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            i.  As decisões devem recair sobre projetos prioritários   ção, como no caso do último, pode gerar dois tipos de pro-
              ou que sejam altamente proveitosos.             blemas: (i) Um elevado, e extremamente oneroso, volume
                                                              de encargos que, no médio prazo constitui um risco para a
            ii. A escolha entre PPPs e financiamento público tradi-  sustentabilidade das finanças públicas; (ii) Existe o risco de
              cional deve ser feito com base no VfM.
                                                              haver  um  investimento  excessivo  em  infraestruturas,  que
            iii. Decisões referentes a despesas devem ser consis-  muitas das vezes por falta de racionalidade económica, se
              tentes de modo a não afectarem a sustentabilidade   podem  classificar  como  desnecessárias.  Apesar  de  não
              fiscal, tendo sempre em conta o impacto que este   impactarem o défice orçamental no imediato, e por falta de
              tipo de programas pode ter nas finanças públicas a   percepção dos custos associados, as erradas decisões de
              médio longo prazo.                              investimento constituirão certamente encargos que coloca-

                                                              rão  a  saúde  das  finanças  públicas  em  risco  (Sarmento,
            O elevado recurso às PPPs como realização de inves-  2014a).
         timento público em infraestruturas por parte de alguns paí-
         ses levantou o possível problema da desorçamentação, e   O uso de PPPs tem sido alvo de um elevado número
         de  como  este  tipo  de  financiamentos  a  estaria  a  ocultar   de  críticas  por  diversos  motivos,  principalmente  pela  sua
         custos futuros nas contas públicas de muitos desses paí-  desapontante  eficiência  (Glaister,  1999).  No  entanto,  os
         ses  (Sarmento,  2013).  Segundo  a  Unidade  Técnica  de   dois pontos mais controversos referentes a estas parcerias,
         Apoio Orçamental (UTAO, 2007), as características orça-  prendem-se com o facto de as mesmas não gerarem Value
         mentais das PPPs traduzem-se: (i) na saída temporária do   for Money, bem como o facto de os projetos a estas associ-
         Orçamento de Estado, atenuando assim, com tudo o resto   ados serem iniciados com base em induções de desorça-
         constante, o impacto negativo ao nível do saldo orçamen-  mentação (Grimsey and Lewis, 2005). Para combater este
         tal; (ii) traduzem-se também no registo do financiamento de   fenómeno, Mühlenkamp, (2014), argumenta que o proces-
         infraestruturas de uso público fora do Orçamento de Estado,   so orçamental deverá servir para o controlo do elevado uso
         não impactando a dívida pública. Abrindo portanto, portas a   de PPPs, Sendo que o Value for Money, deverá ser uma
         eventuais contornos das restrições orçamentais sobre o inves-  medida  de  avaliação  de  qualquer  projeto  que  esteja  em
         timento público.                                     consideração. Contudo, o autor comenta ainda que a última
                                                              é vulnerável no que toca a manipulação. Sendo então, ex-
            Como anteriormente referido, o recurso a PPPs permi-  tremamente importante, a consideração de todas as variá-
         tiu que se iniciassem projetos de infraestruturas, que por   veis comportadas por este tipo de projetos.
         outra via não seriam possíveis dadas as restrições orça-
         mentais  impostas,  bem  como  o  risco  a  estas  associado   3.O caso Português das PPP
         (Sarmento, 2014a). No entanto, Funke, et al. (2013), discu-
         te  que,  se  o  acesso  a  financiamento  público  tradicional   Segundo Sarmento e Renneboog (2014), nas últimas
         para projetos de infraestruturas é insustentável para o país,   décadas tem-se verificado um desenvolvimento económico
         então, é muito provável que o mesmo aconteça com o re-  acentuado, que muito se deveu à entrada de Portugal na
         curso a PPPs para o mesmo tipo de projetos. Constatando   União Europeia, em 1986. Esta entrada levou a que os indi-
         que, se o Estado consegue assumir o projeto sob a alçada de um   cadores socioeconómicos do País aumentassem, tornando,
         esquema de PPP, também o poderia assumir por si só através   um  país  outrora  subdesenvolvido,  num  país  com prospe-
         de financiamento público tradicional.                ções de futuro e com capacidade de estar ao nível da mé-
                                                              dia Europeia.
            Com  fortes  argumentos  a  suportar  este  esquema  de
         parcerias,  afirma-se  que  o mesmo  se  revela  eficiente  no   A partir da década de 90 as PPPs começaram a ser
         que respeita à redução de custos. Suporta-se ainda que a   utilizadas como forma de “combate“ ao fosso existente no
         eficiência deste advém também do cumprimento da pontu-  que tocava a infraestruturas. Portugal encontrava-se muito
         alidade na entrega de grandes projetos de infraestruturas,   aquém neste campo, especialmente quando comparado a
         bem  como,  da  não  alteração  dos  outputs  previamente   outros países da UE. Percebeu-se que as PPPs eram, de
         acordados. Todavia, este sistema é muitas vezes criticado   facto, a opção mais viável, pois estas permitiam que o País
         pela utilização dúbia feita por parte dos Governos, onde,   recuperasse  antigas  infraestruturas  e  começasse  novos
         como acontece em Portugal, devido ao défice orçamental   projetos sem colocar a saúde e a sustentabilidade das fi-
         acentuado existente, estes se sentem tentados a utilizar as   nanças  públicas  em  causa  (Sarmento  and  Renneboog,
         PPPs para evitar restrições orçamentais. A desorçamenta-  2017).
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