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R       vam o modelo tradicional/convencional de contabilidade  dos credores.
       E       ao custo histórico, é bem possível que sejam deixados
                                                                 4  Em boa verdade os conceitos inseridos na Estrutura Con-
       V       cair em definitivo, porquanto se opõem, de certa forma,  ceptual encontram-se todos relacionados entre si e explicam-
        I      ao modelo do reconhecimento e mensuração pelo justo
        S      valor, que é, como se sabe, tendencialmente, o modelo  -se  reciprocamente.  Com  efeito  pode  afirmar-se  que:  a
                                                                    informação é útil (para os utilizadores) se for compreensí-
       T       subjacente às IFRS’s .                               vel e relevante; é compreensível se puder ser lida e enten-
                                 34
       A                                                            dida  prontamente  por  um  interessado diligente  e
                                                                    minimamente informado; é relevante se influencia deci-
       D       Pouco se sabe ainda sobre quais serão os futuros con-  sões; influencia decisões se tem papel preditivo e/ou con-
       E       ceitos relacionados com o terceiro nível da nova Estru-  firmatório;  a  relevância é  afectada  pela  natureza  e
               tura Conceptual, ou seja, os conceitos que enquadrarão  materialidade da informação; mas, para ser útil (relevante),
       C       o reconhecimento e a mensuração - “pressupostos” (“as-  a informação dever ser tempestiva e fidedigna, isto é digna
       O       sumptions”), princípios contabilísticos em sentido estrito  de confiança, fiável; é tempestiva quando é apresentada a
       N       (“principles”) e os constrangimentos 35  (“constrains”). A  tempo; é fiável quando não contém erros e omissões sig-
       T       tempestividade (“timeliness”) - que é um constrangimento  nificativas e está livre de preconceitos (neutra); para ser
       A       na actual Estrutura Conceptual do IASB e uma sub-ca-  digna de confiança deve representar com fidedignidade as
                                                                    operações ou acontecimentos que pretende representar; re-
       B       racterística da relevância na actual Estrutura Conceptual  presentar com fidedignidade implica representar de acordo
        I                                                           com a substância e a realidade económica, em detrimento
       L       do FASB -, surge como uma característica qualitativa de  da forma (princípio da substância sobre a forma); mas in-
        I      reforço (“enhancing”) na nova Estrutura Conceptual con-  formação fiável significa não só informação produzida com
       D       junta do IASB-FASB.                                  neutralidade e livre de preconceitos, como também pre-
       A                                                            parada com prudência, isto é, introduzindo um grau de pre-
       D       Também nada se sabe ainda sobre o que serão os novos  caução  contra  incertezas (não  ter  activos  e  proveitos
       E       conceitos relacionados com o quarto nível da Estrutura  sobreavaliados  e  passivos  e  custos  subavaliados);  final-
                                                                    mente, informação útil, relevante e fiável requer divulga-
               Conceptual associados às definições de capital e de ma-
       E       nutenção de capital, em sentido financeiro ou físico, os  ção plena e comparabilidade (temporal e horizontal); mas
                                                                    a comparabilidade exige consistência na utilização das po-
               quais se encontram, por sua vez, associados aos con-  líticas contabilísticas.
        F
        I      ceitos de lucro, em sentido nominal ou real, respectiva-  5  A revisão da IAS 1 em 2007 foi o término da Fase A de revi-
       N       mente.                                               são desta norma: Introduziu os conceitos de “Comprehen-
       A                                                            sive Income” e de “Other Comprehensive Income”; definiu
       N       Apesar do IASB e do FASB, com já se referiu, acredita-  o que deve ser integrado e não integrado nestes conceitos;
       Ç       rem que foi realizado um bom trabalho neste projecto até  alterou as designações dos demonstrativos financeiros; alte-
       A       à data, pensa-se que só com o projecto terminado é que  rou o conteúdo da Demonstração das Alterações do Capital
        S      se poderá fazer uma avaliação global, positiva ou nega-  Próprio e da Demonstração de Resultados; alterou o conjunto
                                                                    completo de demonstrativos financeiros; apresentou novos
               tiva, no sentido de se poder afirmar se houve ou não
       N.º     avanços significativos relativamente às estruturas con-  modelos de demonstrativos financeiros. Já foi produzido um
       107                                                          “Discussion Paper” (2009) que prevê (trabalho das Fases B
               ceptuais vigentes, especialmente nas matérias relacio-  e C) novas alterações na apresentação dos demonstrativos
               nadas com o reconhecimento e a mensuração de activos  financeiros como, por exemplo, todos os demonstrativos fi-
               e passivos.                                          nanceiros vão, à semelhança da actual DFC, ter que separar
                                                                    entre actividades operacionais, actividades de investimento e
                                                                    actividades de financiamento. Vai ser exigida ainda, a partir
               1  O presente texto constitui o primeiro de um conjunto a publi-  de 2013, a apresentação de demonstrativos financeiros re-
                 car que pretende dar conta das alterações recentes e que se  conciliados.
                 perspectivam para as IFRS, no contexto da harmonização
    10           contabilística internacional em curso, e, em particular, no âm-  6  A Estrutura Conceptual no que se refere mensuração fiável
                 bito do “Norwalk Agreement” entre o FASB e o IASB, cele-
                                                                    de activos e passivos assinala que, respectivamente, os in-
                 brado  em  2002.  Pretende-se  dar  uma  panorâmica  fluxos  e  exfluxos  de  benefícios  económicos  associados,
                 (“overview”) das principais ou mais significativas alterações  devem ser “probable”, isto é, “more likely than not”.
                 que já ocorreram ou que irão brevemente ocorrer.
                                                                 7  Do modelo tradicional/convencional da contabilidade pelo
               2  Segundo esta orientação o demonstrativo financeiro princi-  custo histórico.
                 pal é o balanço sendo a demonstração de resultados um de-
                 monstrativo financeiro derivado do primeiro ou secundário.  8  Substituída pela IFRS 3 (revista, de Janeiro de 2008).
                 Esta orientação privilegia a abordagem da manutenção do
                 capital na mensuração do resultado (por contraste com a  9  Notar que, ainda a título de exemplo, que a actual IAS 12-“In-
       O         abordagem das transacções). De acordo com a orientação  come Taxes”,  revista  recentemente,  também  adopta  uma
        u        para o balanço e a abordagem da manutenção do capital  orientação para o balanço no reconhecimento de activos e
        t        para mensurar o resultado, em boa verdade, a classe 7 (ren-  passivos por impostos diferidos.
        u        dimentos) e a classe 6 (gastos) do antigo POC (ou do novo
        b        SNC) são apenas, respectivamente, o espelho ou reflexo (por  10  Projecto da agenda conjunta FASB-IASB.
        r
        o        causa da técnica da partida dobrada) dos verdadeiros pro-  11
                 veitos/rendimentos e dos verdadeiros custos/gastos. Os ver-  Uma excepção poderá ser encontrada na IAS 11-“Construc-
        /        dadeiros proveitos/rendimentos são os aumentos dos activos  tion Contracts”.
                 ou as reduções de passivos que se traduzem em última ins-
       D         tância no aumento do capital próprio da entidade. Os verda-  12  Ver IAS 16 -“Property, Plant and Equipment”.
        e        deiros  gastos/custos  são  as  diminuições  de  activos  ou
        z        aumentos de passivos que se traduzem em última instância  13  Os US GAAP’s não permitem a reavaliação de AFT (Activos
        e        na redução do capital próprio da entidade.         Fixo Tangíveis).
       m
        b      3                                                 14  Que serão, em princípio, capítulos da nova Estrutura Con-
        r        Trata-se de uma presunção discutível, mesmo do ponto de
        o        vista da contabilidade. Basta pensar, por exemplo, nas várias  ceptual.
                 ópticas teóricas de consolidação – proprietário, financeira,
        2        económica, mista -, as quais,  respectivamente, se destinam  15  Da  Agenda  Conjunta  FASB-IASB,  sintetizada  pelo  IAS-
        0        a determinados tipos de utilizadores. Todavia, a presunção  PLUS.com (Delloite).
        1        adequa-se bem à perspectiva dos mercados financeiros e
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