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De facto, há associações que nada têm a ver com a Armstrong Cork Company. Isto levou-me a ser muito R
Contabilidade que foram escolhidas, não se sabe por crítico do que se ensinava nas nossas escolas. E E
que motivo. Acresce que a “velha” CNC foi “apunha- ainda hoje continuo no outro “lado da barricada” ape- V
lada” porque no momento em que tinha quase con- sar de ter havido algum progresso neste campo. Digo I
cluída a sua opinião quanto ao que entendia dizer algum progresso porque verifico que o que se passou S
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sobre a sua própria reforma, aliás a apresentar natu- a ensinar foi o POC, as suas mecânicas e a pouca teo- A
ralmente ao Conselho Geral, surge-lhe nas “costas” ria que nele consta. Porém, hoje, já há algumas esco-
um projecto da nova Comissão vindo de outro uni- las superiores que formam pessoas que pesquisam e D
verso e profundamente influenciado por um docu- ultrapassam a mediania que era hábito. O apareci- E
mento originário da OTOC que integrava a sua mento das Normas Internacionais de Contabilidade
resposta à audição pública sobre o SNC. também fomentou o aprofundamento do estudo da C
Contabilidade nessas escolas para níveis já aceitá- O
RCF: O Braz Machado foi desde sempre o represen- veis, havendo doutoramentos e mestrados que, supo- N
tante da APPC na Comissão Executiva da anterior nho, estarão orientados no bom sentido. Digo isto com T
CNC tendo portanto trabalhado sob os diversos regi- algumas reservas porque no Congresso realizado em A
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mes jurídicos a que aquela esteve sujeita. Face à sua Lisboa, em Abril de 2007, da European Accounting As- I
experiência, que opinião tem sobre a recente refor- sociation (em que o nosso colega Dr. Baptista da
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mulação da CNC? Costa teve actuação de muito mérito na sua prepara- I
ção e desenvolvimento) na sessão em que foi discu- D
JBM: Como já se disse, a reformulação da CNC, por tida a Estrutura Conceptual, encontravam-se nas duas A
aquilo que foi feito, não se justificava; pouco ou nada filas da frente muitos professores de Contabilidade e D
trouxe de novo. A nova CNC deveria contemplar as- matérias afins em Universidades e Politécnicos portu- E
pectos de abertura ao público em geral, às empresas gueses. Contudo, só o Presidente da Mesa, um pro-
e a outras pessoas com interesse na Contabilidade; fessor da Faculdade de Economia da Universidade do E
deveriam estar concebidas reuniões com pessoas que Porto, se disponibilizou para entrar no debate, quando
eventualmente pudessem abrir novos horizontes quer o assunto é fundamental quer de um ponto de vista F
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profissionais quer teóricos no domínio da gestão e de teórico quer prático. N
outras técnicas com que a Contabilidade possa vir a A
partilhar efeitos benéficos. Vamos mais longe dizendo A propósito, anote-se que na tradução de tal Estrutura N
que a nova CNC deveria contemplar uma secção que no SNC, encontra-se mal traduzida a expressão “ste- Ç
visasse aspectos teóricos da Contabilidade. Uma wardship and accountability”. Foi traduzida por “zelo A
coisa é apresentar normas e normativos capazes de ou a responsabilidade de”, quando o que se pretende S
as fazer cumprir, outra é aprofundar teorias e even- dizer é “curadoria e responsabilidade perante”. E isto
tuais influências destas na Contabilidade e na gestão porque o que está em causa é a “a teoria da agência”. N.º
das empresas. Uma norma não é um repositório teó- 101
rico de Contabilidade e de gestão e, portanto, tal sec- Esta teoria é fundamental para a Estrutura que, aliás,
ção não seria descabida. Talvez eu esteja a ser, a este está hoje a ser trabalhada simultaneamente pelo IASB
respeito, pouco realista… e FASB. O que se pretende dizer com a referida ex-
pressão é que a gerência tem simultaneamente a res-
RCF: Antes da criação, em 1976, do Instituto Superior ponsabilidade pela gestão e a responsabilidade
de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), perante os accionistas/sócios a quem deverá relatar as
o Braz Machado teve uma intervenção muito rele- consequências da sua gestão. Isto nada tem a ver com
vante, em representação da nossa Associação, na re- “zeladores” pela ordem, como nos estádios de futebol. 17
formulação do então Curso de Contabilidade Tivemos na CNC, a seu tempo, o cuidado de por es-
professado no ICL. Como vê hoje o ensino deste ramo crito chamar a atenção para tal situação, o que não foi
do conhecimento nas nossas Escolas Superiores? acolhido. Nem tão pouco foi considerada a versão da
tradução da Estrutura feita pela Ordem dos Revisores
JBM: É feita uma pergunta a que não tenho pejo em Oficiais de Contas. Porém, e é onde pretendo chegar,
responder embora seja marginal aos problemas do en- naquele Congresso mesmo perante dois Professores,
sino; é aquilo a que os ingleses dizem “run off the bea- neste caso estrangeiros, a dissertar sobre tal assunto,
ten track” (correr fora da pista). ninguém levantou tal “divergência”, escrita e aceite no A
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SNC. Onde estão os que se devem preocupar com r
Por força de a minha vida profissional ter sido iniciada estas situações?
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e prosseguida durante doze anos em duas empresas l
(uma americana e outra inglesa) apercebi-me que a A pergunta que me é feita sobre uma determinada in-
Contabilidade em Portugal estava fora do seu tempo, tervenção aquando da reforma do ensino da Contabi- /
atrasada e dominada por pessoas que teorizavam a lidade na altura da transformação dos Institutos
partir e focando apenas a escrituração. É o que se diz Comercias em Institutos Superiores de Contabilidade J
“teorizar sobre a expressão e não teorizar sobre os e Administração derivou do facto de ter tido acesso ao u
conteúdos do que se pretende expressar”. Nestas con- que então se passava nas universidades dos EUA e n
dições, fui obrigado a ler os manuais dessas empresas dos trabalhos publicados a este respeito na revista da h
e literatura técnica em língua inglesa o que me abriu American Accounting Association. As discrepâncias o
perspectivas desconhecidas. Um dos manuais tinha, eram tais que nos envergonhavam. Infelizmente os
ainda me lembro, o sancionamento de um grande con- que em Portugal dirigiam o ensino estavam alheios à 2
tabilista e professor, o senhor Waine Keller, de quem preparação para uma profissão que já na altura era, e 0
possuo um dos seus livros (Management Accounting continua a ser, extremamente exigente – a profissão 1
for Profit Control) que era o chefe dos controllers da de Contabilista. 0

