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R gar o momento de constituir uma Comissão de Nor- Francês. Por exemplo, passou-se a dizer Imobiliza-
E malização que pusesse alguma ordem nas práticas ções Corpóreas em vez de Activo Fixo.
V da Contabilidade e a conduzisse no futuro. A nossa
I Associação foi então convidada para fazer parte da Apontaram-se já as deficiências: gestão rudimentar em
S Comissão em permanência. Esta situação só foi que- que Contabilidades razoavelmente organizadas deixa-
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A brada com as alterações que foram introduzidas no vam muito a desejar, o relato financeiro externo quase
ano passado na composição da nova Comissão. E o não existia salvo em algumas empresas e o relato fi-
D que é curioso é que outros, agora responsáveis, co- nanceiro interno era quase omisso. Relatava-se para
E nhecendo a contribuição da nossa Associação ao o fisco segundo regras por este ditadas, regras estas
longo destes anos em prol da Contabilidade calaram- subordinadas a critérios fiscais. Implicitamente a cul-
C se e aceitaram este infeliz ditame. Na minha opinião, tura técnica era a da satisfação dos critérios fiscais.
O a “nova Comissão” deixa muito a desejar; está im-
N buída de conceitos errados: a) pôs de lado as Esco- Evidentemente que o ensino sofria as consequências
T las Superiores de Contabilidade que fazem dela a sua de tal situação. O que se publicava eram livros (com
A essência, que tiveram um importante papel na reno- raríssimas excepções) em que se ensinavam as técni-
B vação do ensino da Contabilidade no pós Abril de 74; cas de escrituração; livros quase sempre superficiais
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L b) um Conselho Geral que vai defender interesses de em que se tentava teorizar estas técnicas como se fos-
I Confederações; c) a inclusão de representante das sem teorias contabilísticas profundas esquecendo que
D empresas municipais. a escrituração não é mais do que a linguagem por que
A se expressam financeiramente as operações das em-
D RCF: Após mais de 30 anos, ao longo dos quais tive- presas. Eram também consequência de um raquítico
E mos dois Planos Oficiais de Contabilidade (em 1977 e desenvolvimento económico de todo nosso conhecido.
em 1989) quais são, na sua opinião, as influências po-
E sitivas e negativas que lhes podem ser atribuídas no Ao surgir a CNC houve por parte de alguns membros
que se refere ao desenvolvimento da Contabilidade no da mesma (os que tinham alguma experiência de re-
F nosso país? lato financeiro a nível internacional) a preocupação de,
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N previamente a publicar um Plano de Contabilidade, pu-
A JBM: As influências dos Planos Oficiais de Contabili- blicar um opúsculo em que se expressaram princípios,
N dade no nosso país foram, de maneira geral, benéfi- conceitos e modelos de demonstrações financeiras re-
Ç cas dadas as condições de certo modo rudimentares lativas a tal relato. Foi um choque técnico em que mui-
A que antes existiam na Contabilidade da maior parte das tos se insurgiram, especialmente os “teóricos
S empresas portuguesas (pequenas, médias e muitas deslumbrados” que “dominavam o saber (?)” que viram
vezes micros); exceptuavam-se algumas empresas neste aspecto uma revolução anti-fisco. Bom, o que é
N.º médias e naturalmente as grandes empresas e as sub- certo é que só após isto a CNC recomeçou o seu tra-
101 sidiárias de multinacionais, dado que estas tinham que balho em prol de uma estrutura contabilística, com um
seguir a Contabilidade da empresa mãe. A Contabili- Plano de Contabilidade, lato senso, em que se esta-
dade não servia para a gestão mas sim para satisfazer belecessem conceitos e princípios contabilísticos (em-
pequenas necessidades administrativas e fiscais; era bora pouco desenvolvidos) que determinariam o uso
uma Contabilidade subordinada a estas exigências. O de tal instrumento.
mesmo é dizer que estas Contabilidades satisfaziam
meramente questões relativas a finanças, ou melhor, a E é só em 1977 que surge o primeiro Plano Oficial de
14 maior parte delas questões de caixa, para além de re- Contabilidade. Este documento estabeleceu uma certa
disciplina na escrituração das operações empresariais
gisto de bens fixos e móveis e, outras vezes, nem isto.
tendo como suporte um Planeamento Contabilístico
Por outro lado, a não obrigatoriedade de auditoria para que conduziu ao estabelecimento de documentos, re-
a maior parte das empresas não ajudava a que hou- lativos ao relato financeiro, uniformes e que de certo
vesse progressos acentuados. modo estavam já concebidos no opúsculo citado. No
aspecto teórico introduziu normas relativas a opera-
No entanto, é de salientar que na falta de Planos e ções empresariais com conceitos e princípios que pas-
A Normas as empresas de acentuada dimensão, e algu- saram a formar um conjunto teórico com base na teoria
b mas médias, começaram a utilizar o chamado Plano do Custo Histórico, em que predomina o custo e não
r Francês, talvez com excepção de subsidiárias de mul- o valor (que é um conceito económico volúvel).
i tinacionais anglo-saxónicas. O Plano Francês foi uma
l reacção ao Plano Alemão originário da ditadura nazi O Plano de Contabilidade adoptado não avançou para
utilizado pela Alemanha no seu esforço para a econo- a Contabilidade de Custos, o que segundo alguns teria
/ mia de guerra, o qual era de facto muito bom pois es- sido prematuro, contrariamente à minha opinião. E é por
tava imbuído de conceitos do Professor alemão Eugen isto que a Contabilidade interna das nossas empresas
J Scmallembach. Simplesmente, enquanto que o Plano continuou a deixar muito a desejar e a sua gestão não
u Alemão fazia uso acentuado da Contabilidade de Cus- se desenvolveu convenientemente. O Plano, no en-
n tos, o Plano Francês foi mais simplório a este respeito, tanto, continha algumas contas essenciais para adap-
h e com defeitos. No nosso país alguns “teóricos des- tação à Contabilidade de custos. Devo salientar que a
o lumbrados” começaram por adaptá-lo, surgindo tam- sua adaptação a uma grande empresa industrial trans-
bém uma ou duas tentativas de Planos de uma ou formadora (que utilizava orçamentos flexíveis com mais
2 outra organização de técnicos, como se disse. Uma de duzentos centros de custo e de algumas dezenas de
0 das consequências (lamentável) foi a total subordina- fabricações – o que, aproveito para dizer, não são a
1 ção da nomenclatura tradicional portuguesa (originá- mesma coisa; os centros concentram gastos e mão de
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ria da transição do século XIX para o XX) à do Plano obra indirecta enquanto que as fabricações respeitam a

