma drástica, os cons-  tingente que, num contexto histórico e económico dado,
         trangimentos temporais de acesso aos dados financeiros   tenta,  num  quadro  de  princípios  geralmente  aceites,
         divulgados  pelas  empresas.  O  segundo  permite  que  o   apreender os factos económicos, utilizá-los e divulgá-los
         mundo  seja  considerado  um  mercado  global,  facilita  a   para o exterior, tendo subjacente o referencial contabilís-
         agregação instantânea da informação, e faculta aos con-  tico. Por isso, o enfoque clássico da medida em contabi-
         sumidores a compra de produtos no exterior e no merca-  lidade, essencialmente quantitativista e apoiado no siste-
         do local com a mesma facilidade. O terceiro outorga aos   ma digráfico, limita o tamanho e o tratamento dos factos
         fundos mútuos de pensões posições importantes na es-  económicos,  ao  apoiar-se  numa  estrutura  calculatória
         trutura acionista de muitas empresas, e, dada a sua im-  baseada na aritmética elementar. O síndrome da exati-
         portância social como estabilizadores do sistema econó-  dão  produz  uma  extrema  dificuldade  de  numeralizar  a
         mico,  suscitam  novas  necessidades  de  informação  a   informação imprecisa, vaga e incerta.
         prestar  pelos  responsáveis  de  gestão  das  empresas.
         Assim, o antigo modelo que assumia a informação como     Deste modo, o valor da informação produzida e di-
         um bem de custo elevado, está, hoje, desajustado face à   vulgada  pelas empresas,  tendo  em  conta  o  referencial
         situação de o mercado ter disponíveis sistemas informá-  contabilístico, é extremamente reducionista. De facto, a
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