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R O REI VAI NU
E
V
I Pensando em Estratégia
S
T
A
Raul A. Guimarães
D Doutor em Gestão
E Docente da Universidade Fernando Pessoa
C
O Introdução 1. os Administradores nem sempre têm visão global,
N
T Neste artigo, ao fazer uma “colagem” a um conto infantil, 2. a maioria das decisões visam criar “óptimos locais”
A procura-se, por decalque, estabelecer a comparação crí- e não o “óptimo global”,
B tica entre este e as modernas orientações sobre a cons-
I trução de uma estratégia. 3. são criados atritos de comunicação entre funções, e
L
I 4. existe a inibição de atingir soluções interfuncionais;
D Sem perder o fio da história, que constitui o pano de
A fundo, evidencia-se a necessidade da construção de um
D sistema de informação que será a base das decisões es-
E tratégicas. por isso, são mais vulneráveis e porque não lhes agrada
aceitar a verdade contida na frase de John Churton Col-
E lins “DESCONFIE SEMPRE DE UM SUBORDINADO
Não há melhor que o recurso a um conto infantil para de- QUE NUNCA ENCONTRA DEFEITOS NO SEU SUPE-
F linear uma estratégia de gestão, porque, como dizia Fur- RIOR”.
I lan (1971), as coisas demasiadamente elaboradas
N acabam por falsear a realidade e criar o desinteresse. O tal rei da fábula, rodeado por aduladores, desconhecia
A estes conceitos e tornou-se vulnerável ante os dois vi-
N garistas encartados e recomendados.
Ç
A Ser ou não ser estratégia
S Analisemos aqueles quatro itens. A visão global implica
a mudança de paradigma, logo torna-se mais apelativa e
N.º A história que vou “recontar” foi escrita pelo dinamarquês evidencia um sucesso rápido: a criação de óptimos lo-
106 Hans Christian Andersen e refere-se a um rei amado cais. Isto leva a um atrito entre funções, pois há confli-
tualidade entre estas. Sempre que uma “cresce” em
pelo seu povo. Um dia apresentaram-se diante dele dois
impostores que se faziam passar por alfaiates diploma- responsabilidades atribuídas, “destrói” as outras e, por
dos. Diziam que não só conseguiam fazer trajes muito isso, as soluções interfuncionais são inibidas. Ante este
cenário – o mais comum – o rei não aceita as ideias da-
bonitos, com cores e padrões maravilhosos, como tam-
bém eram capazes de dotá-los de uma qualidade ex- queles que lhe encontram defeitos, sentindo-se lison-
jeado com a ausência de críticas. Afinal ele é o rei!
traordinária: ficavam invisíveis diante de qualquer pessoa
que não fosse qualificada para o cargo que ocupava. O O rei desconhecia que se torna importante começar por
18 rei acreditou, os seus ministros gabaram-lhe a ideia e o fazer o estudo de tudo o que possa vir a influenciar a de-
gosto, fizeram passar a mensagem e o povo – porque
queria passar por qualificado – viu o que não podia ver. cisão, a qual pode permitir atingir a meta proposta.
Só um miúdo, na sua ingenuidade, é que viu a realidade:
o rei ia mesmo nu! A questão que se coloca, habitualmente, é saber se
existe informação para tomar “esta” decisão, quando de-
veria ser a de que informação se necessita para tomar
À porta das empresas, todos os dias batem os tais al-
“esta” decisão. A informação é um dos inputs-chave do
faiates, transvestidos de “gurus”, trajando finos fatos e
J processo de decisão.
u gravatas apelativas, na cabeça tanta brilhantina como
l ideias velhas demolhadas em perfume barato e que, tal É evidente que os dois “alfaiates” não queriam revelar se
h como as sereias de Ulisses, encantam com a sua verve, tinham identificado aquilo que podia “correr mal”, ao
o fazendo acreditar que sendo detentores de toda a ver-
serem estabelecidos os critérios-chave de êxito para a
dade sustentada, por ventura, em extenso curriculum,
/ decisão que pretendiam tomar, e qual o impacto se efec-
estão pré destinados – porque a receita, eles já a têm – tivamente corresse mal.
S a salvar a empresa, implementando “novas” estratégias
e rumo ao sucesso. Para Zorrinho (1991), “( …) o objectivo racional da ges-
t
e tão moderna é decidir tão depressa quanto possível e
m Em gestão não há ”encantamentos” nem o sucesso é com a menor probabilidade de erro [redução da incer-
b fácil. Existem leis e princípios e tudo gira à volta da cor- teza], dentro dos parâmetros de risco que a empresa se
r recta informação. Vender tecido invisível, que só os inte- dispõe a assumir“.
o
ligentes vêem, é o mesmo que condenar uma empresa
2 a uma morte anunciada, mesmo que esta possa tardar. É um erro não identificar o grau de necessidade de uma
0 Aqueles que querem contratar “gurus salvadores” têm de informação ou não reconhecer a importância de uma in-
1 entender que: formação certa, para uma decisão eficaz. No entanto, as
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