Page 20 - rcf1101_Neat
P. 20
R
E O EVA COMO MÉTRICA DE VALOR
V
I
S
T
A Manuel da Silva Ribeiro
Contabilista. Economista
Professor do ISCAL
D
E
C
O 1. Introdução sitivos – as empresas podem estar, inadvertida-
N mente, a “destruir” valor, caminhando, inexorável
T
A e alheadamente, para irreversíveis situações de
B Envolto numa globalização sem precedentes, o insucesso/falência, visto que os seus responsá-
I
L Mundo tem assistido, nos últimos tempos, por veis/gestores não tiveram à sua disposição indi-
I
D um lado, a inusitados, rápidos e inelutáveis pro- cadores adequados que proporcionassem a
A cessos de desregulamentação, bem como a me- mensuração/avaliação, com clareza, do impacto
D
E gaprivatizações, fusões e absorções e, por outro, económico-financeiro das suas decisões estra-
a uma progressiva e cada vez mais determinante tégicas em termos de valor, diluindo-se, assim,
E
inovação tecnológica, factos que, com bastante também a sua responsabilização.
F relevância, têm gerado, no domínio das empre-
I
N sas, sérios fenómenos concorrenciais com refle- Nos tempos actuais coloca-se, pois – e cada vez
A xos numa grande disputa de clientes e de activos com maior premência –, a questão de saber se
N
Ç (materiais, humanos e financeiros), tendo em determinada unidade económica está, ou não, a
A vista uma adaptação permanente – e desejavel- criar valor, independentemente de dispor de “in-
S
mente com êxito – às bruscas e recorrentes al- formação contabilística” cuja natureza de resul-
N.º terações do meio envolvente. tados até pode ser substancialmente favorável.
101
2
A situação anterior e sinteticamente descrita – Está, portanto, “renascida” a importância da
que remete, essencialmente, para a necessidade gestão do valor e pacificamente reconhecido
de dotar as empresas de mecanismos que me- que, sem ela ser prosseguida, não é possível sa-
lhor e mais apropriadamente avaliem, histórica e tisfazer, pelo menos de modo sustentado, os in-
20 proactivamente, o seu desempenho económico- teresses dos stakeholders (principalmente
-financeiro, designadamente numa perspectiva accionistas, clientes e colaboradores), o que, a
3
de real quantificação do custo de todos os seus acontecer, arrastará desmotivação e perdas de
recursos – relega, de algum modo, para segundo produtividade que, entre outras consequências,
plano a utilização de técnicas tradicionais de não deixará de beneficiar os competidores au-
1
medição daquele desempenho, uma vez que, mentando a sua capacidade concorrencial.
A
b para além de as mesmas quase exclusivamente
r assentarem em elementos contabilísticos históri-
i cos, não consideram a remuneração exigida
l
pelos detentores do capital (determinação do 2. Economic Value Added (EVA)
/
custo do capital próprio, aquando do apuramento
J do resultado líquido do período), nem contem-
u plam/tratam o risco e a incerteza implícitos nos 2.1. Caracterização
n
h resultados previsionais eventualmente tidos em
o consideração.
4
2 Desde há bastante tempo que os economistas
0 Nestas condições – e não obstante haver até re- consideram que qualquer investimento, para
1
0 gisto de avultados resultados contabilísticos po- criar valor, tem de obter uma rendibilidade supe-

