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         propriamente no sistema normativo português, colocam   significativo o valor goodwill durante os exercícios eco-
         em  causa  a  obtenção  de  uma  imagem  verdadeira  e   nómicos de 2015 a 2017 e o mesmo ter ocorrido essen-
         apropriada  da  posição  financeira  das  empresas  que   cialmente nos períodos de mudança de sistema normati-
         compõem a amostra, através do uso artificial de práticas   vo, faz prever que existe aqui um certo aproveitamento
         de  manipulação  da  informação  financeira  por parte  do   das  referidas  alterações  por parte  do  órgão  de  gestão
         órgão de gestão enquanto responsável pela preparação   das empresas, visando ajustar os resultados presentes e
         da mesma, conforme já havia sido corroborado por Fran-  futuros  aos  níveis  projetados,  através  dos  gastos  que
         cis et al. (1996).                                   pudessem vir a ser reconhecidos sobre o goodwill, o que
                                                              configura o uso de técnicas de manipulação de resulta-
            Neste  sentido,  verificámos  que  a  generalidade  das   dos.
         empresas que compõem a amostra, durante os períodos
         em análise, abdicaram do SNC em detrimento das IAS/     Relativamente ao reconhecimento dos gastos sobre
         IFRS como sistema normativo contabilístico adotado na   o  goodwill,  foi  possível  verificar  que  as  amortizações
         preparação  das  suas  demonstrações  financeiras.  A   reduziram de forma mais significativa o seu valor, quan-
         substituição  de  sistema  normativo  ocorreu  essencial-  do comparadas às perdas por imparidade. Os resultados
         mente  no  período  que  ficou  marcado pela  entrada  em   alcançados podem ser explicados pelos diferentes níveis
         vigor das alterações ao SNC, sistema que vinha sendo   de  obrigatoriedade  a  que  estão  sujeitos  os  diferentes
         adotado por todas as entidades.                      gastos que incidem sobre o  goodwill, pois, apesar dos
                                                              problemas  associados  à  definição  da  vida  útil  do  go-
            A alternância do sistema normativo referida anterior-  odwill que serve de base ao cálculo das amortizações, a
         mente,  teve  idênticos  reflexos  no  modelo de  mensura-  adoção deste modelo de mensuração subsequente im-
         ção subsequente que o goodwill detido pelas empresas   plica  sempre  o  reconhecimento  do  respetivo  gasto
         foi  sujeito  nesse  período.  Assim,  foi  possível  verificar   (amortização), ao invés das perdas por imparidade, em
         que o goodwill na maioria das empresas durante os três   que o uso em exclusivo dos teste de imparidade e o cor-
         exercícios económicos em análise alternou entre os tes-  respondente reconhecimento do gasto associado, é efe-
         tes de imparidade em 2015, amortização sistemática em   tuado tendo  por base  estímulos  do órgão de  gestão e
         2016 e novamente testes de imparidade em 2017 fruto   não  através  de  fatores  financeiros,  conforme  já  havía-
         da mudança do SNC para as IAS/IFRS.                  mos analisado.

            Se as mudanças de sistema normativo e consequen-     Por fim, as dificuldades em definir, delimitar e calcu-
         tes alterações do modelo de mensuração subsequente   lar o valor recuperável das UGC que estão associadas
         do goodwill já fragilizavam a comparabilidade e a fiabili-  ao  goodwill,  aquando  da  utilização  em  exclusivo  dos
         dade  da  informação  financeira  das  empresas,  a  diver-  testes de imparidade como modelo de mensuração sub-
         gência da  vida  útil utilizada  no  cálculo  da amortização   sequente, concorrem a par dos estímulos do órgão de
         aquando da adoção deste modelo por parte das empre-  gestão para o não reconhecimento de perdas por impari-
         sas, possibilita o não cumprimento das referidas qualida-  dade  sobre  o  goodwill  e  simultaneamente  traduzem  o
         des da informação financeira. A subjetividade inerente à   processo complexo em que a realização dos testes por
         determinação da vida útil do goodwill, e que está implíci-  imparidade sobre o goodwill estão embebidos, conforme
         ta  nas  normas  reguladoras  desta  matéria,  permitiram   já  havia  sido  corroborado  anteriormente  por  Carvalho
         que o órgão de gestão possa definir a vida útil do  go-  (2015) e Qasim et al.  (2013).
         odwill  e,  consequentemente,  este  seja  amortizado  em
         função de incentivos ao invés do desempenho económi-    5.  Conclusão
         co e da vida útil das UGC que estão na sua origem. Esta
         constatação  já  havia  sido  evidenciada  nos  estudos  de   5.1. Conclusões gerais
         Carvalho, (2003, 2015); Giner e Pardo, (2015); Hassine
         e Jilani, (2017); Poll, (2004) e Van de Poel et al., (2008).   As  mudanças  registadas  ao  nível  da  mensuração
                                                              subsequente do goodwill nos últimos anos em Portugal,
            Já  o  facto  do  movimento  de  regularização/   onde a prática da amortização deu lugar à realização de
         reclassificação ter sido aquele que afetou de forma mais   testes de imparidade após a emissão da IFRS 3, e já em
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