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matérias primas e mão de obra directa e a uma impu-  ceira (Balanço) deve mostrar uma real aproximação  R
         tação segundo determinados critérios daqueles gastos)  ao “valor” das empresas  usando um conceito de valor  E
         funcionou bastante bem.                           que a Contabilidade não tem por fim e não pode de-   V
                                                           monstrar. Assim, exige-se que os activos expressem    I
         O POC também foi muito importante no que se refere  ora valores próximos do que realmente valem em ter-  S
                                                                                                                T
         aos conceitos e nomenclatura usada (infelizmente  mos de mercado, ora tratando o valor dos mesmos em   A
         afrancesada) que do meu ponto de vista trouxe algum  termos de valor de uso (para a empresa) e ainda ou-
         incremento à teoria da Contabilidade. Porém, nas Es-  tras em termos de valor presente; são as chamadas  D
         colas caiu-se no exagero; passou-se a ensinar o POC  imparidades. É de notar que a determinação de certas  E
         quase exclusivamente, a “mecânica” do mesmo, dei-  imparidades implica conhecimentos que nalguns
         xando as teorias da Contabilidade esquecidas, como  casos estão longe dos conhecimentos de grande nú-  C
         se a adoptada no POC fosse a única existente.     mero de técnicos. E que a Demonstração dos Resul-    O
                                                           tados, ao apresentar o resultado das empresas,       N
         Na época da promulgação do POC aconteceram im-    embora pelo mesmo motivo, o faça antecipando lucros  T
         portantes alterações políticas no nosso país, tendo ha-  ou prejuízos. De facto, a Contabilidade não é subsi-  A
                                                                                                                B
         vido mesmo pressões de um partido político para que  diária da Economia (é, como esta, uma ”ciência so-  I
         a sua entrada em vigor se efectivasse dado que se  cial”) embora alguns conceitos sejam comuns.  A
                                                                                                                L
         considerava essencial o seu uso para suporte das  Contabilidade, como conhecimento, já existia alguns   I
         Contabilidades de propriedades e empresas naciona-  séculos antes da Economia se tornar uma disciplina  D
         lizadas; este facto, relativamente desconhecido, levou  autónoma. Para além disso, passaram a considerar-  A
         a que o governo dessa altura o tivesse “retirado da ga-  -se registos relativos a operações e “papéis” de valor  D
         veta” e o promulgasse.                            altamente subjectivos e que passaram a ser contabili-  E
                                                           zados como se tivessem quantias expressando “valo-
         Com a entrada do nosso país na CEE, hoje UE, a Con-  res objectivos”. Daqui que os conceitos de lucro  E
         tabilidade das nossas empresas sofreu um impulso  tivessem deixado de tratar o mesmo com quantias
         derivado da adopção de Directivas a que ficaram su-  adequadas e realizadas, isto é, a estar imbuído de  F
                                                                                                                 I
         jeitas as empresas portuguesas, especialmente a 4ª  conceitos altamente subjectivos de ganhos e de per-  N
         Directiva que trata da Contabilidade e do relato finan-  das dado o mesmo estar pejado de valores  não  rea-  A
         ceiro das mesmas.                                 lizados, isto é, de lucros antecipadamente inscritos  N
                                                           como  tais. Tentou-se para tal atenuar, muitas vezes,  Ç
         Em qualquer caso, a existência de um Plano de Con-  o uso do conceito de “justo valor” (fair value). Na nossa  A
         tabilidade associado a Normas Contabilísticas, em-  opinião o conceito deve ser aplicável em Contabilidade  S
         bora rudimentares, foi benéfico à Contabilidade no  agrícola onde se incluem os bens de crescimento na-
         nosso país se bem que no aspecto ensino tivesse tido  tural ou biológicos. Assim, a Contabilidade passou a  N.º
         inicialmente benefícios, tendo-se posteriormente caído  contabilizar diferenças “adiantadas” em relação ao  101
         no exagero de se ensinar quase exclusivamente as  custo; isto é, embora o lucro ainda não esteja reali-
         mecânicas de escrituração contidas no mesmo. Já nos  zado é já considerado como tendo sido. Se tal não se
         últimos anos, a nível superior, houve alguma evolução  realizar pode haver distribuição do próprio capital em
         no sentido de aprofundar teorias, embora, na minha  situações extremas. É a antítese do Custo Histórico
         opinião, sem deslumbramentos. O que se lê, ainda  que dominou a Contabilidade após a grande crise de
         hoje o confirma.                                  Outubro de 1929, que diz entre coisas: só há lucro
                                                           quando realizado; contabilizam-se “custos” e não “va-
         Outro dos aspectos importantes foi a adopção, há al-  lores”; não se escrituram presunções. É esta a dife-  15
         guns anos, das Normas Internacionais de Contabili-  rença fundamental para o Sistema que entrou em
         dade que exigiram das empresas cotadas, e também  vigor nas Normas Internacionais. (Os contabilistas
         de outras, melhorias significativas especialmente no  americanos tiveram um papel preponderante nessa
         relato financeiro, dado que para o fisco houve sempre  crise ao ajudar o Governo Americano, conduzido no
         restrições condicionantes de melhorias.           começo dos anos trinta por Delano Roosevelt, no-
                                                           meadamente a American Accounting Association, com
         RCF: Como avalia o SNC tendo em atenção a actual  a publicação de vários estudos entre os quais o dos
         realidade económica, o tecido empresarial português  contabilistas Paton e Littleton – An Introduction to Cor-  A
                                                                                                                b
         e o nível de qualidade que àquele é atribuído?    porate Accounting Standards – onde se estabelece-     r
                                                           ram os princípios fundamentais do Custo Histórico).
                                                                                                                 i
         JBM: O chamado Sistema de Normalização Contabi-                                                         l
         lística vai dar uma contribuição importante à Contabi-  O SNC vem agora introduzir nas pequenas e médias
         lidade, especialmente das pequenas e médias       empresas certos princípios das Norma Internacionais  /
         empresas. O SNC é uma adaptação das Normas In-    embora atenuadamente em alguns casos. O Conceito
         ternacionais de Contabilidade.                    de Realização está agora, infelizmente, à beira de ser  J
                                                           “atirado para o lixo”. Em certas situações não houve  u
         Estas constituíram uma evolução importante nas prá-  progresso; esta crise do sistema económico mundial  n
         ticas da Contabilidade, embora nem sempre orienta-  de certo modo “recupera” a de 1929; e, parecendo que  h
         das para melhorias do relato financeiro dado terem  não, a “ultrapassagem” do custo histórico por um sis-  o
         evoluído para “satisfazer” as exigências das Bolsas,  tema contabilístico baseado no conceito altamente
         (se assim não tivesse acontecido, o organismo agre-  subjectivo de valor não ajuda a estabilizar a actual  2
         gador das Bolsas de Valores, o IOSCO, não teria dado  crise económica mundial. Mas nada podemos fazer e  0
         o seu acordo às mesmas). Como exemplo refere-se a  portanto o melhor é conviver com o mesmo e dele tirar  1
         irrealidade de que a Demonstração da Posição Finan-  os maiores proveitos em prol das empresas que o vão  0
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