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         dos  inicialmente,  e  não  na oferta  mais  baixa.  De  acordo   “invisível” nas contas públicas. Aqui, o custo de oportunida-
         com Shaoul (2005), VfM é também associado aos três Es:   de em forma de falta de receitas em anos posteriores aca-
         economia,  eficácia  e  eficiência.  Segundo  Siemiatycki,  e   ba por ser também invisível de alguma forma.
         Farooqi (2012), a comparação financeira do VfM baseia-se
         em três fatores: (i) nos custos brutos base da construção,   Segundo Funke, et al. (2013), contratos de PPPs criam
         financiamento e no custo de oportunidade de realizar um   fluxos de caixa para o governo, ao contrário daqueles cria-
         projeto comparável utilizando uma PPP versus a utilização   dos a partir de financiamento público, em que o governo
         da abordagem tradicional de procurement; (ii) na quantida-  paga pelo investimento na íntegra, tendo que, muitas ve-
         de de risco retida; e (iii) nos custos de transação. Siemia-  zes recorrer a empréstimos para o efeito. Numa PPP finan-
         tycki e Farooqi (2012), afirmam que o objetivo do  VfM é   ciada pelo governo, o órgão público pode acordar realizar
         avaliar  se  as  vantagens  inerentes  ao  modelo  das  PPPs   os pagamentos apenas quando o serviço for prestado, e se
         comportam ou não, benefícios mensuráveis. O Public Setor   este agir em conformidade com as especificidades do con-
         Comparator  (PSC)  é  a  diferença  financeira  (VAL  (Valor   trato,  resultando  em  pagamentos  deferidos.  A  entidade
         Atual Líquido)) resultante entre as opções de realizar um   privada,  por  outro  lado  poderá  acordar  pagar  o  total  do
         projeto financiado por uma PPP e a realização do mesmo   investimento da construção do ativo se o governo concor-
         projeto financiado publicamente (Sarmento, 2010). Este é   dar  em  cobrir  os  custos  esperados  da  construção,  verifi-
         conhecido  por  ser  utilizado  como  referência  para  o  VfM,   cando-se uma vez mais o diferimento de pagamentos. Nu-
         baseando-se no nível de inovação, eficiência e transferên-  ma concessão financiada pela utilização pública, em que
         cia de risco das entidades privadas vencedoras dos con-  os custos são cobertos pelas taxas de utilização, o governo
         cursos públicos (Khadaroo, 2008).                    não tem de efectuar qualquer tipo de pagamento, não tiran-
                                                              do  também  qualquer  proveito  da  receita  gerada.  Sendo  o
            Como previamente referido, as PPPs apelam ao inte-  VAL igual a zero.
         resse  dos  governos  porque  oferecem  novas  formas  de
         prestação de serviços públicos, que acabam por ser mais   Shaoul, et al., (2012), argumentam que as PPPs, mui-
         eficientes que o tradicional financiamento público. São tam-  tas vezes acabam por custar ao governo mais do que aqui-
         bém extremamente atractivas para o governo porque per-  lo que foi orçamentado, mas que o mesmo se verifica em
         mitem  que  existam  novos  investimentos  a  ser  realizados   projetos  financiados  tradicionalmente  (Flyvbjerg,  et  al.,
         sem  um  incremento  imediato  nos  gastos  públicos  ou  na   2003).
         divida pública. O segundo motivo descrito para a utilização
         de PPPs, assenta numa ilusão, isto porque, na ausência   Em  países  subdesenvolvidos,  é  recorrente  o  uso  de
         de ganhos por eficiência, as PPPs e os projetos financia-  PPPs financiadas por taxa de utilização para projetos de
         dos por um órgão público acabam por ter o mesmo impac-  grande  dimensão.  Isto  acontece  quando  o  órgão  público
         to nas finanças públicas a longo prazo. Em algumas parce-  em questão tem recursos insuficientes para o financiamen-
         rias público-privadas, o governo difere os pagamentos efe-  to do projeto. Esta medida é arriscada pois, se as receitas
         tuados, mas tem sempre de pagar o custo total do projeto.   geradas não forem suficientes para cobrir os custos ineren-
         Noutras, este concede o direito às PPPs, de arrecadarem   tes ao projeto, as perdas traduzir-se-ão num aumento da
         as taxas de utilização pública (Funke, et al., 2013).   carga fiscal (Funke, et al., 2013), assim, obrigações fiscais
                                                              geradas pelas PPPs devem ser analisadas e reportadas de
            Segundo  Mühlenkamp  (2014),  projetos  financiados   modo a promover a transparência fiscal (IMF, 2012).
         tradicionalmente  resultam  em  altos  encargos  financeiros
         para o governo numa fase inicial tendo consequentemente   De acordo com Funke, et al. (2013), o orçamento de
         baixos proveitos em fases seguintes. Em contrapartida, no   estado é onde as decisões em relação a gastos relativos a
         caso de se optar por um projeto financiado por uma PPP a   investimentos  são  realizadas.  Os  processos  orçamentais
         obrigação de pagamento por parte da entidade pública é   determinam se o investimento público a ser feito constitui
         transferida  para  fases  posteriores.  Assim,  ao  abrigo  de   ou não uma despesa prioritária ou se não afeta a sustenta-
         uma PPP, a despesa pública referente ao projeto, só será   bilidade das finanças públicas.
         refletida após o órgão público ter começado a efetuar os
         pagamentos. Se o projeto for pago diretamente à entidade   Posto isto, Hemming (2006), constata que o processo
         privada por via de taxas de utilização pública, significa que   orçamental  deve  ter  em  conta  alguns  princípios  no  que
         o organismo público não é responsável por qualquer paga-  toca às PPPs:
         mento.  Fazendo  com  que  o  projeto  seja  quase  como
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