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         maiores previsões ao nível da receita (8.105,5 M¤), levan-  4.4. Análise do período 2005 versus 2009, 2012 e
         do  ao  abate  destes  encargos  suportados  pelo  Governo    2014 no setor rodoviário
         Português, o que se traduziu num montante de 12.623,7
         M¤ de previsões de encargos totais líquidos. Embora não   Neste  ponto  será  feita  uma  comparação  entre  os
                                                                                       5
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         houvesse  qualquer  valor  de  encargos  nas  previsões  do   anos de 2005 , 2009 , 2012  e de 2014  de modo a avali-
                                                                           3
         setor ferroviário nos anos 2012 e 2013 no relatório do OE   ar  a  precisão  dos  cálculos  das  previsões  referentes  a
         para 2010, essa realidade mudou no relatório do OE para   encargos com PPPs. A análise consistirá em perceber se
         2012, no qual os valores para este setor terão sido renego-  as previsões calculadas em 2005 se refletem nos restan-
         ciados e desta forma recalculados.                     tes anos.

            No relatório do OE para 2013 conseguimos observar      Comparando  as  previsões  realizadas  nos  relatórios
         um decréscimo nas previsões de encargos líquidos totais   de OE para 2005 e para 2009, constata-se que em 2005
         face ao OE para 2012, decréscimo esse que representou   não  se  previam  grandes  investimentos  adicionais  neste
         cerca de 2.283,9 M¤, tendo-se devido em grande parte às   setor, daí o término das previsões neste campo se apre-
         previsões de receita calculadas (5.491,8 M¤) nesse mesmo   sentarem no ano 2031, tendo o valor previsto nunca ultra-
         ano. Com o objetivo de alcançar uma significativa redução   passado os 755,1 M¤. No relatório do OE para 2009, ob-
         nos  encargos  suportados,  foi  delineada  uma  estratégia   serva-se  que,  de  facto,  as  previsões  reportadas  para
         pelo Estado que visava a conclusão da renegociação de   2010 e 2011 coincidem com o OE para 2005 no mesmo
         contratos de PPPs do setor rodoviário. Esta medida seria   período.  No  OE  para  2009  é  apresentado  um  cenário
         aplicada a todos os projetos que se demonstrassem alta-  mais otimista relativo a 2012 e 2013, quando em compa-
         mente dispendiosos para as contas públicas, pelo que as   ração com o OE para 2005. Com o lançamento a concur-
                                                                                        7
         previsões do total de encargos líquidos terão sido calcula-  so público de vários projetos  no último trimestre de 2008,
         das nesse sentido, razão que pode explicar esta redução   as previsões de encargos para este setor no relatório de
         significativa de encargos (Ministério das Finanças, 2013).   OE  para  2009  subiram  abruptamente  nas  previsões  do
         Apesar  disto,  verificou-se  uma  subida  nas  previsões  de   ano 2014 (1.123,8 M¤), apresentando posteriormente um
         encargos líquidos totais de 787 M¤ face ao ano transato,   novo pico em 2018 no valor de 1.260,4 M¤, tendo corres-
         registando nesse ano um total de 11.126,7 M¤.          pondido a uma diferença de 564,6 M¤, face ao relatório
                                                                do OE para 2005. Apesar da diferença significativa entre
            Deste ano em diante é possível observar o decrésci-  estes dois períodos de análise a partir de 2014, ambos
         mo,  embora  não  acentuado,  de  encargos  associados  a   apresentam uma tendência decrescente a partir de 2020.
         projetos sob a alçada de PPPs. A partir das previsões de   No caso das previsões realizadas no OE para 2012, ob-
         encargos totais líquidos é possível concluir que o decrésci-  serva-se que o valor de encargos anteriormente previstos
         mo registado no valor de 1.431,9 M¤ é fruto das renegocia-  no OE para 2005 e 2009 para o ano de 2011 não corres-
         ções levadas a cabo pelo Governo Português, tendo possi-  ponderam à realidade. Esta informação encontra-se apre-
         bilitado uma poupança significativa. No entanto, uma outra   sentada  nos  Gráficos  4  e  5.  No  relatório  de  OE  para
         causa pode explicar a dedução da previsão de encargos   2012, o valor gasto estimado apresentado no ano 2011
         neste ano. Terão sido considerados pela primeira vez valo-  terá sido 516,9 M¤ e 529,6 M¤ mais elevado do que o
         res referentes a receitas proveniente do setor Aeroportuá-  que havia sido previsto nos relatórios do OE para 2005 e
         rio, associados ao contrato de concessão de serviço públi-  para 2009, respetivamente.
         co  Aeroportuário  na  Região  autónoma  dos  Açores  e  em
         Portugal Continental, celebrado entre o Estado Português   Adicionalmente, começa a ser notório o impacto das
         e a ANA, S.A. Ao celebrar este contrato, a concessionária   receitas nos encargos referentes a este setor. Como de-
         ANA, S.A fica obrigada a reembolsar o estado Português   monstrado nos Gráficos 4 e 5, os encargos previstos no
         com uma taxa, previamente acordada, sobre as prestações   OE para 2012 são os mais elevados da análise, atingindo
         de serviços comerciais, prestações de actividade e servi-
         ços aeroportuários, e outras que estejam directamente re-  ——————————————————————
                                                                 3  Marcado como o início da série, onde começou a haver informação orçamental referente
         lacionadas à actividade de gestão da referida concessão, a   às PPPs.
         partir do décimo primeiro ano após a celebração do referi-  4  Que se definiu como o fim da primeira série, por ser o último ano onde não foram conside-
                                                                  radas quaisquer receitas.
         do contrato, ou seja, 2023 (Ministério das Finanças, 2019).   5  Marcado como o início da segunda série, onde, para efeitos deste estudo, se começaram
                                                                  a considerar receitas provenientes do setor rodoviário.
                                                                 6  Entrada de novas PPPs.
                                                                 7  AE Transmontana, Douro Interior, Baixo Tejo, Baixo Alentejo, Litoral Oeste, AE do Centro,
                                                                  Algarve Litoral e Pinhal Interior (Ministério das Finanças, 2009).
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