Page 23 - rcf1107_Neat
P. 23

dependentemente da escolha do caminho, todo o pro-  À medida que fica estabelecido o que fazer com os de-  R
        cesso de optimização deve estar em perfeito sincronismo  mais “recursos não restrição”, está-se na fase da subor-  E
        com a meta da empresa e foi por isso que partindo da  dinação de qualquer procedimento à decisão anterior,  V
        premissa que a empresa opera sempre com algum tipo  sendo certo que subordinar significa que todos os demais  I
        de restrição, para aumentar o seu rendimento. Fabergé  recursos, não restritivos, devem ser utilizados na medida  S
        entendeu agora que  a metodologia alarga os quatro pas-  exacta das necessidades e da forma estabelecida na ex-  T
        sos fundamentais, preconizados por Goldratt, para sete:  ploração das restrições.                       A
                                                                                                                D
                                                           Se após terem sido subordinados os procedimentos à de-  E
           1 – Identificar a meta do sistema.              cisão anterior ainda permanecer alguma restrição, é fun-
                                                           damental  superá-la,  acrescentando  uma  maior      C
           2 – Identificar as medidas adequadas para avaliar o  quantidade de recursos escassos no sistema, de forma a  O
              rendimento do sistema em relação à meta.     permitir a sua resolução e o incremento do desempenho  N
                                                           da empresa. Muda-se a restrição ou cria-se uma nova e  T
           3 – Identificar as restrições do sistema.       reinicia-se o ciclo. Contudo, evita-se que a inércia se torne  A
                                                                                                                B
                                                           numa restrição ao sistema, procedimento que não implica  I
           4 – Decidir como explorar as restrições identificadas.  que a TOC se preocupe com eficiências locais a não ser  L
                                                           na restrição.
                                                                                                                 I
           5 – Subordinar todo o sistema às decisões tomadas.                                                   D
                                                           Não há qualquer preocupação por alguns dos recursos  A
           6 – Elevar as restrições do sistema.            serem considerados ociosos (não totalmente aproveita-  D
                                                           dos), se o recurso seguinte não tiver uma capacidade de  E
           7 – Não permitir que a meta se transforme na principal  absorção do seu stock. Neste caso, não se aumentaria o
              restrição do sistema.                        ganho, mas o investimento (inventário), uma vez que o  E
                                                           stock em vias de produção estaria a aumentar.
                                                                                                                F
                                                                                                                 I
        Com base nestes conceitos iniciais, Fabergé concordou  Com o aumento do investimento, a despesa operacional
                                                                                                                N
        com um esquema que resumia a sua actividade:       é  afectada  pelos  custos  adicionais  desse  excesso  de  A
        Fig. 2 - Metodologia da TOC aplicada por Fabergé   stock e o lucro diminui, levando a empresa por uma di-  N
                                                           recção oposta à sua meta. Nesta época Fabergé estava  Ç
                                                           a  braços  com  um  número  elevado  de  encomendas  –  A
                                                           tinha-se tornado moda – mas já tinha ouvido referir que o  S
                                                           povo não estava satisfeito, havia intelectuais que conspi-
                                                                                                                N.º
                                                           ravam e, por isso, seria uma boa medida gerir os recursos
                                                           de forma sábia.                                     107

                                                           Procurou Goldratt a quem expôs as suas inquietações e
                                                           este deu-lhe uma resposta que o acalmou.

                                                           Para  harmonizar  todo  o  processo  produtivo,  Goldratt
                                                                                           4
                                                           (1997), propôs-lhe a metodologia T-P-C assente no prin-
                                                           cípio  dos  centros  de  custo  serem  alinhados  pela  sua  23
                                                           ordem de importância no processo de fabrico, embora a
        Após a identificação das restrições existentes no sistema,  sua capacidade de produzir seja diferente.
        segue-se uma fase em que se pretende tirar o máximo
        proveito destas, obtendo o melhor resultado possível den-  A velocidade de respostas está sujeita à variação e às in-
        tro dessa condição.                                terrupções do processo de fabrico.

                                                           No processo de fabrico, a primeira fase recebe a matéria
        Explorar uma restrição, por exemplo, significa fabricar os
                                                           prima e dá início à fabricação de determinado produto
        produtos que geram melhor resultado em cada hora tra-                                                   O
        balhada, o que constitui um estrangulamento da produ-  que vai percorrendo as várias fases à medida que é pro-  u
                                                           duzido e termina em produto acabado.
        ção (“gargalo”).                                                                                         t
                                                                                                                u
                                                           Quando se inicia o processo de fabrico, todos os centros  b
        Perante a vontade manifestada por Fabergé de pôr em  estão alinhados. Todavia, devido à diferente capacidade  r
        prática a Teoria das Restrições, Goldratt advertiu-o que,                                               o
                                                           de cada um, irá acontecer um aumento generalizado dos
        aparentemente, pode parecer que a Teoria das Restri-  stocks de produtos em vias de fabrico, motivado por essa  /
        ções depende da gestão de produção, mas sem uma mu-
                                                           diferença de capacidade.                             D
        dança  significativa  no  modo  de  gerir  a  produção,  a
                                                                                                                 e
        empresa não a pode utilizar.                                                                             z
                                                           É importante tornar possível a redução da dispersão (ine-
                                                                                                                 e
                                                           ficácia) sem aumentar o tempo total para completar a ta-  m
        O sistema de gestão da empresa deve estar associado  refa. O programa da restrição é o “tambor” (drum) do  b
        ao da gestão de produção, sem o que não se pode pro-  sistema, é ele que marca a cadência global, fazendo que  r
        duzir informações precisas. Segundo Neto (1997), esta é  todos os restantes recursos “marchem“ à sua cadência;  o
        uma das grandes críticas à contabilidade de custos que,  passam a adaptar-se ao ritmo de trabalho da restrição.  2
        algumas vezes, se tem distanciado da gestão de produ-                                                    0
        ção.                                               Para programar a restrição, coloca-se os pedidos e pre-  1 1
   18   19   20   21   22   23   24   25   26   27   28